Edição 1883 . 8 de dezembro de 2004

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Conjuntura
O campo em 2005

Nuvens turvam o horizonte do
agronegócio, setor que deu início
à atual fase de expansão da economia


José Edward


AP
TENDÊNCIA PARA BAIXO
Operadores da Bolsa de Chicago, onde os preços dos contratos futuros de produtos agrícolas do mundo inteiro são negociados. Os produtores brasileiros de soja trabalham com a perspectiva de queda no valor da commodity

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NESTA EDIÇÃO
A volta dos empregos
A economia comanda a política

Nos últimos dez anos, o agronegócio funcionou como o fiel da balança comercial e o principal motor da economia nacional, responsável por 40% das exportações e 37% dos empregos. Depois desses resultados excepcionais, no entanto, o agronegócio dá sinais de que está entrando num ciclo de estagnação. Devido à quebra da safra de soja no Brasil e a uma conjuntura internacional adversa, o crescimento da agropecuária deverá ficar em torno de 2,5% – a metade do crescimento previsto para a economia brasileira.

Segundo analistas, dos vários fatores que ameaçam o desempenho do setor em 2005, alguns estão fora do raio de ação do governo e dos produtores – como a queda no preço internacional da soja. Mas há muito que se pode fazer para impedir um retrocesso no agronegócio que poderia ser fatal para o resto da economia.

Muitos entraves são conjunturais e podem ser revertidos de uma safra para outra. No caso da soja, as perspectivas de curto prazo tornaram-se sombrias por causa da supersafra americana, depois de três anos de quebras sucessivas nos EUA. Com a possibilidade de recomposição dos estoques mundiais, que estavam em níveis muito baixos, a cotação do produto despencou no mercado internacional. Isso significa que o Brasil passou a ganhar menos pelos mesmos volumes de soja exportados. Para piorar a situação, a desvalorização do dólar ocorrida nos últimos meses reduziu ainda mais a renda dos agricultores que atuam no mercado externo. Além disso, os insumos agrícolas encareceram. Os custos das lavouras aumentaram em torno de 20%, sobretudo devido à alta nos preços do petróleo e do aço – matérias-primas de fertilizantes e máquinas agrícolas, respectivamente. "Teremos um universo desagradável para os principais produtos agrícolas nos próximos anos", admite o ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues.

O mais preocupante nesse cenário é que o país não consegue mudar para melhor os fatores que ele controla. São os problemas estruturais que anulam a competitividade alcançada nos últimos anos pelos produtores nacionais, por meio do uso intensivo de tecnologia nas lavouras. Para o transporte da produção até o cais e dali para outros países, por exemplo, os custos no Brasil são cerca de três vezes mais altos que os verificados nos Estados Unidos. Os problemas começam nas rodovias precárias, passam pelas ferrovias defasadas e pela falta de armazéns e desembocam na ineficiência dos portos e até na falta de contêineres e navios. A única solução disponível para desatar esse nó – o projeto que regulamenta investimentos privados nesses setores – está emperrada há vários meses no Congresso Nacional. Os produtores têm ainda de enfrentar o mau humor dos ambientalistas e de militantes do MST, cujas ações radicais encontram respaldo em setores do governo federal. Decisões para mudar esse quadro estão no raio de ação do governo. É vital que elas sejam tomadas.

 
 
 
 
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