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Raphael
Falavigna
 | MARIA
BEATRIZ ARMELIN PETRONI Advogada Especialista
em direito internacional, Maria Beatriz coordena desde julho a área jurídica
da Coimex, exportadora de produtos agrícolas. Aos 31 anos,
ela fez mestrado na London
School of Economics, na Inglaterra, e pós-graduação
na Fundação Getulio Vargas
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Nos últimos dez anos, a exigência de qualificação profissional
causou uma revolução nas universidades. No Brasil, há 427
cursos de graduação que preparam profissionais para atuar na área
de comércio exterior. Em 1970, havia apenas um. A maior parte das vagas
foi criada em 2000, quando o MEC autorizou a abertura de 76 novos cursos. De lá
para cá, outros 179 foram abertos. Nesse mercado cada vez mais competitivo,
aumenta a necessidade da especialização, um dos pontos captados
pela pesquisa de VEJA.
Como era de esperar de uma economia com setores dinâmicos, no Brasil as
oportunidades de emprego não se resumem aos grandes centros. "Um dos três
fenômenos da atualidade que mais movimentam o mercado de trabalho é
o sucesso do agronegócio", afirma Sofia Esteves do Amaral, sócia-diretora
da empresa de headhunter Cia. de Talentos, de São Paulo. Apesar da previsão
de diminuição do ritmo de crescimento do setor, a expectativa é
que a demanda por agrônomos se mantenha entre as maiores. "Os outros dois
fenômenos são o boom da indústria siderúrgica e a consolidação
dos medicamentos genéricos", completa Sofia. O crescimento econômico
pegou muitas empresas e profissionais de surpresa. Diz Sofia: "Existem mais vagas
para agrônomos, engenheiros metalúrgicos e químicos do que
as universidades e o mercado conseguiram formar com qualidade".
Nélio
Rodrigues/1º Plano
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ALEXANDRE LITWINSKI Presidente
da MasterMaq Alexandre
é a prova de que dá para vencer fora das grandes companhias. Entrou
numa pequena empresa de software de Belo Horizonte há nove anos como programador
júnior. Em janeiro, chegou à presidência da MasterMaq
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Mas também há vida fora das grandes empresas. Uma quantidade crescente
de profissionais está mostrando interesse em lançar o próprio
negócio. Neste ano, o Sebrae recebeu número recorde de inscritos
para o seu jogo virtual cujo desafio é administrar uma empresa e alcançar
o faturamento ideal. "É uma espécie de termômetro para medir
o interesse das pessoas", afirma Gustavo Morelli, gerente de estratégia
do Sebrae. As motivações vão da perda do emprego à
conclusão de que arriscar é a melhor opção. Diz Marília
Rocca, da Empreender Endeavor, a ONG que promove a cultura empreendedora: "Nas
palestras que faço em escolas e universidades, muitos pais se mostram desesperados
com o futuro dos filhos, mas acabam percebendo que incentivá-los a abrir
o próprio negócio é uma alternativa a ser levada em conta".
A reativação
econômica com crescimento e austeridade melhora o ambiente de negócios
no país, abrindo oportunidades também para quem não busca
apenas uma vaga em uma empresa. Atividades que ganharam status nos últimos
anos permitem a ascensão de quem preferiu sair do mercado de trabalho convencional.
Na área gastronômica, o cozinheiro se transformou em chef e passou
a ser a grande estrela de restaurantes. O número de estilistas cresceu
com o sucesso das roupas brasileiras no exterior. De jóias a móveis,
o mercado se abriu para quem cria e produz em pequena escala. A preocupação
com o verde no meio empresarial abriu espaço para consultorias de gestão
ambiental. Há vários outros exemplos. Para milhares de estudantes,
os call centers estão servindo como uma alternativa que possibilita conciliar
o trabalho com a escola ou a universidade. Apenas neste ano, 55.000 vagas foram
criadas. Ao todo, já é meio milhão de pessoas trabalhando
em serviços de suporte técnico, que requerem mão-de-obra
mais especializada, e de televendas.
Marco
Pinto
 | JULIANA
LLUSSA Arquiteta A
escolha de Juliana prova que a atividade de designer de móveis ganhou status
nos últimos dez anos. Depois de um estágio na Steelcase, empresa
americana de móveis, a arquiteta preferiu montar o próprio negócio
de marcenaria. Neste ano ela abriu a primeira loja em São Paulo
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A recuperação da economia e a retomada do emprego, no entanto, trazem
consigo uma ameaça. É a acomodação que podem provocar
no governo e no Congresso. Parte das leis trabalhistas no Brasil data do início
da década de 40 do século passado, quando não se sabia que
lado venceria a II Guerra Mundial e a idéia de uma rede internacional de
computadores não era nem assunto de obra de ficção científica.
Dos felizardos que festejarão empregados a passagem deste ano para 2005,
apenas 39% têm carteira assinada. O restante está condenado à
economia informal, sem garantia nem de férias. As leis no Brasil garantem
todos os direitos a alguns e impedem que a maioria tenha benefícios mínimos.
Mudar isso é um trabalho para a classe política. É a garantia
de que a recuperação esboçada neste fim de 2004 se prolongue
pelos próximos anos, saldando o enorme déficit de empregos que ainda
é um calvário para milhões de brasileiros.
Com reportagem de
Carlos Rydlewski, Carina Nucci e Leandro Beguoci |