Edição 1883 . 8 de dezembro de 2004

Índice
Claudio de Moura Castro
Gustavo Franco
Millôr
Diogo Mainardi
Tales Alvarenga
André Petry
Roberto Pompeu de Toledo
Carta ao leitor
Entrevista
Cartas
Radar
Holofote
Contexto
Veja essa
Gente
Datas
VEJA Recomenda
Os livros mais vendidos
 
 

Cartas

 
"Prova da aceitação da psicologia nos tratamentos é a presença, cada vez mais freqüente, de médicos como pacientes dos psicólogos."
Lenisio Bragante
Médico e professor da UFPB
João Pessoa, PB

 

Equilíbrio mental

É fato irrefutável que o tratamento medicamentoso nos transtornos mentais vem diminuindo, e muito, o sofrimento dos portadores de tais patologias, levando-os a uma melhor qualidade de vida. Obviamente, sem demérito algum para os tratamentos de abordagem psicoterápica, que têm sido extremamente úteis em muitos casos, quando devidamente utilizados, em associação com medicamentos ou não ("O equilíbrio do cérebro e da alma", 1º de dezembro).
Edson F. Nascimento
Psiquiatra e psicoterapeuta
Ribeirão Preto, SP

Nos últimos 22 de meus 38 anos de idade, era visto como uma pessoa estranha, esquisita, fechada e calada. Nos últimos seis anos, meu casamento foi desfeito, perdi vários empregos, tive prejuízos em negócios malconduzidos e me tornei alcoólatra. Seis meses atrás percebi que havia perdido o controle de minha vida. Procurei ajuda na psiquiatria e na psicologia. Diagnóstico: distimia e transtorno bipolar. Com fé em Deus, terapia e remédios estou recomeçando a vida. O que eu considerava um tormento inexplicável e sem fim, coisas do destino, mas causa de grande preconceito, é apenas uma doença que tem controle e tratamento.
Silvio dos Reis Martins
Araxá, MG  

Difícil entender como alguns psicanalistas ainda relutam em ter suas teorias investigadas pelas ciências do cérebro, quando os grandes beneficiários dessa união seriam seus próprios pacientes. Sigmund Freud, que era neurologista, considerava que a linguagem usada pela psicanálise para descrever os processos mentais seria substituída por termos biológicos no futuro.
Emerson Magno Fernandes de Andrade
João Pessoa, PB  

Penso que estamos vivendo um momento significativo no que se refere às neurociências. Afinal, o assunto saúde mental diz respeito a todos nós, como espécie. Rever preconceitos, reconhecer sintomas e procurar ajuda profissional são atitudes fundamentais para uma melhor qualidade de vida.
Lucy Amoroso
Psicóloga
Por e-mail  

Excelente a matéria sobre psiquiatria e psicologia. Equilibrada, deu espaço para todas as correntes se pronunciarem. Atualmente, não há mais lugar para maniqueísmo nem para preconceitos: o sofrimento das pessoas vem em primeiro lugar, e todos os profissionais devem unir esforços para minorá-lo, cada qual na sua seara, mas respeitando as abordagens dos demais.
Renato Mezan
Psicanalista
São Paulo, SP  

Penso que médicos e psicólogos estão longe de se entender, pois existe um projeto de lei (Ato Médico) que está pendente no Senado e coloca os médicos acima de todos os profissionais da área de saúde – uma arbitrariedade que está fazendo não só os psicólogos mas toda a área de saúde se manifestar contra. Devemos, sim, aplaudir a reportagem de VEJA, que de forma clara e objetiva explica os sintomas e tratamentos da depressão e ansiedade, contribuindo com depoimentos que só enriquecem e favorecem a população, alheia a conflitos tão antigos entre médicos, psicólogos e outros profissionais da saúde.
Milton Granado da Silva
Psicólogo
Rio de Janeiro, RJ

 

Irshad Manji

Convertido ao Islã há pouco mais de um ano, li com admiração a entrevista da irmã, escritora e colega Irshad Manji (Amarelas, 1º de dezembro). As declarações feitas por ela, a condenação das manipulações em nome da fé islâmica, a defesa da liberdade de opiniões, o reconhecimento dos pontos de convergência entre o Islã e as demais religiões reveladas, são dignas de aplausos por parte de qualquer muçulmano esclarecido.
Carlos Antonio Peixoto
Parnamirim, RN

 

Religião

Infelizmente somos obrigados a ver atos de discriminação e violência "em nome da fé" por parte de ignorantes, loucos e infelizes que esquecem que Deus, independentemente de nossa vertente religiosa, se revela na alegria, no amor e na bondade que carregamos dentro de nós, não em atos extremistas carentes de respeito e amor ao próximo, princípios básicos de praticamente todas as religiões ("Guerra de culturas", 1º de dezembro).
Alex Cardoso de Melo
Projetos Sociais Meu Sonho Não Tem Fim
www.meusonhonaotemfim.org.br

 

Governo Lula

O quadro "PT faz o jogo contra o governo do PT" publicado na reportagem "O triunfo da racionalidade" (1º de dezembro) contém algumas informações equivocadas. Diz que a bancada do PT, numa atitude inédita, abandonou o plenário, dificultando a votação de medidas provisórias de interesse do governo. Que o fez sob minha liderança, que, por outro lado, seguia orientação do ministro-chefe da Casa Civil, José Dirceu. Seria realmente inédito e absurdo um líder do governo articular em prejuízo do próprio governo. Nada disso, de fato, aconteceu. O que houve foi um acordo explícito firmado entre governo, partidos aliados e oposição para votar todas as MPs que estavam na iminência de perder a eficácia, por decurso do prazo legal. Tal negociação tirou a oposição da obstrução e permitiu que fossem votadas oito MPs naquela semana – caso contrário, a obstrução continuaria e o governo correria o risco de ver nulas algumas das MPs que editara. O acordo foi construído junto com o ministro Aldo Rebelo, da Coordenação Política.
Deputado Professor Luizinho
Líder do governo na Câmara
Brasília, DF  

A reportagem "O triunfo da racionalidade" evidencia a perda progressiva do poder de influência do ministro José Dirceu e nos deixa vislumbrar um futuro em que os interesses do país poderão ser levados em conta à frente dos interesses partidários/ideológicos.
Mário Sérgio D'Ottaviano
Maceió, AL  

Aleluia. Alvíssaras. Finalmente nosso caro presidente entendeu que está perdendo a oportunidade de inscrever seu nome com letras de ouro na história recente deste país em troca de uma (aparente) unidade partidária que serve apenas para premiar a incompetência. No barco que capitaneia, apenas dois ministros (da Fazenda e da Agricultura) remam ferozmente em direção ao porto que o comandante demanda e deseja. Dos demais, boa parte está com os remos em pé, e os restantes remam francamente contra.
Antonio Alves Rodrigues Calado
Salvador, BA

 

Conjuntura

Todos querem a redução da taxa de juros, uns de modo gradual e seguro, outros de maneira imediata e irresponsável. O problema é que a política monetária atua tal como a corrente que é presa à coleira do cachorro: serve para deter seu avanço, mas não serve para empurrá-lo. Juros baixos, por si só, não são garantia de investimentos. Por outro lado, parece não haver consenso no governo sobre a urgência, a importância ou mesmo a necessidade de definir a agenda microeconômica e o marco regulatório e de implementar acordos comerciais com as economias verdadeiramente de mercado. Também não há propostas claras sobre a redução do estoque da dívida pública, dos gastos públicos e sobre eficiência na gestão pública federal. Por isso, o governo comete o erro de esperar da política macroeconômica bem mais do que ela é capaz de oferecer, expondo o pessoal da área ao tiroteio amigo e inimigo. Pelo jeito, este pode ser o último grande Natal de Lula ("O grande Natal de Lula", 1º de dezembro).
Jackson Torres de Oliveira
São Paulo, SP

 

Rio de Janeiro e violência

VEJA nos presenteia com duas reportagens emblemáticas, que se completam e que nos ensinam a entender o Rio de Janeiro. Quem tem políticos tão corruptos como aqueles descritos na reportagem "Chegou a hora da faxina" (1º de dezembro) só pode mesmo estar vivendo os horrores da guerra de quadrilhas mencionada na reportagem "Ousadia sem limite" (1º de dezembro). E depois ficam indignados quando os jornais internacionais sugerem a seus leitores que busquem outros destinos turísticos! Faxina geral já!
Jorge Alberto Pereira Oliveira
Florianópolis, SC  

Concordo com o jornalista Ronaldo França em seu texto "Ousadia sem limite" quando diz "que está na hora de a sociedade brasileira dar um basta na escalada de violência". Gostaria de pedir desesperadamente que a imprensa começasse essa cruzada, mobilizando a população. Infelizmente não podemos contar com um governo fraco e incompetente que se omite e teme combater o crime organizado, talvez por medo de acabar com milhões de empregos que se formaram ao redor da "segurança privada", hoje um dos maiores geradores de emprego do país.
Renato Paganini
Campo Grande, MS

 

Tales Alvarenga

Tales Alvarenga teve a coragem de dizer a verdade sobre Roberto Campos e Celso Furtado e de afirmar que o primeiro estava certo, em meio às homenagens post mortem ao segundo. Celso Furtado mereceria ser exaltado por sua integridade, por sua inestimável contribuição para a história econômica e por seu papel de equilíbrio no governo desastrado de João Goulart. Não pelas idéias envelhecidas que defendeu ("Celso e Bob Fields", 1º de dezembro).
Maílson da Nóbrega
São Paulo, SP

 

Lya Luft

Inspiradíssimo o texto de Lya Luft ("Quando o homem é uma ilha", Ponto de vista, 1º de dezembro). Desnecessário qualquer esforço intelectual para se ver frente a frente com a dura realidade da "ignorância do espírito", narrada de forma clara e objetiva, tal como uma "cirurgia de alta precisão". Ela foi felicíssima ao posicionar as "etiquetas" como infeliz substituição da "atenção" ao próximo. Aí estão os fundamentos do embrutecimento do ser humano.
Simão Horácio Bottesi
Mogi Mirim, SP  

Às vezes, nos tornamos ilhas por nos achar superiores às pessoas com as quais nos relacionamos. Egoístas, pensamos: "Tenho formação superior, bom senso e a minha religião é a melhor..." Mal reconhecemos que seríamos mais úteis e mais felizes se compartilhássemos nossas pílulas de amor e sabedoria tal como o faz essa sensível colunista.
Igor Ribeiro do Nascimento
Campo Grande, MS

 

Diogo Mainardi

Tomara que o Lessa com "b" de besteira, de bobão, de bufão, de bolorento e de outros "b" suma definitivamente de nosso cenário político. Não conseguimos entender a paciência do presidente Lula com tanta incompetência e sua demora para tirar os incompetentes. Fora o medieval Rolf Hackbardt, fora o ideólogo do impossível Olívio Dutra, fora a stalinista Dilma, que agora vai fazer usinas de álcool em Cuba, fora o não-faz-nada Rossetto, fora o inábil Berzoini, enfim, fora todos esses petistas que só atrasam nosso país. Já disse e repito: assim não voto nunca mais no PT ("Lessa é com 'b' de besteira", Ponto de vista, 1º de dezembro)
Bernard Lamounier
Ribeirão Preto, SP  

Ao contrário do que diz Diogo Mainardi, os brasileiros inventaram algumas coisas interessantes. Não há como negar que o avião de Santos Dumont realmente voava, diferentemente do planador motorizado dos irmãos Wright, que precisava de uma catapulta para decolar.
Leonardo Hassegawa
Curitiba, PR

 

André Petry

É difícil discordar de André Petry. Mas, em sua abordagem do assunto das crianças na rua, faltou-lhe considerar que o Estatuto da Criança e do Adolescente é contraditório ("Cobertos de hipocrisia", 1º de dezembro). Se os artigos 15 e 16 asseguram aos menores de zero a 18 anos a liberdade de ir, vir e estar nos logradouros públicos, o Artigo 6º manda levar em conta, na aplicação da lei, a condição peculiar da criança e do adolescente como pessoas em desenvolvimento. Assim, como é possível dar a crianças a liberdade em questão? A juíza Luciana de Oliveira Leal, em seu livro sobre a liberdade da criança (Editora Forense), refere-se ao paradoxo: pais têm o dever de não deixar os filhos na rua, mas o ECA dispõe o contrário. Petry escreveu que o ECA errou em muitos aspectos, e o livro Falhas do Estatuto (Editora Forense) alinha 395 objeções a essa lei, formuladas por 92 especialistas. Uma lei pode não ajudar, mas muitas vezes atrapalha.
Alyrio Cavallieri
Conselheiro da Associação Internacional de Magistrados
da Juventude e da Família
Rio de Janeiro, RJ

 

Livros

Caro Telmo Martino, dei de cara com você em VEJA ("Língua ferina", 1º de dezembro). Que surpresa agradável. Sou uma de suas vítimas. Sorte minha. A nota (pouquíssimas linhas) em sua coluna no fim da década de 70 me chamando de mais um poeta sonhador foi e sempre será o maior estímulo como prova do contrário. Na época era o que precisava para ir à luta e realizar o ambicioso projeto de editar, imprimir e comercializar livros de poesia no Brasil. Hoje, 25 anos depois, eu lhe devolvo um torpedo de obrigados assinado com o título: Grupo Editorial Scortecci. Quero entrar na fila de autógrafos. Sucesso.
João Scortecci
Grupo Editorial Scortecci
São Paulo, SP

 

Assembléia Legislativa do Rio

Quando a primeira denúncia foi publicada na imprensa informando que o publicitário Haylle Gadelha teria sofrido uma tentativa de extorsão por parte da deputada Núbia Cozzolino, o deputado Jorge Picciani convocou no mesmo dia a deputada, a imprensa e o Colégio de Líderes e disse que não permitiria esse tipo de conduta. O publicitário jamais formalizou a denúncia. Quando o diretor do banco BRJ, Luiz Augusto de Queiroz, procurou a presidência da Alerj para fazer nova denúncia contra a mesma CPI, o presidente Jorge Picciani orientou-o a protocolar a denúncia, sem a qual nenhum procedimento interno poderia ser aberto. Feita a denúncia formal, foram suspensas as atividades da CPI e foi encaminhado processo ao corregedor-geral da Casa para apuração. Ao depor perante a corregedoria, o diretor do banco BRJ confirmou que a instituição havia sido vítima de tentativa de extorsão por parte de José Carlos Fonseca, que não é funcionário da Alerj e foi apontado como "consultor informal" do presidente da CPI, Alberto Brizola. O banqueiro, no entanto, fez questão de isentar os deputados de participação no pedido de propina. Diante da falta de provas que incriminassem qualquer deputado da comissão, a corregedoria sugeriu como pena para o presidente da CPI a censura verbal em plenário pelo fato de ele ter permitido a presença indevida de José Carlos Fonseca durante os trabalhos da comissão. O relatório determinou, ainda, a extinção dos trabalhos da CPI.
Fernanda Pedrosa
Diretora de comunicação social da
Assembléia Legislativa do Estado
Rio de Janeiro, RJ

Radar

VEJA se equivocou na nota "Dinheiro sobrando na educação" (1º de dezembro). Informamos que a execução orçamentária de 2004 deve chegar a quase 100% do previsto. Ao conferir os resultados do Siafi, a revista não levou em consideração os recursos já empenhados para os programas Brasil Alfabetizado e Valorização e Formação de Professores. No caso da alfabetização, programa criado por este governo, o valor empenhado chega a 87% e na formação de professores, o equivalente a 63%, mesmo após o contingenciamento.
Vera Flores
Coordenadora da comunicação social do MEC
Brasília, DF

 

CORREÇÃO: Na edicão especial Natal Digital (novembro de 2004), a foto identificada como sendo do celular Motorola C650 é na verdade do C355V, da mesma marca (página 64).

 

 

TRANSTORNO OBSESSIVO-COMPULSIVO

Na entrevista "Vou me curar" (3 de novembro), o cantor Roberto Carlos falou sobre o tratamento a que vem se submetendo nos últimos meses para se livrar de um distúrbio psicológico que o acomete há mais de uma década – o transtorno obsessivo-compulsivo (TOC). A leitora Edna Ulsen, da capital paulista, contou que sentiu na pele os efeitos da falta de informação sobre o mal, que lhe "trouxeram angústia e sofrimento". Em tratamento há cinco anos, ela desabafa: "Sofri muita discriminação e deboche no ambiente de trabalho. Com o depoimento de Roberto Carlos, muitos irão entender e tratar melhor os pacientes com TOC". O TOC foi tema de capa de VEJA há sete meses ("Mentes que aprisionam", 5 de maio), com o depoimento marcante da atriz Luciana Vendramini. O transtorno em crianças também mereceu atenção na reportagem "Cheia de manias" (24 de janeiro de 2001).

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ADÃO E EVA TINHAM UMBIGO?

Adão e Eva: umbigo à semelhança de Cristo

O leitor Orlando Kemp Cavalcanti, de Belo Horizonte, levantou uma questão com relação à ilustração da reportagem "Os limites do paraíso" (1º de dezembro), que interessa aos criacionistas e evolucionistas: "As figuras de Adão e Eva deixam à mostra seu belo umbigo. O autor talvez tenha se esquecido que eles não foram paridos e sim moldados do barro e de uma costela". A questão do umbigo de Adão e Eva remonta à Idade Média, quando os sábios da religião passavam eras elucubrando sobre umbigos, "o sexo dos anjos" ou sobre "quantos anjos poderiam dançar na cabeça de um alfinete". A ilustração publicada por VEJA é baseada na obra (Adão e Eva) do pintor alemão Lucas Cranach (1472-1553). Como os primeiros protestantes seus pares, Cranach justificava os umbigos com a tese amplamente aceita então de que os habitantes do paraíso foram criados à imagem de Deus, que veio ao mundo como homem na pessoa de Cristo. E como Cristo tinha umbigo...

 

 
 
 
 
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