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Por onde
andamos
Pesquisa
genética mostra que o homem também
deixou a África acompanhando
o litoral asiático
Os
primeiros homens que deixaram a África, continente
no qual surgiu o Homo sapiens, seguiram uma
rota já mapeada pelos cientistas nos anos
60. Eles cruzaram a península do Sinai e
se espalharam pela Europa e pela Ásia. Na
semana passada anunciou-se a localização
de um segundo caminho, distante do primeiro. Essa
onda migratória saiu do nordeste da África
há 65.000
anos e seguiu pelo litoral até alcançar
a Índia. Dali, especula-se, cruzou o oceano
e atingiu a Austrália, 15.000
anos mais tarde. Uma novidade é como se chegou
a essa descoberta, revelada num artigo publicado
na prestigiada revista Nature
Genetics:
a análise genética. Um grupo de geneticistas
e matemáticos italianos e alemães
analisou o DNA de habitantes modernos da Índia,
da África, do Tibete e da Mongólia
e encontrou uma assinatura genética
comum. Ou seja, uma seqüência de mutações
genéticas característica de certas
populações, conhecida como haplogrupo
M. Bastante comum em indianos e etíopes,
a assinatura é virtualmente inexistente no
Oriente Médio, por onde passaram outras correntes
migratórias. A pesquisa concluiu que a assinatura
genética surgiu na África Oriental
e de lá migrou em direção à
Ásia.
O
trabalho dos cientistas pode ser a solução
de dois enigmas. O primeiro era genético.
Durante muito tempo se achava que o haplogrupo M
era uma característica de antigas populações
asiáticas. Como, então, explicar sua
difusão entre os etíopes? O segundo
problema era arqueológico e dizia respeito
à chegada do homem à Austrália.
Utilizando a chamada evidência fóssil,
isso é, ossadas, ferramentas e pinturas em
cavernas, os cientistas tinham identificado uma
primeira rota de dispersão para fora da África,
a que cruzou pela península do Sinai em direção
ao Oriente Médio. Acredita-se que tenha sido
usada em dois momentos. O primeiro há 100.000
anos. Acompanhando a expansão dos climas
tropicais, nossos ancestrais deixaram a África
pela primeira vez. Ao que parece, não foram
além do Oriente Médio. Alguns cientistas
acreditam que o resfriamento da região, 30.000
anos depois, os tenha feito retornar à África.
Uma segunda expansão, dessa vez definitiva,
teria ocorrido por volta de 50.000
anos atrás. Seguindo a mesma rota, os homens
percorreram o Oriente Médio em direção
ao norte, dispersando-se em vários sentidos,
atingindo tanto a Europa Ocidental como o interior
da Ásia, aonde chegaram entre 10.000
e 15.000
anos depois. Nessa segunda migração
os homens já possuíam ferramentas
mais aperfeiçoadas e melhores condições
de enfrentar as adversidades de uma jornada tão
longa.
O
problema é que há vestígios
da presença de Homo sapiens na Austrália
datados de 50.000
anos. Ou seja, contemporâneos ao momento em
que a segunda expansão para fora da África
estaria se iniciando pelo Sinai. Para solucionar
a questão, a paleoantropóloga brasileira
Marta Lahr propôs há cinco anos a hipótese
da rota pelo sul da Ásia. O problema era
a falta de um único osso para corroborar
a teoria. A genética trouxe a resposta. No
artigo da Nature,
os autores da pesquisa reconhecem que os resultados
reforçam a hipótese de Marta.
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