Mutreta
baiana
Em
Salvador, qualquer um
tira carteira de estudante
Edson Ruiz
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Teatro
Castro Alves
e carteira da
Ueses: ingressos
mais
caros
para compensar
falcatrua
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As
carteiras de estudante foram criadas para que crianças
e jovens tenham acesso barato a espetáculos
de entretenimento e cultura. De posse do documento,
alunos de escolas e universidades têm desconto
de 50% em cinemas, teatros e casas de show. Em Salvador,
esse direito está sendo corrompido. Estima-se
que existam, na capital baiana, cerca de 100.000
carteiras de estudantes nas mãos de quem
há muito não senta diante de um quadro-negro.
Em todo o país, a média de ingressos
vendidos para estudantes em shows musicais é
de 20%. Em Salvador, pula para 80%. A bagunça
na emissão de carteiras está começando
a tirar a cidade do roteiro dos artistas mais badalados.
O cantor Chico Buarque cancelou a apresentação
que faria em outubro no Teatro Castro Alves. "A
praça de Salvador está desmoralizada",
diz Ieda Almeida, sócia da produtora que
estava preparando a visita de Chico à cidade.
"Tivemos de cancelar o show, pois teríamos
de cobrar 160 reais pelo ingresso para ter lucro."
Os
cinemas e teatros de Salvador são obrigados
por força de uma lei estadual e de um decreto
municipal a aceitar carteiras de estudante emitidas
por quatro entidades estudantis. Enquanto três
delas expediram juntas 80.000
carteiras neste ano, a União dos Estudantes
Secundaristas de Salvador, Ueses, emitiu sozinha 200.000.
O sucesso de público da Ueses não se
deve ao carisma de nenhum líder estudantil.
As outras entidades exigem comprovante de matrícula
para a confecção do documento, ao passo
que a Ueses vende por 4 reais carteiras em branco
para terceiros, que as repassam a quem quiser comprar,
por 7 reais. Hoje, tira-se carteira de estudante em
Salvador até em quiosque de chaveiro.