|
|
Carta ao leitor
Em 2006 como em 2002  | | Reportagem
de VEJA quando Lula se elegeu em 2002 |
Quando
Luiz Inácio Lula da Silva foi eleito presidente em 2002, VEJA saudou-o
em uma reportagem que, ao tempo de desejar-lhe um governo auspicioso, descreveu
seu feito como um "certificado de qualidade da democracia brasileira". A reportagem
terminava com uma lembrança: "A estabilidade institucional e econômica
do Brasil não esteve em jogo nas eleições. O novo presidente
não recebeu das urnas mandato para revogá-la". É inescapável
constatar que, nos quatro anos de poder, Lula se manteve fiel a suas promessas
econômicas. Fez ouvidos de mercador aos ideólogos e cumpriu o acordado
com a sociedade. Quatro anos depois, Lula foi reeleito
com 60 milhões de votos. Mais uma vez VEJA deseja a ele uma presidência
bem-sucedida, pois disso se beneficiarão todos os brasileiros os
que gostam dele e os que o odeiam. Uma reportagem desta edição mostra
que Lula tem como objetivos permanentes o controle da inflação e
a manutenção dos pilares essenciais ao funcionamento livre dos mercados.
Uma análise dos discursos e entrevistas do presidente depois de apear-se
dos palanques revela uma agenda ainda mais avançada. Lula se compromete
a baixar impostos e diminuir os entraves burocráticos que inviabilizam
o empreendedorismo e martirizam a atividade empresarial formal no Brasil. O presidente
reeleito acena com maior abertura da economia para o exterior e com o fim da cegueira
ideológica que restringiu o acesso de produtos brasileiros ao ávido
mercado consumidor dos Estados Unidos. Como fizemos
em 2002, cabe aqui também uma lembrança. Pelo mesmo princípio
de que não se podem usar mecanismos democráticos para destruir a
democracia, a consagração nas urnas não dá a Lula
mandato para revogar o Código Penal ou as leis eleitorais que pesam sobre
ele e seus partidários por desvios cometidos nos primeiros quatro anos
de governo. A promessa mais vital feita pelo presidente reeleito diz respeito
justamente à vigilância dos cofres públicos, que, no primeiro
mandato, serviram em parte de repasto aos "companheiros". Principalmente, Lula
garantiu que o que ele chama de "erros" não se repetirá. VEJA torce
para que seja assim, sem relaxar, porém, sua vigilância. |