Edição 1883 . 8 de dezembro de 2004

Índice
Claudio de Moura Castro
Gustavo Franco
Millôr
Diogo Mainardi
Tales Alvarenga
André Petry
Roberto Pompeu de Toledo
Carta ao leitor
Entrevista
Cartas
Radar
Holofote
Contexto
Veja essa
Gente
Datas
VEJA Recomenda
Os livros mais vendidos
 
 
Raphael Falavigna
MARIA BEATRIZ ARMELIN PETRONI
Advogada
Especialista em direito internacional, Maria Beatriz coordena desde julho a área jurídica da Coimex, exportadora de produtos agrícolas. Aos 31 anos,
ela fez mestrado na London School of Economics, na Inglaterra, e pós-graduação na Fundação Getulio Vargas

Nos últimos dez anos, a exigência de qualificação profissional causou uma revolução nas universidades. No Brasil, há 427 cursos de graduação que preparam profissionais para atuar na área de comércio exterior. Em 1970, havia apenas um. A maior parte das vagas foi criada em 2000, quando o MEC autorizou a abertura de 76 novos cursos. De lá para cá, outros 179 foram abertos. Nesse mercado cada vez mais competitivo, aumenta a necessidade da especialização, um dos pontos captados pela pesquisa de VEJA.

Como era de esperar de uma economia com setores dinâmicos, no Brasil as oportunidades de emprego não se resumem aos grandes centros. "Um dos três fenômenos da atualidade que mais movimentam o mercado de trabalho é o sucesso do agronegócio", afirma Sofia Esteves do Amaral, sócia-diretora da empresa de headhunter Cia. de Talentos, de São Paulo. Apesar da previsão de diminuição do ritmo de crescimento do setor, a expectativa é que a demanda por agrônomos se mantenha entre as maiores. "Os outros dois fenômenos são o boom da indústria siderúrgica e a consolidação dos medicamentos genéricos", completa Sofia. O crescimento econômico pegou muitas empresas e profissionais de surpresa. Diz Sofia: "Existem mais vagas para agrônomos, engenheiros metalúrgicos e químicos do que as universidades e o mercado conseguiram formar com qualidade".

 
Nélio Rodrigues/1º Plano
ALEXANDRE LITWINSKI
Presidente da MasterMaq
Alexandre é a prova de que dá para vencer fora das grandes companhias. Entrou numa pequena empresa de software de Belo Horizonte há nove anos como programador júnior. Em janeiro, chegou à presidência da MasterMaq

Mas também há vida fora das grandes empresas. Uma quantidade crescente de profissionais está mostrando interesse em lançar o próprio negócio. Neste ano, o Sebrae recebeu número recorde de inscritos para o seu jogo virtual cujo desafio é administrar uma empresa e alcançar o faturamento ideal. "É uma espécie de termômetro para medir o interesse das pessoas", afirma Gustavo Morelli, gerente de estratégia do Sebrae. As motivações vão da perda do emprego à conclusão de que arriscar é a melhor opção. Diz Marília Rocca, da Empreender Endeavor, a ONG que promove a cultura empreendedora: "Nas palestras que faço em escolas e universidades, muitos pais se mostram desesperados com o futuro dos filhos, mas acabam percebendo que incentivá-los a abrir o próprio negócio é uma alternativa a ser levada em conta".

A reativação econômica com crescimento e austeridade melhora o ambiente de negócios no país, abrindo oportunidades também para quem não busca apenas uma vaga em uma empresa. Atividades que ganharam status nos últimos anos permitem a ascensão de quem preferiu sair do mercado de trabalho convencional. Na área gastronômica, o cozinheiro se transformou em chef e passou a ser a grande estrela de restaurantes. O número de estilistas cresceu com o sucesso das roupas brasileiras no exterior. De jóias a móveis, o mercado se abriu para quem cria e produz em pequena escala. A preocupação com o verde no meio empresarial abriu espaço para consultorias de gestão ambiental. Há vários outros exemplos. Para milhares de estudantes, os call centers estão servindo como uma alternativa que possibilita conciliar o trabalho com a escola ou a universidade. Apenas neste ano, 55.000 vagas foram criadas. Ao todo, já é meio milhão de pessoas trabalhando em serviços de suporte técnico, que requerem mão-de-obra mais especializada, e de televendas.

 
Marco Pinto

JULIANA LLUSSA
Arquiteta
A escolha de Juliana prova que a atividade de designer de móveis ganhou status nos últimos dez anos. Depois de um estágio na Steelcase, empresa americana de móveis, a arquiteta preferiu montar o próprio negócio de marcenaria. Neste ano ela abriu a primeira loja em São Paulo

A recuperação da economia e a retomada do emprego, no entanto, trazem consigo uma ameaça. É a acomodação que podem provocar no governo e no Congresso. Parte das leis trabalhistas no Brasil data do início da década de 40 do século passado, quando não se sabia que lado venceria a II Guerra Mundial e a idéia de uma rede internacional de computadores não era nem assunto de obra de ficção científica. Dos felizardos que festejarão empregados a passagem deste ano para 2005, apenas 39% têm carteira assinada. O restante está condenado à economia informal, sem garantia nem de férias. As leis no Brasil garantem todos os direitos a alguns e impedem que a maioria tenha benefícios mínimos. Mudar isso é um trabalho para a classe política. É a garantia de que a recuperação esboçada neste fim de 2004 se prolongue pelos próximos anos, saldando o enorme déficit de empregos que ainda é um calvário para milhões de brasileiros.

 

 

 


Com reportagem de
Carlos Rydlewski,
Carina Nucci e Leandro Beguoci

 
 
 
 
topovoltar