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O primeiro
ABC
Alfabeto
pode ter sido inventado no Egito
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Darnell
(de chapéu):
estilo de Indiana |
Conhecido
como a terra das pirâmides e múmias,
o Egito pode reivindicar um novo título:
o de pátria do alfabeto. Um grupo de pesquisadores,
liderado pelo arqueólogo americano John Darnell,
do Instituto de Estudos Orientais da Universidade
de Chicago, encontrou indícios de que a escrita
alfabética surgiu dois ou três séculos
antes do que se pensava, há 3.900
anos. Até a descoberta, acreditava-se que
o alfabeto teria sido criado por um povo semita
que vivia onde hoje ficam o Líbano, a Síria
e a Palestina. O código gravado nas rochas
de Wadi el-Hol, um desfiladeiro próximo ao
Vale dos Reis, por onde passava uma movimentadíssima
estrada na Antiguidade, confirma o mesmo povo como
o inventor da escrita alfabética, mas no
próprio Egito. Os pesquisadores acreditam
que os semitas pretendiam criar uma forma de escrita
mais simples e democrática que os hieróglifos
egípcios e os sinais cuneiformes dos sumérios,
ambos pictóricos. Os dois códigos
exigiam enorme destreza dos escribas e tinham um
número restrito de leitores. "Um profissional
dedicado à escrita tinha de estudar a vida
inteira para conhecer todos os sinais pictóricos",
explica Kyle McCarter, especialista da Universidade
Johns Hopkins. "Um alfabeto como o dos semitas podia
ser aprendido em poucas horas."
Fotos: Bruce
Zuchermann and Marylin Lundherg, Ewst Semitic
Reseacrh
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| Sinais
em Wadi el-Hol: antepassados de nossos A e B
gravados na pedra |
Ao todo foram localizados 350 caracteres em Wadi el-Hol.
Boa parte deles era uma representação
simplificada de hieróglifos que funcionava
como letras. Entre eles, a equipe de Darnell acredita
ter identificado os remotos antepassados de nossas
letras A e B. Os sinais não são novos.
Nos anos 30, arqueólogos já haviam esquadrinhado
o local. Porém nunca tinham sido estudados
como agora. A equipe de Darnell observou que alguns
caracteres compõem textos inteiros em escrita
cursiva. Nem tudo é legível, pois parte
dos sinais está danificada pela ação
do tempo ou de ladrões de relíquias.
Darnell, um cientista excêntrico que se veste
como Indiana Jones, levou seis anos estudando a região
antes de revelar suas descobertas. Ainda falta muito
para decifrar os caracteres, mas ele já desenvolveu
uma teoria sobre sua criação. Darnell
acredita que o alfabeto foi inventado para atender
a necessidades práticas. Vivendo de uma atividade
para a qual a escrita era fundamental, comerciantes
e viajantes semitas tinham dificuldades para registrar
seus negócios na complicada linguagem dos hieróglifos.
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