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Sol barato
em Cuba
Com
bons hotéis e preços em conta, a ilha
oferece oportunidade de ver outro mundo
Juliana
De Mari
Ronaldo Ribeiro
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Cuba: 300 praias de areias brancas
e mar cristalino |
Quem
deixou para programar a viagem de réveillon
na última hora pode voltar a sonhar com as
paisagens paradisíacas do Caribe. Dessa vez,
porém, a mistura explosiva de sol e tequila
passa longe da badalação de Cancún,
Aruba ou das Bahamas. A oportunidade, quem diria,
é Cuba. É possível encontrar
um pacote para o Ano-Novo na ensolarada ilha de
Fidel Castro por 965 dólares por pessoa,
enquanto para outros balneários caribenhos
a tarifa chega a quase 5.000
dólares. Cuba tem a seu favor mais de 300
praias de areia branca e mar cristalino e infra-estrutura
hoteleira com resorts de nível internacional.
O charme adicional da visita a Cuba fica por conta
da condição insólita do país
um derradeiro dinossauro comunista, arredio
a reformas econômicas e à abertura
política, mas que ninguém sabe até
quando resistirá.
A
temporada de fim de ano em Cuba reserva várias
tentações. A primeira é a queda
em bloco das tarifas nos hotéis do país.
A hotelaria cubana, que normalmente já é
a mais barata do Caribe, resolveu caprichar nos
descontos. Ressabiada com os encalhes nos quatro
cantos do mundo, cortou as diárias em até
30% bem antes da febre de descontos que começa
a pipocar no Brasil, nos Estados Unidos e na Europa.
Outra boa notícia é que, ditadura
à parte, o investimento de cadeias internacionais
em acomodações de luxo no país
nunca esteve tão acelerado. Nos últimos
dois anos, foram inaugurados treze hotéis
de quatro e cinco estrelas. A maior parte deles
na península de Varadero, a 140 quilômetros
de Havana, onde estão as praias mais cobiçadas
da ilha. À beira-mar de Varadero o turista
pode hospedar-se num legítimo Club Med. Comparado
aos que funcionam no Brasil em Itaparica, na
Bahia, e Rio das Pedras, no Rio de Janeiro , leva
enorme vantagem no quesito preço. Em Cuba,
o réveillon no resort sai por 1.498
dólares por pessoa. Na Bahia, 4.436
reais.
O
que transformou Cuba na meca do turismo barato é
a fragilidade da economia pós-União
Soviética. Fidel Castro faz qualquer negócio
para atrair turistas e levantar alguns trocados
em moeda forte. O país entrou em colapso
em 1993, depois que a Rússia, livre do comunismo,
cortou a mesada que sustentava o regime. Fidel reagiu
com uma discreta abertura ao capital estrangeiro
e a economia dá sinais de recuperação,
sobretudo graças ao turismo. Mas está
longe de saudável. Cuba atraiu menos de 3
bilhões de dólares de investimentos
estrangeiros nos anos 90 e a culpa é
inteiramente do ditador, visceralmente contra maior
abertura ao capital privado. Hotéis luxuosos
a preços convidativos são o remédio
à mão para reforçar o caixa.
De 1987 até o ano passado, o número
de visitantes cresceu cerca de cinco vezes e a quantidade
de dinheiro deixada no país por toda essa
gente, quase dez (veja
quadro abaixo).
A grande aposta de Havana, no momento, é
no fim do embargo comercial imposto pelos Estados
Unidos. Pela primeira vez em quase quatro décadas,
há sinais sólidos de que Washington
pode mudar de política.

Um
número significativo de gente importante
tem-se manifestado por mudanças e o movimento
antiembargo atingiu uma solidez sem precedente.
Longe de ser obra de esquerdistas de plantão,
é tocado por empresários e políticos
interessados em ganhar dinheiro e, se possível,
dar uma mãozinha à democracia na ilha.
O raciocínio é de que o momento é
propício para invadir novamente Cuba, mas
desta vez não com um exército de exilados,
e sim com produtos que povoam os sonhos dos cubanos
comuns: tênis da moda, MTV e McDonald's. Se
os americanos fazem bons negócios com velhos
inimigos, como a China e a Rússia, por que
não com Cuba? Melhores relações
comerciais são uma oportunidade única
para ambos os lados. É bom negócio
para os Estados Unidos, porque, apesar de sua pobreza,
Cuba precisa comprar de tudo um pouco. É
bom negócio para os cubanos, porque seu país
está a apenas meia hora de vôo de Miami
e poderá receber um fluxo enorme de turistas
e capital americanos.
Pela
manutenção do embargo está
o poderoso lobby de exilados cubanos instalados
em Miami e, de certa forma, o próprio regime
cubano, temeroso dos efeitos do desembarque massivo
de americanos. Cuba está longe de ser lugar
acolhedor para negócios, como alguns países
que se livraram do comunismo. Investidores espanhóis
e canadenses na ilha vivem ensandecidos com os excessos
da burocracia socialista. Também não
se pode esperar demais da capacidade de consumo
do trabalhador cubano, que sobrevive com um salário
mensal médio equivalente a 15 dólares.
É verdade que tudo isso pode mudar rapidamente,
se Fidel permitir. Uma tímida liberação
dos pequenos negócios, por exemplo, encheu
o país de pizzarias e outros empreendimentos
individuais.
O
que os pacotes rumo à ilha têm de especial
é justamente o contraste entre as novíssimas
regalias oferecidas aos que chegam e a atmosfera de
país parado no tempo que marca a vida de seus
11 milhões de habitantes. Num passeio pela
capital, Havana, patrimônio histórico
da humanidade, o turista depara numa esquina com aqueles
carrões dos anos 50, que desfilam em avenidas
margeadas por edifícios caindo aos pedaços,
e, na outra, com a efervescência de botequins
lotados de turistas dançando salsa tocada ao
vivo. Por isso mesmo, quem viaja para Cuba deve levar
na bagagem, além dos trajes de praia, uma boa
dose de tolerância. As dificuldades podem ser
sentidas na precariedade das ruas, na falta de produtos
nas prateleiras ou no número reduzido de restaurantes
espalhados pela ilha. Talvez esteja aí o grande
glamour da viagem: a sensação de estar
num lugar hoje ainda mais diferente de qualquer outro
do mundo. É ver antes que acabe.
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