Imagine
aproveitar as férias em companhia de tubarões
e golfinhos, nadando entre corais raros e explorando
navios que naufragaram na II Guerra. A aventura
é possível para qualquer turista em
visita à costa brasileira. Munidos de um
kit básico, composto de snorkel (aquele tubinho
para respirar), máscaras e pé-de-pato,
veranistas que nunca haviam mergulhado antes estão
descobrindo as profundezas do mar. Dos 8.000
quilômetros de extensão do litoral
brasileiro, mais de 90% apresentam boas condições
de mergulho. A cada verão, o número
de pessoas dispostas a explorar esse território
aumenta. Nesta temporada, pelo menos 120.000
turistas conhecerão verdadeiros paraísos
submersos, antes só acessíveis aos
profissionais do mergulho. O turismo tem sido fator
decisivo para a democratização desse
esporte. De olho no filão, proliferam os
pacotes nas operadoras e agências brasileiras.
A maioria oferece mergulhos em profundidade de até
10 metros sem garrafa de oxigênio os
chamados mergulhos livres. As noções
básicas de como passear debaixo d'água
são dadas em apenas meia hora, já
a bordo de barcos e jangadas. O batismo, como é
chamada a primeira descida, é acompanhado
o tempo todo por um instrutor. A experiência
dura cerca de 25 minutos, com direito à observação
de peixes e corais coloridos. "Queremos mostrar
que o mergulho é bem mais fácil do
que parece", explica Fernando Kaltenbach, proprietário
e instrutor da Sea Gate, uma das maiores escolas
de mergulho do Nordeste, com sede no Recife.
Felipe Goifman
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Fernando
de Noronha:
21 ilhas
com
tartarugas,
golfinhos
e até
tubarões
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De norte a sul, o litoral brasileiro conta com ótimos
pontos de mergulho para iniciantes. Inclusive perto
das cidades. A costa do Recife abriga espécies
como arraias, moréias, beijupirás
e barracudas. Alagoas não fica atrás.
Saindo de Maceió, depois de meia hora de
jangada, chega-se a Pedra Verde, belo agrupamento
de recifes bem em frente à cidade. Em mergulhos
rasos pode-se observar o espetáculo promovido
por dezenas de peixinhos coloridos, passeando entre
os corais. No Ceará, o Parque Estadual da
Pedra do Meio, a quarenta minutos de barco de Fortaleza,
tem águas mornas e transparentes, que garantem
boa visibilidade. Os litorais do Rio de Janeiro
e São Paulo também oferecem recantos
bem conservados e de excelente visibilidade. A 180
quilômetros da cidade do Rio, as águas
frias do Arraial do Cabo revelam a Gruta Azul, uma
caverna submersa, e o navio naufragado Dona
Paula,
ambos facilmente atingíveis por mergulhadores
de primeira viagem. São também locais
perfeitos para observação de peixes,
algas e corais. A uma hora da cidade de mesmo nome,
a Laje de Santos, em São Paulo, tem mais
de 100 espécies de peixes, além de
polvos, lagostas, arraias e tartarugas.
Luciano Candisani
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Fotos: Kino/Ffotoarquivo
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| Estrela-do-mar:
só em águas limpas
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Peixe
barbeiro: comum em Abrolhos |
As
áreas de preservação apresentam
paisagens mais selvagens e ainda mais deslumbrantes.
Abrolhos, na costa baiana, é considerado
um dos dez melhores pontos de mergulho do mundo.
De julho a novembro, ainda é possível
avistar as baleias jubarte, que se acasalam na região.
Nenhum desses lugares, no entanto, se equipara a
Fernando de Noronha, o arquipélago a 545
quilômetros de Pernambuco. Comparado aos santuários
do Pacífico, os melhores pontos do mundo
para mergulho, explorar os mares de qualquer uma
de suas 21 ilhas é uma experiência
inesquecível. As tartarugas gigantescas nadam
ao lado dos banhistas. De tão habituados
à presença humana, golfinhos rotadores
parecem animais domésticos. Nem
os tubarões amedrontam. Ali se encontram
espécies raras, como a arraia-chita, e muitas
lagostas, esponjas e corais.
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Coral
fogo:
presente em
toda a costa
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Tricolor:
espécie da Laje
de Santos |
Para
quem pretende aventurar-se pelo sul do país,
a Ilha de Arvoredo é parada obrigatória.
A reserva biológica tem uma característica
especial: é uma encruzilhada climática,
onde as correntes tropicais se cruzam com as polares.
O resultado é uma imensa diversidade de espécies.
Além dos peixes tropicais e crustáceos,
tartarugas, golfinhos, pingüins e baleias são
visitantes eventuais. Seja qual for o roteiro escolhido,
a riqueza da fauna e flora marítimas brasileiras
impressiona. Em nosso litoral habitam mais de 1
000 espécies de peixes. No Brasil estão
localizados os únicos recifes de coral do
Atlântico Sul. Das dezessete espécies
de coral existentes em nossa costa, sete são
endêmicas, ou seja, únicas em todo
o mundo. "É uma experiência inesquecível.
Não vejo a hora de mergulhar de novo", conta
o estudante Bruno César Andrade, "batizado"
em novembro na costa pernambucana.