Edição 1 627 - 8/12/1999

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Camelô fashion

Os mercados de moda alternativa
se espalham pelo Brasil

Roberta Paixão


Oscar Cabral
Babilônia Hype, no Rio: roupas, música e balbúrdia


H
erdeiros das feiras hippies dos anos 70, os mercados alternativos de fim de semana estão proliferando no Brasil. No Rio de Janeiro existem quatro mercados fixos em bairros diferentes da cidade. Em São Paulo, onde começaram a brotar cinco anos atrás, dois deles – o Mercado Mundo Mix, um fim de semana por mês, e o Mambo Bazar, todo sábado e domingo – têm público cativo. O MMM, o maior e mais bem-sucedido do gênero, surgiu em um galpão de fábrica desativado e já virou feira itinerante, que a cada fim de semana desembarca em uma cidade do país. Ao todo, são nove cidades, com 100 expositores em média. Em sua última versão paulistana, três semanas atrás, quem quisesse entrar no galpão do bairro da Barra Funda teria de enfrentar uma fila de dobrar quarteirão.

Os mercados da chamada moda fashion alternativa costumam ser uma loucura. Além de dezenas de barraquinhas de roupas, bijuterias e objetos de decoração, encontram-se lá uma multidão de todas as tribos, música nas alturas e profusão de luzes. No meio da balbúrdia acontecem lançamentos de CDs de novos e de consagrados cantores, campanhas humanitárias e, evidentemente, desfiles de moda. Na porta, enormes drag queens animam os visitantes. Por fim de semana, cerca de 40.000 pessoas passam pelas três maiores feiras do país, Mundo Mix e Mambo, em São Paulo, e Babilônia Feira Hype, no Rio. "Temos preços baixos e charme", diz Jair Mercancini, organizador do MMM, que fatura 45.000 reais por evento só no aluguel das barraquinhas. De tanto fazer e acontecer, os mercados começam a ter problemas. No Rio, os lojistas pediram e o prefeito Luiz Paulo Conde assinou, no início de novembro, um decreto que proíbe as feiras alternativas. Como os alvarás de funcionamento valem até o final de dezembro, elas continuam em cena. "As pessoas que vendem lá não pagam imposto e fazem concorrência desleal, como os camelôs", reclama o presidente do Sindicato dos Lojistas, Sílvio Cunha.

Selmy Yassuda  
Barraca em vez de loja – Diferentemente dos típicos "mercados de pulgas" europeus, as feiras de moda brasileiras só oferecem mercadoria nova, a preços camaradas. São roupas, acessórios, móveis, enfeites e até obras de arte de estilistas e artistas que muitas vezes só têm uma confecção ou ateliê nos fundos de casa. Por um espaço de no máximo 2 metros quadrados, cada expositor paga em média 300 reais pelo fim de semana. As vendas em cada uma das três "grandes" alcançam 200.000 reais no sábado e domingo. O designer de sapatos paulista Marco Aurélio Zowie segue o Mundo Mix, vende em cada evento 100 pares de sapatos e ganha 5.000 reais. "É uma forma de atrair novos clientes para minha loja", conta ele, que possui um showroom em São Paulo. A estilista carioca Alessandra Colassanti, que acumulava uma pilha de dívidas por causa da competição das vizinhas sofisticadas em Ipanema, fechou sua butique e vem mantendo a grife Filha do Rei nas feiras. Todos os fins de semana, sua barraquinha fica apinhada de jovens, como a patricinha Thaísa Calvet, 25 anos. Na última, Thaísa comprou uma blusinha rosa de 19 reais. "Se fosse de loja, custaria no mínimo 35", diz ela. Alessandra comemora: "Aqui é varejão mesmo".