Edição 1883 . 8 de dezembro de 2004

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DVDs

 
Divulgação
Disque M: acréscimos bem-vindos à obra de Hitchcock nas locadoras

Coleção Alfred Hitchcock (Warner) – Grace Kelly acha que enganou o marido e se safou. Surpresa: ele está planejando o assassinato dela. E, caso o esquema dê errado, ele já tem um plano B, quase tão perverso quanto o primeiro. Disque M para Matar, de 1954, é uma das estrelas dessa caixa com cinco filmes – um bem-vindo acréscimo à já bem representada obra de Alfred Hitchcock. Mais um destaque é o magnífico O Homem Errado, com Henry Fonda e Vera Miles, que como o título indica trata do caso (verídico) de um sujeito obrigado a pagar por um crime que não cometeu. Os outros três filmes da coleção – Suspeita, Pavor nos Bastidores e A Tortura do Silêncio – são geralmente tidos como trabalhos "menores" do mestre do suspense. O que significa que são mais inteligentes e interessantes do que quase tudo o mais que houver nas prateleiras da videolocadora.

AFP
Chet Baker: do patético ao sublime


Live at Ronnie Scott's,
Chet Baker (Indie) – O trompetista americano Chet Baker (1929-1988) foi um grande talento do jazz. Na vida pessoal, no entanto, era uma figura atormentada. Usuário de drogas pesadas, Baker aos poucos deixou a música em segundo plano por causa do vício e morreu de forma deprimente, ao cair da janela de um quarto de hotel. Suas apresentações ao vivo variavam do patético ao sublime, conforme seu estado. Live at Ronnie Scott's é um registro sublime. Gravado em 1986, ele traz Baker ao lado de convidados especiais, interpretando clássicos do jazz e do blues. O destaque vai para o dueto com o irlandês Van Morrison em Send in the Clowns. Como extra, o DVD traz uma entrevista do músico dada ao roqueiro Elvis Costello.

 

TELEVISÃO

UIP/Jamie Hughes
Scorsese: a história do blues


The Blues
(Estados Unidos, 2003; sextas-feiras, à 0h, e domingos, às 16h30, no GNT) – Produzida pelo cineasta Martin Scorsese, a série é um inventário fascinante sobre a história do blues. Retoma as raízes africanas do gênero, os pioneiros nos Estados Unidos e sua exportação para a Inglaterra, onde foi adotado por artistas como Eric Clapton e os Rolling Stones. Scorsese dirigiu o capítulo de estréia, em que o bluesman americano Corey Harris se encontra com músicos da África, e delegou os seis episódios restantes para diretores tarimbados como Wim Wenders, Mike Figgs e Clint Eastwood. É deste último o capítulo mais emocionante do documentário, que traz apresentações de Art Tatum, Ray Charles e Nat King Cole, entre outros grandes pianistas. Veja cenas.

 

DISCO

Astronaut, Duran Duran (Sony Music) – Nos anos 80, os ingleses do Duran Duran foram os mais bem-sucedidos representantes do estilo "new romantic". Com rostos fotogênicos, roupas chiques e clipes gravados em países exóticos, eles eram a imagem da sofisticação no pop. Depois de vinte anos, o grupo volta a lançar um disco com sua formação original. Nas fotos de divulgação de Astronaut, dá para notar que a idade já pesa na barriguinha do vocalista Simon LeBon e companhia. Mas isso não afetou em nada o som da banda. De carona na onda revivalista dos anos 80, eles retomaram suas raízes – com ótimo resultado. O disco está repleto de faixas talhadas para o sucesso, como a música (Reach Up) For the Sunrise – que lembra Girls on Film, o primeiro hit do quinteto – e a sacolejante Want You More.

 

LIVROS

Cadernos de Literatura Brasileira – Clarice Lispector (Instituto Moreira Salles; 344 páginas; 80 reais) – Nascida na Ucrânia e educada no Brasil, Clarice Lispector (1920-1977) é autora de títulos fundamentais da literatura nacional, como Perto do Coração Selvagem e A Paixão segundo G.H. Cadernos de Literatura Brasileira rende homenagem à escritora com um extensivo dossiê sobre sua vida e obra. Traz ensaios de críticos como Benedito Nunes e Silviano Santiago e depoimentos do economista Paulo Gurgel Valente – filho de Clarice – e do poeta Ferreira Gullar, entre outros. Há também reproduções de manuscritos da escritora e uma seção com depoimentos seus à imprensa. Um presente e tanto para os fãs de Clarice.

Latitudes Azuis, de Tony Horwitz (tradução de Ana Deiró; Rocco; 480 páginas; 56 reais) – O capitão inglês James Cook (1728-1779) foi o derradeiro herói das grandes navegações. Explorou o Pacífico e a Antártica, a costa do Canadá e o Estreito de Bering. Em um misto de relato histórico, biografia e livro de aventuras, o jornalista Tony Horwitz reconstitui as explorações de Cook até sua morte, no Havaí, em um confronto com os nativos. Além de ter realizado uma extensa pesquisa histórica sobre a vida de Cook, Horwitz também refez parte de suas viagens a bordo da réplica de um dos navios do legendário navegador. Assim, há um saboroso contraponto entre os fatos históricos e os personagens que o autor descobriu, nos dias de hoje, nas ilhas do Pacífico visitadas por Cook.

Reconhecimento de Padrões, de William Gibson (tradução de Fábio Fernandes; Aleph; 416 páginas; 46 reais) – William Gibson é o inventor do cyberpunk, gênero que, ao combinar informática e tramas violentas, se tornou a vertente mais pop da ficção científica. O escritor americano consagrou-se como um criador de histórias futuristas com o romance Neuromancer (1984). Embora seja seu primeiro livro ambientado no presente, Reconhecimento de Padrões ainda guarda forte teor futurista, com sua trama povoada por criminosos tecnológicos que se deslocam entre Londres, Tóquio e Moscou. Cayce Pollard, a heroína, é uma espécie de profetisa do espaço virtual: ganha a vida antecipando tendências de consumo na internet. Leia trecho.

 

 

Fontes: São Paulo: Cultura, Laselva, Saraiva, Livraria da Vila, Siciliano, Nobel; Rio: Saraiva, Laselva, Sodiler, Siciliano, Travessa; Porto Alegre: Saraiva, Siciliano, Livraria Porto Alegre, Cultura, Livrarias Porto; Brasília: Sodiler, Siciliano, Saraiva, Leitura; Recife: Sodiler, Saraiva, Siciliano, Cultura; Natal: Sodiler; Florianópolis: Siciliano, Livrarias Catarinenses; Goiânia: Siciliano, Saraiva, Leitura; Fortaleza: Siciliano, Laselva; Salvador: Siciliano; Curitiba: Siciliano, Saraiva, Livrarias Curitiba; Londrina: Livrarias Porto; Belo Horizonte: Siciliano, Leitura; Maceió: Sodiler; Belém: Clio; Vitória: Leitura; internet: Cultura, Laselva, Saraiva, Siciliano, Sodiler, Submarino, Nobel.
 
 
 
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