Edição 1 627 - 8/12/1999

VEJA esta semana

Brasil
Internacional
Geral
Hotéis bons e baratos na ilha de Fidel
Cientistas descobrem seis novos planetas
O Monte Everest cresceu e se move
A venda de carteira de estudante em Salvador
Ana Moser abandona o vôlei
O fenômeno Dida, que pega pênaltis em profusão
Os 120.000 mergulhadores amadores de nosso litoral
A rota litorânea da África rumo à Ásia
Alerta contra o bronzeamento artificial
Mercados da moda alternativa fazem sucesso
Ecologistas não querem barragens no Terceiro Mundo
Alfabeto mais antigo é encontrado no Egito
As megaproduções para formaturas do colegial
Fauna atrai turistas ao litoral sul da Argentina
A paixão de colecionadores pelos velhos carros
Custam pouco e são bons os espumantes nacionais
Santa Catarina se prepara para uma invasão de turistas
Vista cansada ganha lente descartável
Os primos pobres dos clubbers na periferia
Coleção de verão a preço de ouro
Os saltos das sandálias cresceram
O relevo brasileiro em fotos e textos
Os roteiros esotéricos e místicos
Sabotagem na Embraer
Edmond Safra morre em assalto
A medicina do futuro
Economia e Negócios
Guia
Artes e Espetáculos
Colunas
Roberto Campos
Sérgio Abranches
Diogo Mainardi
Roberto Pompeu de Toledo
Seções
Carta ao leitor
Entrevista
Cartas
Radar
Contexto
Holofote 
Veja essa
Notas internacionais
Hipertexto
Gente
Datas
Cotações

Veja recomenda

Banco de Dados 

Para pesquisar digite uma ou mais palavras no campo abaixo. 


Verão submerso

De norte a sul do país, 120 000 turistas
descobrem as belezas do mergulho amador

Dina Duarte

Imagine aproveitar as férias em companhia de tubarões e golfinhos, nadando entre corais raros e explorando navios que naufragaram na II Guerra. A aventura é possível para qualquer turista em visita à costa brasileira. Munidos de um kit básico, composto de snorkel (aquele tubinho para respirar), máscaras e pé-de-pato, veranistas que nunca haviam mergulhado antes estão descobrindo as profundezas do mar. Dos 8.000 quilômetros de extensão do litoral brasileiro, mais de 90% apresentam boas condições de mergulho. A cada verão, o número de pessoas dispostas a explorar esse território aumenta. Nesta temporada, pelo menos 120.000 turistas conhecerão verdadeiros paraísos submersos, antes só acessíveis aos profissionais do mergulho. O turismo tem sido fator decisivo para a democratização desse esporte. De olho no filão, proliferam os pacotes nas operadoras e agências brasileiras. A maioria oferece mergulhos em profundidade de até 10 metros sem garrafa de oxigênio – os chamados mergulhos livres. As noções básicas de como passear debaixo d'água são dadas em apenas meia hora, já a bordo de barcos e jangadas. O batismo, como é chamada a primeira descida, é acompanhado o tempo todo por um instrutor. A experiência dura cerca de 25 minutos, com direito à observação de peixes e corais coloridos. "Queremos mostrar que o mergulho é bem mais fácil do que parece", explica Fernando Kaltenbach, proprietário e instrutor da Sea Gate, uma das maiores escolas de mergulho do Nordeste, com sede no Recife.


Felipe Goifman
Fernando de Noronha: 21 ilhas com
tartarugas, golfinhos e até tubarões


De norte a sul, o litoral brasileiro conta com ótimos pontos de mergulho para iniciantes. Inclusive perto das cidades. A costa do Recife abriga espécies como arraias, moréias, beijupirás e barracudas. Alagoas não fica atrás. Saindo de Maceió, depois de meia hora de jangada, chega-se a Pedra Verde, belo agrupamento de recifes bem em frente à cidade. Em mergulhos rasos pode-se observar o espetáculo promovido por dezenas de peixinhos coloridos, passeando entre os corais. No Ceará, o Parque Estadual da Pedra do Meio, a quarenta minutos de barco de Fortaleza, tem águas mornas e transparentes, que garantem boa visibilidade. Os litorais do Rio de Janeiro e São Paulo também oferecem recantos bem conservados e de excelente visibilidade. A 180 quilômetros da cidade do Rio, as águas frias do Arraial do Cabo revelam a Gruta Azul, uma caverna submersa, e o navio naufragado
Dona Paula, ambos facilmente atingíveis por mergulhadores de primeira viagem. São também locais perfeitos para observação de peixes, algas e corais. A uma hora da cidade de mesmo nome, a Laje de Santos, em São Paulo, tem mais de 100 espécies de peixes, além de polvos, lagostas, arraias e tartarugas.

Luciano Candisani
Fotos: Kino/Ffotoarquivo
Estrela-do-mar: só em águas limpas Peixe barbeiro: comum em Abrolhos

As áreas de preservação apresentam paisagens mais selvagens e ainda mais deslumbrantes. Abrolhos, na costa baiana, é considerado um dos dez melhores pontos de mergulho do mundo. De julho a novembro, ainda é possível avistar as baleias jubarte, que se acasalam na região. Nenhum desses lugares, no entanto, se equipara a Fernando de Noronha, o arquipélago a 545 quilômetros de Pernambuco. Comparado aos santuários do Pacífico, os melhores pontos do mundo para mergulho, explorar os mares de qualquer uma de suas 21 ilhas é uma experiência inesquecível. As tartarugas gigantescas nadam ao lado dos banhistas. De tão habituados à presença humana, golfinhos rotadores parecem animais domésticos. Nem os tubarões amedrontam. Ali se encontram espécies raras, como a arraia-chita, e muitas lagostas, esponjas e corais.

Coral fogo:
presente em
toda a costa
Tricolor:
espécie da Laje
de Santos

Para quem pretende aventurar-se pelo sul do país, a Ilha de Arvoredo é parada obrigatória. A reserva biológica tem uma característica especial: é uma encruzilhada climática, onde as correntes tropicais se cruzam com as polares. O resultado é uma imensa diversidade de espécies. Além dos peixes tropicais e crustáceos, tartarugas, golfinhos, pingüins e baleias são visitantes eventuais. Seja qual for o roteiro escolhido, a riqueza da fauna e flora marítimas brasileiras impressiona. Em nosso litoral habitam mais de 1 000 espécies de peixes. No Brasil estão localizados os únicos recifes de coral do Atlântico Sul. Das dezessete espécies de coral existentes em nossa costa, sete são endêmicas, ou seja, únicas em todo o mundo. "É uma experiência inesquecível. Não vejo a hora de mergulhar de novo", conta o estudante Bruno César Andrade, "batizado" em novembro na costa pernambucana.