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Planetas
em penca
Descobertos
seis corpos celestes
em constelações distantes anos-luz
da Terra
Em
uma só tacada, astrônomos americanos
aumentaram em 25% o número de planetas extra-solares
conhecidos. Na semana passada, uma equipe de astrônomos
de três universidades americanas e inglesas
anunciou a descoberta de seis planetas fora do sistema
solar. Eles orbitam em torno de estrelas semelhantes
ao nosso Sol em seis diferentes e distantes constelações.
São agora 28 planetas catalogados, 24 dos
quais descobertos pelo mesmo time de astrônomos.
Todos os novos planetas têm padrão
de massa e tamanho comparáveis aos de Júpiter,
o maior de nosso sistema solar. A composição
é basicamente a mesma: hélio e hidrogênio.
O que chama a atenção é o fato
de que cinco desses planetas orbitam entre 83 milhões
e 345 milhões de quilômetros de seu
respectivo sol. É a posição
ideal para a existência de água e talvez
de alguma forma de vida, mesmo que sejam primitivas
bactérias. A maior parte dos demais planetas
extra-solares está muito perto ou muito longe
de suas estrelas, o que significa temperaturas extremamente
quentes ou frias. Isso torna impossível a
existência de água na forma líquida.
E, portanto, elimina a possibilidade de vida do
jeito que nós a conhecemos.
Os
planetas foram descobertos a partir de observações
feitas nos últimos três anos no Observatório
Keck, no Havaí. As pesquisas fazem parte
de um programa da agência espacial americana,
a Nasa, que investiga 500 estrelas. Ainda não
batizados, os corpos são identificados pelos
nomes das estrelas que orbitam: HD 10697 na constelação
de Peixes; HD 37124, em Touro; HD 134987, em Libra;
HD 177830, de Vulpecula; HD 192263, em Aquila; e
HD 2222582, em Aquário. Mesmo que a natureza
gasosa desses astros seja um empecilho natural à
vida, os astrônomos acreditam que eles possam
ter luas sólidas, bem mais acolhedoras. A
inspiração vem de nosso próprio
sistema, cujos gigantes Saturno e Júpiter
possuem, respectivamente, dezoito e dezesseis luas.
Duas
delas, pela avaliação da Nasa, teriam
condições de abrigar vida em nosso
próprio sistema solar.
Até
cinco anos atrás, os cientistas achavam que
a existência de planetas gigantes devia ser
muito rara. Hoje, estão se revelando a regra.
Mesmo assim, com todo o seu tamanho, até
2.020
vezes maiores que a Terra, não podem ser
diretamente vistos nem mesmo por potentes telescópios.
Eles não emitem luz, e a distância
não permite que a luz da estrela refletida
sobre a superfície deles chegue até
nós. Para constatar a existência desses
corpos siderais, os cientistas recorrem a métodos
indiretos. A técnica mais moderna se baseia
na influência da gravidade do planeta sobre
a luz que sua estrela emite. Da mesma maneira que
são atraídos pelas estrelas, os planetas
as atraem, como se fosse um cabo-de-guerra. Isso
faz com que as estrelas descrevam pequenos círculos,
que acompanham a órbita do satélite.
À medida que se movimentam, o espectro da
luz que emitem sofre uma variação
muito sutil, mas detectável pelos instrumentos
terrestres. É por meio dessa variação
que os cientistas identificam a presença
de um "companheiro" nas proximidades do astro. Alguns
críticos desse método argumentavam
que a variação poderia ser um fenômeno
ligado à própria natureza da estrela,
e que talvez não existisse nenhum planeta
extra-solar.
Há
apenas três semanas os cientistas obtiveram
a confirmação de que o método
realmente funciona. Uma observação
telescópica flagrou um eclipse causado por
um planeta que orbita a estrela HD 209458, na constelação
de Pégaso. Esse eclipse havia sido previsto
pela mesma equipe que anunciou a descoberta dos
seis planetas e foi considerado a comprovação
definitiva de que o sistema indireto realmente funciona.
Devido a isso, o anúncio dos novos planetas
foi recebido sem as polêmicas que costumavam
acompanhar cada descoberta do grupo anglo-americano.
A especulação agora é se as
estrelas HD 217107 e HD 187123, junto às
quais se encontraram planetas, serão ou não
o centro de uma espécie de sistema solar,
semelhante ao identificado no início do ano
na estrela de Upsilon Andrômeda. "Vamos levar
ainda alguns anos para calcular a massa e a órbita
desses outros planetas", diz o astrônomo Steven
Vogt, membro do grupo. "Mas tudo indica que devem
existir inúmeras formações
do tipo sistema solar espalhadas pelo espaço."
Encontrar
planetas fora de nosso sistema solar é um sonho
antigo dos astrônomos que só se tornou
realidade nos últimos anos. Sempre se acreditou
que pudessem existir sistemas extra-solares, mas faltavam
provas. O raciocínio que levava a essa suposição
era simples. O sol de nosso sistema é uma estrela
absolutamente comum estima-se que só na
Via Láctea existam 65 bilhões de astros
similares. Pelo menos algumas delas deveriam possuir
corpos celestes orbitando a seu redor. Curiosamente,
a pesquisa de planetas extra-solares tem mostrado
que nosso sistema é mais especial do que pensávamos.
Até agora, a maior parte dos planetas encontrados
percorre órbitas ovaladas e estranhas, enquanto
a Terra e seus vizinhos descrevem círculos
quase perfeitos ao redor do Sol. Outra diferença
importante é o período orbital, que
é o tempo que um planeta demora para completar
uma volta. Enquanto Mercúrio leva 88 dias para
dar seu giro completo em torno do Sol, lá fora
há planetas que fazem o mesmo em três
dias e meio.
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