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Auto-retrato
Nizan Guanaes
Como é a vida com 40 quilos a menos?
O publicitário baiano Nizan Guanaes, 48 anos, lista maravilhas
que vão desde a possibilidade de abrir a mesinha do avião
até uma disposição geral incomparável.
Embora a cirurgia de estômago só seja recomendada para
casos muito graves, Guanaes acredita que se enquadrava na categoria.
Longe das campanhas políticas e mais perto da bela Donata
Meirelles, diretora da butique Daslu com a qual, depois de quatro
anos de casamento, está finalmente repartindo o mesmo teto,
ele falou à repórter Sandra Brasil na condição
de novo magro.
COM HISTÓRICO DE VINTE ANOS DE OBESIDADE,
POR QUE O SENHOR RESOLVEU FAZER A CIRURGIA DE REDUÇÃO
DE ESTÔMAGO AGORA?
Cheguei aos 135 quilos, que é peso de gado, e entrei
em pânico por causa do meu histórico familiar
meu pai morreu de infarto. O excesso de peso me impedia de dormir
direito, tinha apnéia do sono, dores nas articulações.
A gordura é um desconforto. Depois, quem tem uma mulher como
a Donata, que está na lista das mais belas de São
Paulo, tem de se cuidar! Continuo perdendo 1 quilo por semana, e
tudo já melhorou. Quero perder mais 10 e chegar a 85 quilos.
Mas não virei outra pessoa, só voltei à planta
original do projeto.
O SENHOR SEMPRE FOI GORDO?
Sempre briguei com a balança. Nas duas décadas
que moro em São Paulo, engordei mais de 2 quilos por ano.
Juntando todas as minhas dietas, devo ter perdido uns 8 000 quilos,
mas recuperava tudo em seguida. Fiz todos os regimes: dos pontos,
do Atkins, da lua, do pão, até do quiabo. Pus balão
no estômago e emagreci 20 quilos, mas aprendi a enganar o
balão e recuperei tudo. Os endocrinologistas não queriam
nem mais me atender, porque eu era propaganda negativa. Sou uma
pessoa tensa, ansiosa e sempre canalizei isso para a comida. Eu
comia loucamente, não conseguia me controlar. Ingeria umas
6 000 calorias por dia, dava prejuízo nos rodízios.
Engolia oito acarajés de uma vez. Agora, um pedaço
me deixa satisfeito.
COMO FOI A RECUPERAÇÃO DA
CIRURGIA?
As duas primeiras semanas são chatas, porque só
é permitido tomar líquido, mas eu já tinha
sofrido muito mais com as dietas. Depois, fui aprendendo o que posso
ou não comer. Há momentos de náuseas. Mas agora
como e bebo de tudo, menos pão e alface, que não descem
bem. Tomo duas a três taças de vinho quase todo dia,
no jantar.
E A ANSIEDADE, COMO FICOU?
Trabalho mais do que as treze horas diárias de antes,
para alegria dos meus clientes e desespero do pessoal do escritório.
Trabalho sábado, domingo, tenho muito mais disposição.
Tomo guaraná o tempo todo, mas é apenas por vício.
Tomo um sorvete no meio da tarde, que desce bem. Na minha mesa tem
chocolate, jujuba, só que não mais em potes ou montes.
E olhe: tomar sorvete e comer chocolate sem engordar não
tem preço. Os médicos disseram para eu nunca mais
fazer dieta e não comer nada diet ou light. Isso é
coisa de gordo.
O QUE O SENHOR FAZ AGORA QUE NÃO
FAZIA ANTES?
É uma delícia ir ao teatro ou ao cinema e passar
com folga entre as poltronas. No avião, a aeromoça
me mandava apertar o cinto de segurança e eu respondia: "Minha
senhora, estou entalado. Só saio daqui se o avião
quicar!". Pois agora até a mesinha eu posso abrir. Nas festas
que distribuem camiseta, peço tamanho G. Tenho prazer em
amarrar os sapatos, o que antes demandava um esforço titânico.
Estou adorando perder roupa. Comprei um guarda-roupa novo, já
perdi e vou para o segundo. Adoro mudar o buraquinho do cinto, que
eu tinha de mandar fazer sob encomenda. Passei a caminhar meia hora,
três vezes por semana, e vou começar a fazer musculação,
mas não pretendo virar esportista. Sempre gostei de sambar,
mas agora tenho muito mais disposição para dançar
e me divertir.
ENQUANTO O SENHOR PERDIA PESO, O BRASIL
PASSOU POR UMA CAMPANHA POLÍTICA DA QUAL SUAS AGÊNCIAS
NÃO PARTICIPARAM. DEU SAUDADE?
Política não é mais o meu negócio. O
que eu sabia foi embora com os 40 quilos que perdi. Uma das vantagens
maravilhosas de emagrecer é que, agora, posso ficar em cima
do muro.
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