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Diogo
Mainardi
Peemedebizou geral
"A imprensa é igual ao PMDB. Quem
estabeleceu o infamante paralelo foi
Fernando Henrique Cardoso. Se a imprensa
é cooptável como o PMDB, quem sou eu,
que trabalho nela? Um Renan Calheiros?
Um Amir Lando? Quem é meu apadrinhado
no Banco do Brasil?"
A imprensa é igual ao PMDB. Quem estabeleceu
o infamante paralelo foi Fernando Henrique Cardoso. Numa entrevista
a Cristovam Buarque, ele declarou que, para poder governar, um presidente
esclarecido como ele ou Lula precisa cooptar "partidos que representam
o atraso, o clientelismo", além de "gente influente na mídia,
porque na política atual não existe nada sem a mídia".
Cristovam Buarque concordou, acrescentando, com desarmante naturalidade,
que "a imprensa a gente até traz, a Justiça é
que é difícil trazer". Se a imprensa é cooptável
como o PMDB, quem sou eu, que trabalho nela? Um Renan Calheiros?
Um Amir Lando? Quem é meu apadrinhado no Banco do Brasil?
José Sarney é do PMDB. Ele tem
um apadrinhado no Banco do Brasil. Um apadrinhado de peso, Rossano
Maranhão Pinto, presidente interino da instituição
e fiel ao padrinho até no nome. Sarney transferiu para o
Banco do Brasil todas as economias que tinha no Banco Santos, na
véspera da intervenção do Banco Central. Perguntado
se teria recebido informação privilegiada, por ser
amigo de Edemar Cid Ferreira, dono do Banco Santos, Sarney negou
categoricamente, atribuindo a sábia decisão de movimentar
o dinheiro aos "rumores publicados na imprensa". Fernando Henrique
Cardoso pode até dizer que Sarney é um representante
do atraso e do clientelismo, mas um fato é inegável:
os dois sabem se servir dos jornais.
Nos últimos dias, rumores publicados
na imprensa indicaram que a filha de José Sarney, Roseana,
é cotada para uma vaga na reforma ministerial de Lula. O
que ainda não consegui descobrir foi o seguinte: 1) Roseana
também era correntista do Banco Santos, de propriedade de
seu padrinho de casamento, Edemar Cid Ferreira? 2) Ela retirou o
dinheiro da conta antes da intervenção do Banco Central,
a exemplo do pai? 3) Jorge Murad, seu marido, tinha conta no Banco
Santos, ou preferia deixar todo o dinheiro trancado no cofre? 4)
Murad é sócio de Edemar Cid Ferreira no Banco Claymoore,
no paraíso fiscal de Nassau? 5) Roseana ainda tem um cartão
de crédito internacional do Banco Claymoore? 6) Ou o cartão
de crédito seria do Banco Schroder, de Miami?
A peemedebização da informação
ganhou impulso com Lula. O Conselho Federal de Jornalismo está
vivo. E a Ancinav será aprovada, garantindo ao governo o
controle sobre o que realmente importa: rádio e televisão.
Para aprovar a Ancinav, Lula cooptou o pessoalzinho do cinema e
do teatro, oferecendo o mesmo que oferece aos parlamentares maranhenses
do PMDB: cargos e verbas públicas. A diferença é
que o pessoalzinho do cinema e do teatro se vende mais barato. Claro
que tudo será pago pelo contribuinte. Cada vez que alguém
comprar um aparelho de TV ou um telefone celular, estará
financiando o parasitismo do meio cultural. E, por extensão,
o controle da informação por parte do governo. Não
adianta boicotar os cineastas brasileiros. Porque eles sempre vão
dar um jeito de arrancar seu dinheiro. Lula prometeu o Fome Zero
do cinema, "a custo zero". Custo zero? Para ele, talvez. Não
para você.
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