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Edição 1981 . 8 de novembro de 2006

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Auto-retrato
Nizan Guanaes

Como é a vida com 40 quilos a menos? O publicitário baiano Nizan Guanaes, 48 anos, lista maravilhas que vão desde a possibilidade de abrir a mesinha do avião até uma disposição geral incomparável. Embora a cirurgia de estômago só seja recomendada para casos muito graves, Guanaes acredita que se enquadrava na categoria. Longe das campanhas políticas e mais perto da bela Donata Meirelles, diretora da butique Daslu com a qual, depois de quatro anos de casamento, está finalmente repartindo o mesmo teto, ele falou à repórter Sandra Brasil na condição de novo magro.

COM HISTÓRICO DE VINTE ANOS DE OBESIDADE, POR QUE O SENHOR RESOLVEU FAZER A CIRURGIA DE REDUÇÃO DE ESTÔMAGO AGORA?
Cheguei aos 135 quilos, que é peso de gado, e entrei em pânico por causa do meu histórico familiar – meu pai morreu de infarto. O excesso de peso me impedia de dormir direito, tinha apnéia do sono, dores nas articulações. A gordura é um desconforto. Depois, quem tem uma mulher como a Donata, que está na lista das mais belas de São Paulo, tem de se cuidar! Continuo perdendo 1 quilo por semana, e tudo já melhorou. Quero perder mais 10 e chegar a 85 quilos. Mas não virei outra pessoa, só voltei à planta original do projeto.

O SENHOR SEMPRE FOI GORDO?
Sempre briguei com a balança. Nas duas décadas que moro em São Paulo, engordei mais de 2 quilos por ano. Juntando todas as minhas dietas, devo ter perdido uns 8 000 quilos, mas recuperava tudo em seguida. Fiz todos os regimes: dos pontos, do Atkins, da lua, do pão, até do quiabo. Pus balão no estômago e emagreci 20 quilos, mas aprendi a enganar o balão e recuperei tudo. Os endocrinologistas não queriam nem mais me atender, porque eu era propaganda negativa. Sou uma pessoa tensa, ansiosa e sempre canalizei isso para a comida. Eu comia loucamente, não conseguia me controlar. Ingeria umas 6 000 calorias por dia, dava prejuízo nos rodízios. Engolia oito acarajés de uma vez. Agora, um pedaço me deixa satisfeito.

COMO FOI A RECUPERAÇÃO DA CIRURGIA?
As duas primeiras semanas são chatas, porque só é permitido tomar líquido, mas eu já tinha sofrido muito mais com as dietas. Depois, fui aprendendo o que posso ou não comer. Há momentos de náuseas. Mas agora como e bebo de tudo, menos pão e alface, que não descem bem. Tomo duas a três taças de vinho quase todo dia, no jantar.

E A ANSIEDADE, COMO FICOU?
Trabalho mais do que as treze horas diárias de antes, para alegria dos meus clientes e desespero do pessoal do escritório. Trabalho sábado, domingo, tenho muito mais disposição. Tomo guaraná o tempo todo, mas é apenas por vício. Tomo um sorvete no meio da tarde, que desce bem. Na minha mesa tem chocolate, jujuba, só que não mais em potes ou montes. E olhe: tomar sorvete e comer chocolate sem engordar não tem preço. Os médicos disseram para eu nunca mais fazer dieta e não comer nada diet ou light. Isso é coisa de gordo.

O QUE O SENHOR FAZ AGORA QUE NÃO FAZIA ANTES?
É uma delícia ir ao teatro ou ao cinema e passar com folga entre as poltronas. No avião, a aeromoça me mandava apertar o cinto de segurança e eu respondia: "Minha senhora, estou entalado. Só saio daqui se o avião quicar!". Pois agora até a mesinha eu posso abrir. Nas festas que distribuem camiseta, peço tamanho G. Tenho prazer em amarrar os sapatos, o que antes demandava um esforço titânico. Estou adorando perder roupa. Comprei um guarda-roupa novo, já perdi e vou para o segundo. Adoro mudar o buraquinho do cinto, que eu tinha de mandar fazer sob encomenda. Passei a caminhar meia hora, três vezes por semana, e vou começar a fazer musculação, mas não pretendo virar esportista. Sempre gostei de sambar, mas agora tenho muito mais disposição para dançar e me divertir.

ENQUANTO O SENHOR PERDIA PESO, O BRASIL PASSOU POR UMA CAMPANHA POLÍTICA DA QUAL SUAS AGÊNCIAS NÃO PARTICIPARAM. DEU SAUDADE?
Política não é mais o meu negócio. O que eu sabia foi embora com os 40 quilos que perdi. Uma das vantagens maravilhosas de emagrecer é que, agora, posso ficar em cima do muro.

 
 
 
 
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