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Conjuntura
O campo em 2005
Nuvens turvam o horizonte do
agronegócio, setor que deu início
à atual fase de expansão da economia

José Edward
AP
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TENDÊNCIA
PARA BAIXO
Operadores da Bolsa de Chicago, onde os preços
dos contratos futuros de produtos agrícolas do mundo
inteiro são negociados. Os produtores brasileiros de
soja trabalham com a perspectiva de queda no valor da commodity
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Nos últimos dez anos, o agronegócio
funcionou como o fiel da balança comercial e o principal
motor da economia nacional, responsável por 40% das exportações
e 37% dos empregos. Depois desses resultados excepcionais, no entanto,
o agronegócio dá sinais de que está entrando
num ciclo de estagnação. Devido à quebra da
safra de soja no Brasil e a uma conjuntura internacional adversa,
o crescimento da agropecuária deverá ficar em torno
de 2,5% a metade do crescimento previsto para a economia
brasileira.
Segundo analistas, dos vários fatores
que ameaçam o desempenho do setor em 2005, alguns estão
fora do raio de ação do governo e dos produtores
como a queda no preço internacional da soja. Mas há
muito que se pode fazer para impedir um retrocesso no agronegócio
que poderia ser fatal para o resto da economia.
Muitos entraves são conjunturais e
podem ser revertidos de uma safra para outra. No caso da soja, as
perspectivas de curto prazo tornaram-se sombrias por causa da supersafra
americana, depois de três anos de quebras sucessivas nos EUA.
Com a possibilidade de recomposição dos estoques mundiais,
que estavam em níveis muito baixos, a cotação
do produto despencou no mercado internacional. Isso significa que
o Brasil passou a ganhar menos pelos mesmos volumes de soja exportados.
Para piorar a situação, a desvalorização
do dólar ocorrida nos últimos meses reduziu ainda
mais a renda dos agricultores que atuam no mercado externo. Além
disso, os insumos agrícolas encareceram. Os custos das lavouras
aumentaram em torno de 20%, sobretudo devido à alta nos preços
do petróleo e do aço matérias-primas
de fertilizantes e máquinas agrícolas, respectivamente.
"Teremos um universo desagradável para os principais produtos
agrícolas nos próximos anos", admite o ministro da
Agricultura, Roberto Rodrigues.
O mais preocupante nesse cenário é
que o país não consegue mudar para melhor os fatores
que ele controla. São os problemas estruturais que anulam
a competitividade alcançada nos últimos anos pelos
produtores nacionais, por meio do uso intensivo de tecnologia nas
lavouras. Para o transporte da produção até
o cais e dali para outros países, por exemplo, os custos
no Brasil são cerca de três vezes mais altos que os
verificados nos Estados Unidos. Os problemas começam nas
rodovias precárias, passam pelas ferrovias defasadas e pela
falta de armazéns e desembocam na ineficiência dos
portos e até na falta de contêineres e navios. A única
solução disponível para desatar esse nó
o projeto que regulamenta investimentos privados nesses setores
está emperrada há vários meses no Congresso
Nacional. Os produtores têm ainda de enfrentar o mau humor
dos ambientalistas e de militantes do MST, cujas ações
radicais encontram respaldo em setores do governo federal. Decisões
para mudar esse quadro estão no raio de ação
do governo. É vital que elas sejam tomadas.
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