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Roupas preciosas
Os preços estratosféricos
das coleções
de verão
que chegam às lojas
Marcelo Camacho
Fotos
Eduardo Pozella
Quando
desfilou para a grife Ellus no último MorumbiFashion,
em julho passado, a top model inglesa Kate Moss envergou
na passarela uma blusinha curta de organza, sem mangas,
com um babado na frente. Uma peça sensual, que ilustra
um editorial de moda da edição de dezembro
da badalada revista americana Harper's
Bazaar.
Seu preço: 129 reais. Cara, sem dúvida, mas
aos olhos das consumidoras, imperdível a blusa
virou objeto de desejo e sumiu das prateleiras. "É
um dos itens mais vendidos de toda a história da
loja", diz Marcelo Sebá, gerente de comunicação
da grife. Não se trata de um comportamento típico,
nem é de roupas carésimas que vivem as grifes
de luxo. O grosso de seu faturamento está mesmo nos
jeans, camisetas e nas sainhas básicas. Mas, entra
estação, sai estação, cada uma
põe na vitrine seu lote de roupas a preços
estratosféricos. Quem vê de fora e não
entende nada de moda pensa que ninguém vai pagar
tanto por tão pouco. Engano. Seja porque o material
é de primeira, seja porque a produção
é pequena, seja porque a consumidora quer algo diferente,
ou por todas essas coisas juntas, o estoque de um vestidinho
beirando os 1.000
reais sempre acaba. E no verão que agora começa
a história não é diferente.
A grife paulista
Forum, por exemplo, tem à venda um vestido curto
de crepe georgette com a estampa da Praia de Ipanema. A
peça leve, ideal para ser usada durante o dia, custa
600 reais. Tem saída? Ora, se tem. Da mesma forma,
nas lojas da estilista Andrea Saletto, as roupas mais caras
acabam primeiro. Neste verão, sua arara exibe um
vestido de crepe georgette, estampado com tule bordado a
mão, de 1.620
reais. Tem também uma blusa de jérsei, sem
mangas, de 720 reais e uma calça de crepe de 840
reais. Todos os tecidos são importados. "A mulher
que compra lá entende que os tecidos das roupas também
estão nas vitrines das melhores grifes européias",
justifica a consultora de moda da marca, Hiluz Del Priori.
"De fato, o tecido faz a diferença no preço
das roupas", confirma a estilista Maria Cândida Sarmento,
dona da Maria Bonita, onde um vestido pode custar até
2.800
reais. "Minhas clientes não precisam de roupas. Já
têm muita coisa. Elas vêm aqui atrás
de peças diferentes. Quando encontram, pagam o preço",
diz.
Exclusividade
Além
do tecido, da publicidade, da loja bem decorada,
uma ou outra pequena bossa às vezes acrescenta
reais ao preço final. A grife Zoomp tem uma
camiseta feminina de algodão fininho toda
bordada com canutilhos reluzentes. Preço:
201 reais. "É um trabalho feito a mão,
que leva muito tempo para ser confeccionado. Jamais
poderia produzir essas peças em escala industrial",
afirma o empresário Renato Kherlakian, dono
da marca. A estilista Lenny Niemeyer, dona da grife
de moda de praia Lenny, adota o mesmo lema. "Não
vou baratear uma peça e perder a oportunidade
de fazer um biquíni que provoque impacto
e desperte a fantasia das minhas clientes", diz
ela, que tem à venda em suas lojas um biquíni
bordado de 107 reais. Lenny só faz 300 desses
biquínis por mês. E garante: tem fila
de espera.
É
caro? Pois pode ser mais ainda. A Rosa Chá
oferece um biquíni todo enfeitado de bordados
cheios que custa 152 reais. A Salinas tem outro,
bordado a mão com pedrinhas coloridas, que
custa 98 reais. Claro que, quanto mais alto o preço,
menor a quantidade de peças produzidas. Enquanto
a Salinas faz, por mês, 2.000
unidades dos modelos mais acessíveis, só
fabrica 300 do modelo mais caro. "A cliente que
paga caro quer certa exclusividade", diz Jacqueline
De Biase, dona da grife. A tal blusinha com a qual
Kate Moss desfilou vendeu toda a produção
inicial e boa parte da segunda fornada. Agora, está
virando artigo raro, e a Ellus não pretende
mais produzi-la justamente para que não
se torne uma peça banal. "Se estivéssemos
só preocupados em ganhar dinheiro, estaríamos
produzindo essa blusa loucamente. Mas nossas clientes
não merecem isso", observa Marcelo Sebá.
Pelo preço que pagam, não mesmo.
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Não
é bem assim
Luís Gomes
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| Xales de pashmina: sem novidade |
A o longo
de todo este ano, festa chique de verdade aqui,
na Europa, nos Estados Unidos contou com a leveza,
o colorido e o charme dos xales de pashmina. O tecido
indiano invadiu o vocabulário da moda, indicando
uma lã finíssima, macia como nenhuma outra.
Como se chegava a tal primor? Usando, na sua confecção,
apenas a penugem recolhida da barriga e do pescoço
de filhotinhos de certas cabras do Himalaia. Muito delicado,
mas falso. Um professor de ciências têxteis
da Universidade de Massachusetts, Kenneth Langley, pôs
um pedaço de pashmina no microscópio e
decretou: "É cashmere". Nada gravíssimo,
visto que cashmere também é uma lã
nobre feita de pêlos de cabras do Himalaia. Só
que, primeiro, não é novidade dela
vem a casimira dos ternos dos nossos bisavós.
Segundo, também é cara, mas não
tão cara. Nas butiques brasileiras, enquanto
um xale de pashmina custa entre 800 e 1 600 reais, um
parecido de cashmere sai pela metade.
Pashmina,
tal como é anunciada, é pura jogada
de marketing. Langley ri da história dos pescocinhos
e barriguinhas doadores. Os indianos, diz ele à
revista Newsweek,
"recolhem as fibras com um pente quando as cabras
trocam de pêlo. Pegam tudo o que podem, e não
escolhem lugar". A costumeira mistura da lã
com seda nas pashminas, consideram especialistas,
pouco acrescenta à sofisticação
do xale. Ele fica mais leve, é fato. Mas custa
menos para ser produzido, e o lucro do fabricante
é maior ainda.
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