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O mal da
idade
Lente
descartável substitui o interminável
tira-põe dos óculos para vista cansada
Aida
Veiga
Ricardo Benichio
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Paulo Jares
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| Hirsch:
colecionador
dos
óculos que Sara (à dir.)
abandonou |
Só
quem chegou aos 40 conhece o drama. Vai ler, põe
os óculos. Vai falar com alguém, tira
os óculos. Vai ver o preço de um objeto,
põe os óculos. Vai até o balcão
pagar, tira os óculos. Vai preencher o cheque,
põe os óculos. E por aí segue
nessa irritante rotina, que ainda por cima reflete
como um luminoso o inequívoco sinal de que
a idade chegou. Isso, como se sabe, ocorre com quem
sofre da chamada "vista cansada", aquela que só
enxerga bem o que está longe cada
vez mais longe. De olho nessa legião de descontentes,
a Johnson & Johnson acaba de lançar no
Brasil uma lente de contato, Acuvue Bifocal, capaz
de corrigir a visão de perto. É colocar,
usar e trocar a cada duas semanas ou a cada semana,
no caso dos mais preguiçosos, que optam por
dormir com ela. "Foi a minha alforria", conta Sara
Sambursky, 52 anos, gerente de loja no Rio de Janeiro,
uma das primeiras a experimentar a novidade. Sara
usa a lente há quinze dias, ainda está
em fase de adaptação, mas já
se sente outra pessoa. "É como se eu tivesse
rejuvenescido anos."
A
vista cansada, ou presbiopia, seu nome científico,
é uma praga da qual ninguém escapa,
e o culpado é o músculo que movimenta
o cristalino, uma espécie de "lente" natural
dentro do olho (veja
ilustração).
Para ver de longe, o músculo relaxa, diminuindo
a curvatura do cristalino. Para ver de perto, o mesmo
músculo tem de se contrair, e é aí
(até aí!) que a inexorável lei
da gravidade se faz sentir. "Tudo cai, até
o músculo dos olhos", compara o oftalmologista
paulista Marcelo Cunha. O
próprio cristalino, conforme a idade avança,
vai perdendo a elasticidade. O resultado de tudo isso
é a dificuldade de ver de perto, que começa
por volta dos 40 anos e atinge seu máximo de
perda aos 55, estacionando no limite de 3 graus. "É
a conhecida sensação de que os braços
ficaram muito curtos", brinca o empresário
Heriberto Hirsch, 63 anos, que, para se livrar da
depressão de ter de usar óculos, optou
por tornar-se colecionador: tem seis pares do tipo
antigo (veja
quadro ao lado),
sem aro nem haste, comprados em antiquários.
Preço
alto As
lentes que estão sendo lançadas no Brasil
são dotadas de cinco anéis invisíveis
e concêntricos que focam os objetos de perto
e de longe ao mesmo tempo, sem distorções.
São muito mais eficientes e sua adaptação
é infinitamente mais fácil que um par
de lentes convencionais, em que o grau de perto e
o de longe ficam na mesma área, dificultando
a função do cérebro de selecionar
uma imagem. Ganham ainda em praticidade, por ser descartáveis.
Em compensação, paga-se bem: uma caixa
com três pares, que dura de três a seis
semanas, custa 100 reais, enquanto as convencionais
não saem por menos de 500 reais e duram um
ano. "Mas vale a pena o investimento", afirma a advogada
Anita Landecker, 51 anos. Anita, que também
tem miopia e usa um segundo par de óculos para
longe, tentou lentes bifocais convencionais, mas não
se adaptou. Nem lhe passou pela cabeça a cirurgia
as técnicas existentes de recuperação
do cristalino são experimentais e seus resultados,
controvertidos. Agora está felicíssima
com a chegada das lentes descartáveis. "Enfim
vou poder aposentar esses óculos, que só
uso porque não agüentava mais pedir para
meu marido ler o cardápio no restaurante",
conta.
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