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Camelô
fashion
Os
mercados de moda alternativa
se espalham pelo Brasil
Roberta
Paixão
Oscar Cabral
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Babilônia
Hype, no Rio: roupas, música e balbúrdia
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Herdeiros
das feiras hippies dos anos 70, os mercados alternativos
de fim de semana estão proliferando no Brasil.
No Rio de Janeiro existem quatro mercados fixos
em bairros diferentes da cidade. Em São Paulo,
onde começaram a brotar cinco anos atrás,
dois deles o Mercado Mundo Mix, um fim de
semana por mês, e o Mambo Bazar, todo sábado
e domingo têm público cativo.
O MMM, o maior e mais bem-sucedido do gênero,
surgiu em um galpão de fábrica desativado
e já virou feira itinerante, que a cada fim
de semana desembarca em uma cidade do país.
Ao todo, são nove cidades, com 100 expositores
em média. Em sua última versão
paulistana, três semanas atrás, quem
quisesse entrar no galpão do bairro da Barra
Funda teria de enfrentar uma fila de dobrar quarteirão.
Os
mercados da chamada moda fashion alternativa costumam
ser uma loucura. Além de dezenas de barraquinhas
de roupas, bijuterias e objetos de decoração,
encontram-se lá uma multidão de todas
as tribos, música nas alturas e profusão
de luzes. No meio da balbúrdia acontecem
lançamentos de CDs de novos e de consagrados
cantores, campanhas humanitárias e, evidentemente,
desfiles de moda. Na porta, enormes drag queens
animam os visitantes. Por fim de semana, cerca de
40.000
pessoas passam pelas três maiores feiras do
país, Mundo Mix e Mambo, em São Paulo,
e Babilônia Feira Hype, no Rio. "Temos preços
baixos e charme", diz Jair Mercancini, organizador
do MMM, que fatura 45.000
reais por evento só no aluguel das barraquinhas.
De tanto fazer e acontecer, os mercados começam
a ter problemas. No Rio, os lojistas pediram e o
prefeito Luiz Paulo Conde assinou, no início
de novembro, um decreto que proíbe as feiras
alternativas. Como os alvarás de funcionamento
valem até o final de dezembro, elas continuam
em cena. "As pessoas que vendem lá não
pagam imposto e fazem concorrência desleal,
como os camelôs", reclama o presidente do
Sindicato dos Lojistas, Sílvio Cunha.
Selmy
Yassuda
Barraca
em vez de loja Diferentemente
dos típicos "mercados de pulgas" europeus,
as feiras de moda brasileiras só oferecem mercadoria
nova, a preços camaradas. São roupas,
acessórios, móveis, enfeites e até
obras de arte de estilistas e artistas que muitas
vezes só têm uma confecção
ou ateliê nos fundos de casa. Por um espaço
de no máximo 2 metros quadrados, cada expositor
paga em média 300 reais pelo fim de semana.
As vendas em cada uma das três "grandes" alcançam
200.000
reais no sábado e domingo. O designer de sapatos
paulista Marco Aurélio Zowie segue o Mundo
Mix, vende em cada evento 100 pares de sapatos e ganha
5.000
reais. "É uma forma de atrair novos clientes
para minha loja", conta ele, que possui um showroom
em São Paulo. A estilista carioca Alessandra
Colassanti, que acumulava uma pilha de dívidas
por causa da competição das vizinhas
sofisticadas em Ipanema, fechou sua butique e vem
mantendo a grife Filha do Rei nas feiras. Todos os
fins de semana, sua barraquinha fica apinhada de jovens,
como a patricinha Thaísa Calvet, 25 anos. Na
última, Thaísa comprou uma blusinha
rosa de 19 reais. "Se fosse de loja, custaria no mínimo
35", diz ela. Alessandra comemora: "Aqui é
varejão mesmo".
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