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Surpresa
na festa
Quem
comprar espumante brasileiro não vai
fazer feio neste réveillon. É bom
e barato
Rodrigo
Vieira da Cunha
Clicio
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Brinde
nacional:
crescimento de quase
50% nas vendas
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Às
vésperas do réveillon do milênio,
os brasileiros estão descobrindo uma novidade.
Os vinhos espumantes da Serra Gaúcha são
uma opção respeitável para
quem não quer comprometer o orçamento
comprando um champanhe francês. A produção
desse tipo de bebida aumentou muito na região
nos últimos anos, e sua qualidade tem conquistado
cada vez mais apreciadores. Os números comprovam
o sucesso. No ano passado, as vinícolas brasileiras
produziram 3,2 milhões de litros de espumante.
Neste ano, a União Brasileira de Vitivinicultura,
Uvibra, estima um crescimento de quase 50%. Praticamente
todas as vinícolas lançaram alguma
garrafa diferente para comemorar a virada do milênio.
E a produção está se esgotando.
Mesmo a Georges Aubert, que aumentou a produção
em 220% em relação ao ano passado,
já está com todo o estoque encomendado.
"O
que havia de espumante brut e demi-sec em nossos
tonéis se esgotou há duas semanas",
diz Ivo Fontana, sócio da vinícola.
Já a Miolo, que vende quase exclusivamente
para empresas, limitou o número de caixas
que cada cliente pode pedir, para não faltar
com nenhum.
"Nossa produção deve acabar nesta
semana", prevê Adriano Miolo. "Tudo que foi
produzido está encomendado."
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Georges
Aubert
Investiu
no gosto
brasileiro
e lançou
cinco
variedades,
entre
elas a rosé
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Embora o réveillon seja a grande festa do espumante,
os produtores já estavam comemorando antes.
"No primeiro semestre deste ano, as vendas chegaram
ao dobro das do ano passado", afirma Jaime Milan,
presidente da Uvibra. "Isso revela que os brasileiros
não estão mais consumindo espumante
apenas em dezembro." Neste ano, as vinícolas
Georges Aubert e M. Chandon lançaram a primeira
garrafa com 185 mililitros, para quem quer beber apenas
uma taça. Com a nova versão, a bebida
ganhou a noite. Agora é possível ver,
em bares e danceterias, pessoas bebendo espumante
de canudinho. Algumas casas começaram a oferecer
uma taça de espumante como aperitivo. A indústria
nacional se diversificou. Antes só fabricava
as variedades brut e demi-sec, os tipos mais comuns.
Agora existem outras opções. A Georges
Aubert chegou a lançar cinco tipos, como o
tinto e o rosé. Neste ano, a pequena vinícola
Don Laurindo, seguindo o exemplo da Miolo e da Peterlongo,
lançou garrafas produzidas pelo método
champenoise, usado na região de origem da bebida,
a Champagne, na França. O líquido fermenta
na garrafa e não nas autoclaves. Segundo os
especialistas, o processo dá à bebida
um sabor superior.
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Salton
Uma das marcas nacionais mais
baratas, tornou-se líder de mercado
no ano passado |
Borbulhante
A
rigor, apenas as bebidas produzidas na região
francesa podem ser chamadas de champanhe. As outras
são simplesmente vinhos espumantes. Assim,
a bebida foi rebatizada em cada país onde
é fabricada. Os espanhóis chamam seu
vinho borbulhante de cava, os italianos, argentinos
e portugueses, de espumante mesmo. No Brasil, algumas
vinícolas do Sul arriscam grafar, irregularmente,
champanhe no rótulo. Em todos os casos, o
processo de fabricação é o
mesmo: as uvas são selecionadas e passam
por duas fermentações naturais, a
primeira nos tonéis de madeira e a segunda
nas garrafas ou grandes cubas de aço, chamadas
autoclaves. As uvas colhidas no Rio Grande do Sul
são mais ácidas, em virtude das condições
gerais do solo e do clima local. Justamente por
isso, elas fazem com que o vinho nacional perca
em qualidade, mas favorecem a produção
dos espumantes. "Experientes enólogos franceses
dizem que os brasileiros deveriam desistir do vinho
e investir mais no espumante", lembra o chef gaúcho
José Antônio Pinheiro Machado.
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Chandon
Marca mais conhecida no país. Não
confundir com a Moët & Chandon francesa
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"Comparado
a espumantes italianos, como o asti e prosecco,
o brasileiro não fica devendo nada", garante
Isolda Paes, integrante da Sociedade Brasileira
dos Amigos do Vinho, que viaja todos os anos à
Europa para apreciar vinhos. "Numa degustação
às cegas, os brasileiros não perdem
para os do resto do mundo e, em alguns casos, são
até melhores", julga o presidente da Associação
Brasileira de Sommeliers, Mário Telles Junior.
A última degustação feita pela
Sociedade Brasileira dos Amigos do Vinho, por exemplo,
reuniu 45 pessoas que pagaram 120 reais para experimentar
seis tipos de espumante, brasileiros inclusive.
"Pela primeira vez, tivemos de criar uma lista de
espera", diz Agnaldo Albert, presidente da associação.
O interesse pela bebida é tanto que a vinícola
Georges Aubert resolveu inaugurar em junho passado
um museu do champanhe, na cidade de Garibaldi, a
129 quilômetros de Porto Alegre. Já
recebe 5 000 visitantes por mês.
Com
reportagem de Anna
Paula Buchalla
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