Edição 1883 . 8 de dezembro de 2004

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Diogo Mainardi
Peemedebizou geral

"A imprensa é igual ao PMDB. Quem
estabeleceu o infamante paralelo foi
Fernando Henrique Cardoso. Se a imprensa
é cooptável como o PMDB, quem sou eu,
que trabalho nela? Um Renan Calheiros?
Um Amir Lando? Quem é meu apadrinhado
no Banco do Brasil?"

A imprensa é igual ao PMDB. Quem estabeleceu o infamante paralelo foi Fernando Henrique Cardoso. Numa entrevista a Cristovam Buarque, ele declarou que, para poder governar, um presidente esclarecido como ele ou Lula precisa cooptar "partidos que representam o atraso, o clientelismo", além de "gente influente na mídia, porque na política atual não existe nada sem a mídia". Cristovam Buarque concordou, acrescentando, com desarmante naturalidade, que "a imprensa a gente até traz, a Justiça é que é difícil trazer". Se a imprensa é cooptável como o PMDB, quem sou eu, que trabalho nela? Um Renan Calheiros? Um Amir Lando? Quem é meu apadrinhado no Banco do Brasil?

José Sarney é do PMDB. Ele tem um apadrinhado no Banco do Brasil. Um apadrinhado de peso, Rossano Maranhão Pinto, presidente interino da instituição e fiel ao padrinho até no nome. Sarney transferiu para o Banco do Brasil todas as economias que tinha no Banco Santos, na véspera da intervenção do Banco Central. Perguntado se teria recebido informação privilegiada, por ser amigo de Edemar Cid Ferreira, dono do Banco Santos, Sarney negou categoricamente, atribuindo a sábia decisão de movimentar o dinheiro aos "rumores publicados na imprensa". Fernando Henrique Cardoso pode até dizer que Sarney é um representante do atraso e do clientelismo, mas um fato é inegável: os dois sabem se servir dos jornais.

Nos últimos dias, rumores publicados na imprensa indicaram que a filha de José Sarney, Roseana, é cotada para uma vaga na reforma ministerial de Lula. O que ainda não consegui descobrir foi o seguinte: 1) Roseana também era correntista do Banco Santos, de propriedade de seu padrinho de casamento, Edemar Cid Ferreira? 2) Ela retirou o dinheiro da conta antes da intervenção do Banco Central, a exemplo do pai? 3) Jorge Murad, seu marido, tinha conta no Banco Santos, ou preferia deixar todo o dinheiro trancado no cofre? 4) Murad é sócio de Edemar Cid Ferreira no Banco Claymoore, no paraíso fiscal de Nassau? 5) Roseana ainda tem um cartão de crédito internacional do Banco Claymoore? 6) Ou o cartão de crédito seria do Banco Schroder, de Miami?

A peemedebização da informação ganhou impulso com Lula. O Conselho Federal de Jornalismo está vivo. E a Ancinav será aprovada, garantindo ao governo o controle sobre o que realmente importa: rádio e televisão. Para aprovar a Ancinav, Lula cooptou o pessoalzinho do cinema e do teatro, oferecendo o mesmo que oferece aos parlamentares maranhenses do PMDB: cargos e verbas públicas. A diferença é que o pessoalzinho do cinema e do teatro se vende mais barato. Claro que tudo será pago pelo contribuinte. Cada vez que alguém comprar um aparelho de TV ou um telefone celular, estará financiando o parasitismo do meio cultural. E, por extensão, o controle da informação por parte do governo. Não adianta boicotar os cineastas brasileiros. Porque eles sempre vão dar um jeito de arrancar seu dinheiro. Lula prometeu o Fome Zero do cinema, "a custo zero". Custo zero? Para ele, talvez. Não para você.

 
 
 
 
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