|
|
Cartas  | "Prova
da aceitação da psicologia nos tratamentos é a presença,
cada vez mais freqüente, de médicos como pacientes dos psicólogos." Lenisio
Bragante Médico e professor da UFPB João
Pessoa, PB |
Equilíbrio
mental É fato irrefutável que
o tratamento medicamentoso nos transtornos mentais vem diminuindo, e muito, o
sofrimento dos portadores de tais patologias, levando-os a uma melhor qualidade
de vida. Obviamente, sem demérito algum para os tratamentos de abordagem
psicoterápica, que têm sido extremamente úteis em muitos casos,
quando devidamente utilizados, em associação com medicamentos ou
não ("O equilíbrio do cérebro e da alma", 1º de dezembro). Edson
F. Nascimento Psiquiatra e psicoterapeuta Ribeirão
Preto, SP Nos últimos 22 de
meus 38 anos de idade, era visto como uma pessoa estranha, esquisita, fechada
e calada. Nos últimos seis anos, meu casamento foi desfeito, perdi vários
empregos, tive prejuízos em negócios malconduzidos e me tornei alcoólatra.
Seis meses atrás percebi que havia perdido o controle de minha vida. Procurei
ajuda na psiquiatria e na psicologia. Diagnóstico: distimia e transtorno
bipolar. Com fé em Deus, terapia e remédios estou recomeçando
a vida. O que eu considerava um tormento inexplicável e sem fim, coisas
do destino, mas causa de grande preconceito, é apenas uma doença
que tem controle e tratamento. Silvio dos
Reis Martins Araxá, MG
Difícil entender como alguns psicanalistas ainda relutam
em ter suas teorias investigadas pelas ciências do cérebro, quando
os grandes beneficiários dessa união seriam seus próprios
pacientes. Sigmund Freud, que era neurologista, considerava que a linguagem usada
pela psicanálise para descrever os processos mentais seria substituída
por termos biológicos no futuro. Emerson
Magno Fernandes de Andrade João
Pessoa, PB Penso que estamos
vivendo um momento significativo no que se refere às neurociências.
Afinal, o assunto saúde mental diz respeito a todos nós, como espécie.
Rever preconceitos, reconhecer sintomas e procurar ajuda profissional são
atitudes fundamentais para uma melhor qualidade de vida. Lucy
Amoroso Psicóloga Por e-mail
Excelente a matéria
sobre psiquiatria e psicologia. Equilibrada, deu espaço para todas as correntes
se pronunciarem. Atualmente, não há mais lugar para maniqueísmo
nem para preconceitos: o sofrimento das pessoas vem em primeiro lugar, e todos
os profissionais devem unir esforços para minorá-lo, cada qual na
sua seara, mas respeitando as abordagens dos demais. Renato
Mezan Psicanalista São Paulo,
SP Penso que médicos
e psicólogos estão longe de se entender, pois existe um projeto
de lei (Ato Médico) que está pendente no Senado e coloca os médicos
acima de todos os profissionais da área de saúde uma arbitrariedade
que está fazendo não só os psicólogos mas toda a área
de saúde se manifestar contra. Devemos, sim, aplaudir a reportagem de VEJA,
que de forma clara e objetiva explica os sintomas e tratamentos da depressão
e ansiedade, contribuindo com depoimentos que só enriquecem e favorecem
a população, alheia a conflitos tão antigos entre médicos,
psicólogos e outros profissionais da saúde. Milton
Granado da Silva Psicólogo Rio
de Janeiro, RJ Irshad
Manji Convertido ao Islã há
pouco mais de um ano, li com admiração a entrevista da irmã,
escritora e colega Irshad Manji (Amarelas, 1º de dezembro). As declarações
feitas por ela, a condenação das manipulações em nome
da fé islâmica, a defesa da liberdade de opiniões, o reconhecimento
dos pontos de convergência entre o Islã e as demais religiões
reveladas, são dignas de aplausos por parte de qualquer muçulmano
esclarecido. Carlos Antonio Peixoto Parnamirim,
RN Religião
Infelizmente somos obrigados a ver atos de
discriminação e violência "em nome da fé" por parte
de ignorantes, loucos e infelizes que esquecem que Deus, independentemente de
nossa vertente religiosa, se revela na alegria, no amor e na bondade que carregamos
dentro de nós, não em atos extremistas carentes de respeito e amor
ao próximo, princípios básicos de praticamente todas as religiões
("Guerra de culturas", 1º de dezembro). Alex
Cardoso de Melo Projetos Sociais Meu Sonho
Não Tem Fim www.meusonhonaotemfim.org.br
Governo Lula
O quadro "PT faz o jogo contra o governo do PT" publicado na reportagem "O triunfo
da racionalidade" (1º de dezembro) contém algumas informações
equivocadas. Diz que a bancada do PT, numa atitude inédita, abandonou o
plenário, dificultando a votação de medidas provisórias
de interesse do governo. Que o fez sob minha liderança, que, por outro
lado, seguia orientação do ministro-chefe da Casa Civil, José
Dirceu. Seria realmente inédito e absurdo um líder do governo articular
em prejuízo do próprio governo. Nada disso, de fato, aconteceu.
O que houve foi um acordo explícito firmado entre governo, partidos aliados
e oposição para votar todas as MPs que estavam na iminência
de perder a eficácia, por decurso do prazo legal. Tal negociação
tirou a oposição da obstrução e permitiu que fossem
votadas oito MPs naquela semana caso contrário, a obstrução
continuaria e o governo correria o risco de ver nulas algumas das MPs que editara.
O acordo foi construído junto com o ministro Aldo Rebelo, da Coordenação
Política. Deputado Professor Luizinho Líder
do governo na Câmara Brasília, DF
A reportagem "O triunfo da racionalidade" evidencia a perda
progressiva do poder de influência do ministro José Dirceu e nos
deixa vislumbrar um futuro em que os interesses do país poderão
ser levados em conta à frente dos interesses partidários/ideológicos. Mário
Sérgio D'Ottaviano Maceió,
AL Aleluia. Alvíssaras.
Finalmente nosso caro presidente entendeu que está perdendo a oportunidade
de inscrever seu nome com letras de ouro na história recente deste país
em troca de uma (aparente) unidade partidária que serve apenas para premiar
a incompetência. No barco que capitaneia, apenas dois ministros (da Fazenda
e da Agricultura) remam ferozmente em direção ao porto que o comandante
demanda e deseja. Dos demais, boa parte está com os remos em pé,
e os restantes remam francamente contra. Antonio
Alves Rodrigues Calado Salvador, BA
Conjuntura
Todos querem a redução da taxa de juros, uns de modo gradual e seguro,
outros de maneira imediata e irresponsável. O problema é que a política
monetária atua tal como a corrente que é presa à coleira
do cachorro: serve para deter seu avanço, mas não serve para empurrá-lo.
Juros baixos, por si só, não são garantia de investimentos.
Por outro lado, parece não haver consenso no governo sobre a urgência,
a importância ou mesmo a necessidade de definir a agenda microeconômica
e o marco regulatório e de implementar acordos comerciais com as economias
verdadeiramente de mercado. Também não há propostas claras
sobre a redução do estoque da dívida pública, dos
gastos públicos e sobre eficiência na gestão pública
federal. Por isso, o governo comete o erro de esperar da política macroeconômica
bem mais do que ela é capaz de oferecer, expondo o pessoal da área
ao tiroteio amigo e inimigo. Pelo jeito, este pode ser o último grande
Natal de Lula ("O grande Natal de Lula", 1º de dezembro). Jackson
Torres de Oliveira São Paulo, SP
Rio de Janeiro e violência
VEJA nos presenteia com duas reportagens
emblemáticas, que se completam e que nos ensinam a entender o Rio de Janeiro.
Quem tem políticos tão corruptos como aqueles descritos na reportagem
"Chegou a hora da faxina" (1º de dezembro) só pode mesmo estar vivendo
os horrores da guerra de quadrilhas mencionada na reportagem "Ousadia sem limite"
(1º de dezembro). E depois ficam indignados quando os jornais internacionais
sugerem a seus leitores que busquem outros destinos turísticos! Faxina
geral já! Jorge Alberto Pereira Oliveira Florianópolis,
SC Concordo com o jornalista
Ronaldo França em seu texto "Ousadia sem limite" quando diz "que está
na hora de a sociedade brasileira dar um basta na escalada de violência".
Gostaria de pedir desesperadamente que a imprensa começasse essa cruzada,
mobilizando a população. Infelizmente não podemos contar
com um governo fraco e incompetente que se omite e teme combater o crime organizado,
talvez por medo de acabar com milhões de empregos que se formaram ao redor
da "segurança privada", hoje um dos maiores geradores de emprego do país. Renato
Paganini Campo Grande, MS
Tales Alvarenga Tales
Alvarenga teve a coragem de dizer a verdade sobre Roberto Campos e Celso Furtado
e de afirmar que o primeiro estava certo, em meio às homenagens post mortem
ao segundo. Celso Furtado mereceria ser exaltado por sua integridade, por sua
inestimável contribuição para a história econômica
e por seu papel de equilíbrio no governo desastrado de João Goulart.
Não pelas idéias envelhecidas que defendeu ("Celso e Bob Fields",
1º de dezembro). Maílson da
Nóbrega São Paulo, SP Lya
Luft Inspiradíssimo
o texto de Lya Luft ("Quando o homem é uma ilha", Ponto de vista, 1º
de dezembro). Desnecessário qualquer esforço intelectual para se
ver frente a frente com a dura realidade da "ignorância do espírito",
narrada de forma clara e objetiva, tal como uma "cirurgia de alta precisão".
Ela foi felicíssima ao posicionar as "etiquetas" como infeliz substituição
da "atenção" ao próximo. Aí estão os fundamentos
do embrutecimento do ser humano. Simão
Horácio Bottesi Mogi
Mirim, SP Às
vezes, nos tornamos ilhas por nos achar superiores às pessoas com as quais
nos relacionamos. Egoístas, pensamos: "Tenho formação superior,
bom senso e a minha religião é a melhor..." Mal reconhecemos que
seríamos mais úteis e mais felizes se compartilhássemos nossas
pílulas de amor e sabedoria tal como o faz essa sensível colunista. Igor
Ribeiro do Nascimento Campo
Grande, MS
Diogo Mainardi Tomara
que o Lessa com "b" de besteira, de bobão, de bufão, de bolorento
e de outros "b" suma definitivamente de nosso cenário político.
Não conseguimos entender a paciência do presidente Lula com tanta
incompetência e sua demora para tirar os incompetentes. Fora o medieval
Rolf Hackbardt, fora o ideólogo do impossível Olívio Dutra,
fora a stalinista Dilma, que agora vai fazer usinas de álcool em Cuba,
fora o não-faz-nada Rossetto, fora o inábil Berzoini, enfim, fora
todos esses petistas que só atrasam nosso país. Já disse
e repito: assim não voto nunca mais no PT ("Lessa é com 'b' de besteira",
Ponto de vista, 1º de dezembro) Bernard
Lamounier Ribeirão
Preto, SP Ao
contrário do que diz Diogo Mainardi, os brasileiros inventaram algumas
coisas interessantes. Não há como negar que o avião de Santos
Dumont realmente voava, diferentemente do planador motorizado dos irmãos
Wright, que precisava de uma catapulta para decolar. Leonardo
Hassegawa Curitiba,
PR
André Petry É
difícil discordar de André Petry. Mas, em sua abordagem do assunto
das crianças na rua, faltou-lhe considerar que o Estatuto da Criança
e do Adolescente é contraditório ("Cobertos de hipocrisia", 1º
de dezembro). Se os artigos 15 e 16 asseguram aos menores de zero a 18 anos a
liberdade de ir, vir e estar nos logradouros públicos, o Artigo 6º
manda levar em conta, na aplicação da lei, a condição
peculiar da criança e do adolescente como pessoas em desenvolvimento. Assim,
como é possível dar a crianças a liberdade em questão?
A juíza Luciana de Oliveira Leal, em seu livro sobre a liberdade da criança
(Editora Forense), refere-se ao paradoxo: pais têm o dever de não
deixar os filhos na rua, mas o ECA dispõe o contrário. Petry escreveu
que o ECA errou em muitos aspectos, e o livro Falhas do Estatuto (Editora
Forense) alinha 395 objeções a essa lei, formuladas por 92 especialistas.
Uma lei pode não ajudar, mas muitas vezes atrapalha. Alyrio
Cavallieri
Conselheiro da Associação Internacional de Magistrados da Juventude
e da Família Rio de Janeiro, RJ
Livros
Caro Telmo Martino, dei de cara com você em VEJA ("Língua
ferina", 1º de dezembro). Que surpresa agradável. Sou uma de suas
vítimas. Sorte minha. A nota (pouquíssimas linhas) em sua coluna
no fim da década de 70 me chamando de mais um poeta sonhador foi e sempre
será o maior estímulo como prova do contrário. Na época
era o que precisava para ir à luta e realizar o ambicioso projeto de editar,
imprimir e comercializar livros de poesia no Brasil. Hoje, 25 anos depois, eu
lhe devolvo um torpedo de obrigados assinado com o título: Grupo Editorial
Scortecci. Quero entrar na fila de autógrafos. Sucesso. João
Scortecci Grupo
Editorial Scortecci São Paulo, SP
Assembléia
Legislativa do Rio Quando
a primeira denúncia foi publicada na imprensa informando que o publicitário
Haylle Gadelha teria sofrido uma tentativa de extorsão por parte da deputada
Núbia Cozzolino, o deputado Jorge Picciani convocou no mesmo dia a deputada,
a imprensa e o Colégio de Líderes e disse que não permitiria
esse tipo de conduta. O publicitário jamais formalizou a denúncia.
Quando o diretor do banco BRJ, Luiz Augusto de Queiroz, procurou a presidência
da Alerj para fazer nova denúncia contra a mesma CPI, o presidente Jorge
Picciani orientou-o a protocolar a denúncia, sem a qual nenhum procedimento
interno poderia ser aberto. Feita a denúncia formal, foram suspensas as
atividades da CPI e foi encaminhado processo ao corregedor-geral da Casa para
apuração. Ao depor perante a corregedoria, o diretor do banco BRJ
confirmou que a instituição havia sido vítima de tentativa
de extorsão por parte de José Carlos Fonseca, que não é
funcionário da Alerj e foi apontado como "consultor informal" do presidente
da CPI, Alberto Brizola. O banqueiro, no entanto, fez questão de isentar
os deputados de participação no pedido de propina. Diante da falta
de provas que incriminassem qualquer deputado da comissão, a corregedoria
sugeriu como pena para o presidente da CPI a censura verbal em plenário
pelo fato de ele ter permitido a presença indevida de José Carlos
Fonseca durante os trabalhos da comissão. O relatório determinou,
ainda, a extinção dos trabalhos da CPI. Fernanda
Pedrosa Diretora de comunicação
social da Assembléia Legislativa do Estado Rio
de Janeiro, RJ
Radar VEJA se equivocou
na nota "Dinheiro sobrando na educação" (1º de dezembro). Informamos
que a execução orçamentária de 2004 deve chegar a
quase 100% do previsto. Ao conferir os resultados do Siafi, a revista não
levou em consideração os recursos já empenhados para os programas
Brasil Alfabetizado e Valorização e Formação de Professores.
No caso da alfabetização, programa criado por este governo, o valor
empenhado chega a 87% e na formação de professores, o equivalente
a 63%, mesmo após o contingenciamento. Vera
Flores Coordenadora
da comunicação social do MEC Brasília, DF
CORREÇÃO: Na edicão especial Natal Digital (novembro
de 2004), a foto identificada como sendo do celular Motorola C650 é na
verdade do C355V, da mesma marca (página 64).
TRANSTORNO OBSESSIVO-COMPULSIVO
Na
entrevista "Vou me curar" (3 de novembro), o cantor
Roberto Carlos falou sobre o tratamento a que vem se
submetendo nos últimos meses para se livrar de
um distúrbio psicológico que o acomete
há mais de uma década o transtorno
obsessivo-compulsivo (TOC). A leitora Edna Ulsen, da
capital paulista, contou que sentiu na pele os efeitos
da falta de informação sobre o mal, que
lhe "trouxeram angústia e sofrimento". Em tratamento
há cinco anos, ela desabafa: "Sofri muita discriminação
e deboche no ambiente de trabalho. Com o depoimento
de Roberto Carlos, muitos irão entender e tratar
melhor os pacientes com TOC". O TOC foi tema de capa
de VEJA há sete meses ("Mentes que aprisionam",
5 de maio), com o depoimento marcante da atriz Luciana
Vendramini. O transtorno em crianças também
mereceu atenção na reportagem "Cheia de
manias" (24 de janeiro de 2001).
| |
ADÃO
E EVA TINHAM UMBIGO?
 | | Adão
e Eva: umbigo à semelhança de Cristo |
O
leitor Orlando Kemp Cavalcanti, de Belo Horizonte, levantou uma questão
com relação à ilustração da reportagem "Os
limites do paraíso" (1º de dezembro), que interessa aos criacionistas
e evolucionistas: "As figuras de Adão e Eva deixam à mostra seu
belo umbigo. O autor talvez tenha se esquecido que eles não foram paridos
e sim moldados do barro e de uma costela". A questão do umbigo de Adão
e Eva remonta à Idade Média, quando os sábios da religião
passavam eras elucubrando sobre umbigos, "o sexo dos anjos" ou sobre "quantos
anjos poderiam dançar na cabeça de um alfinete". A ilustração
publicada por VEJA é baseada na obra (Adão e Eva) do pintor
alemão Lucas Cranach (1472-1553). Como os primeiros protestantes seus pares,
Cranach justificava os umbigos com a tese amplamente aceita então de que
os habitantes do paraíso foram criados à imagem de Deus, que veio
ao mundo como homem na pessoa de Cristo. E como Cristo tinha umbigo...
| | |