Lauro
Jardim
FUTEBOL
Está chegando a hora de Eurico
As reações de Eurico Miranda, deputado e cartola
do Vasco, contra algumas decisões da CPI do Futebol têm
sido consideradas excessivas pelos senadores. Mas ele deve bufar
mais com uma decisão que está sendo amadurecida
no interior da CPI: a abertura dos seus sigilos bancário
e fiscal.
ADVOGADOS
A OAB não é mais aquela
Durante a ditadura, a redemocratização e o impeachment
de Fernando Collor, a Ordem dos Advogados do Brasil foi uma das
vozes marcantes da sociedade civil. Aos poucos, essa instituição
poderosa foi morrendo, perdendo a importância. Ainda dá
uma opinião aqui e outra ali nas questões nacionais,
mas agora o grosso de seus esforços está concentrado
nos assuntos corporativos e nos interesses previdenciários
dos advogados. O enterro definitivo dessa era de influência
ocorrerá em dezembro, quando será eleito o novo
presidente da OAB: os três candidatos só estão
interessados em temas paroquiais.
ECONOMIA
Falta pouco
Agora que as urnas já foram abertas, vem aí o inevitável
aumento dos combustíveis. Não passa deste mês
e ficará em torno dos 5%.
Jogo de pôquer
Não será surpresa se na véspera do leilão
de privatização do Banespa dois concorrentes juntarem
forças. Fora a parceria Bradesco e Itaú, que não
ocorrerá, quase todas as outras são possíveis.
Novos tempos
Escaldados com a experiência amarga como banqueiros (acabaram
de vender o Banco Boavista), os comandantes do grupo Monteiro
Aranha resolveram pisar no freio. Eles, que já foram sócios
da Volkswagen no Brasil, decidiram apostar em investimentos mais
conservadores, como a compra de grandes prédios comerciais
no Rio de Janeiro e em São Paulo. E estão estudando
vender o magnífico prédio-sede da holding
que, aliás, sofrerá um caprichado enxugamento de
pessoal.
Interesse
alemão
Desembarca nesta semana no Rio de Janeiro, com toda a discrição
possível, uma seletíssima turma de executivos da
cúpula da Basf alemã. Eles têm conversa marcada
com uma companhia brasileira do setor petroquímico, com
a qual podem associar-se para alcançar dois objetivos:
a parte petroquímica da Ipiranga e a Companhia Petroquímica
do Nordeste (Copene).
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O
fim do guaraná Brahma
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| Guaraná:
morte aos 82 anos |
A
AmBev decidiu matar o guaraná Brahma, fabricado desde
1918. Mas nada de assassinato à queima-roupa. Será
uma morte lenta. A primeira etapa do plano da AmBev já
começou. As vendas do refrigerante mais antigo do
país estão a partir de agora restritas aos
supermercados. E dentro de um ano no máximo ele some
do mapa. A idéia é concentrar as energias
no guaraná Antarctica, que em todos os testes de
sabor sempre bateu de longe o antigo concorrente
a ponto de, há seis anos, a Brahma ter mudado a fórmula
de seu guaraná. Como não fazia sentido para
a AmBev fabricar os dois produtos, optou-se pelo óbvio:
tirar do mercado o patinho feio.
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LEGISLATIVO
Santo desperdício
Volta e meia se tem notícia de aprazíveis viagens
de parlamentares para encontros no exterior tudo devidamente
bancado pelo bolso do contribuinte. Na semana passada, houve mais
uma alegre viagem desse trem. Quinze deputados brasileiros estiveram
no Vaticano, num jubileu para parlamentares de vários países
promovido pelo papa João Paulo II. Se há um consolo,
lá vai: a delegação argentina era de 400
parlamentares.
POLÍTICA
Pisando em ovos
Um ex-ministro de FHC, que conhece como ninguém as manhas
do poder, dá a receita de como o presidente se moverá
na contenda entre Jader Barbalho e ACM. Como não dá
para ter, por exemplo, vitória de Jader e derrota de ACM
nem o contrário , porque isso produziria uma
dor de cabeça sem fim, FHC terá de acomodar os dois,
de modo que nenhum deles perca.
CIGARROS
Decisão radical
Durante a reunião preparatória para a convenção
da Organização Mundial de Saúde que vai fixar
protocolos para restrições aos cigarros, os países
árabes foram radicais: propuseram simplesmente a proibição
do tabaco. Quase toda a assembléia, que era presidida pelo
embaixador Celso Amorim, lembrou aos árabes a malfadada
experiência da Lei Seca nos EUA. A proposta foi para o espaço.
TELEVISÃO
Troca-troca
No mês que vem, a Globo aposenta o insosso slogan "35 anos
no coração do Brasil". Será substituído
por "A gente se vê por aqui". Se grudar no gosto popular,
a idéia é que ele seja uma marca registrada da emissora
por muitos anos.
GENTE
De volta às favelas
João Moreira Salles, herdeiro do Unibanco e mecenas do
traficante carioca Marcinho VP, começa a cumprir pena de
prestação de serviços comunitários
no próximo sábado. Dará aulas sobre documentários
a favelados do Morro Pavão-Pavãozinho, na Zona Sul
carioca. Salles foi condenado pela Justiça por ter ajudado
financeiramente o bandido, de quem se aproximou quando dava aulas
como essas na favela que o traficante dominava. Ou seja, Salles
foi condenado a fazer justamente o que já fazia.
CONSUMO
A capital do macarrão
Se for perguntado a qualquer brasileiro qual é a capital
onde mais se consome macarrão, ele responderá sem
medo de errar: São Paulo, cidade-símbolo da imigração
italiana no país. Mas o senso comum está redondamente
enganado. Uma pesquisa do Ibope sobre os hábitos de consumo
do brasileiro revela que acredite, se quiser é
Brasília o lugar onde mais se come macarrão per
capita (96% têm esse hábito). São Paulo ocupa
a quarta posição no ranking, atrás do Recife
e Rio de Janeiro.
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Retrato
do corporativismo
Egberto Nogueira
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| Porto
de Santos: ineficiência |
Talvez seja o caso mais exemplar de não-cumprimento
das leis no país. Até hoje, os sindicatos
não deixam os chamados Órgãos Gestores
de Mão-de-Obra (Ogmos) decidir quais e quantos portuários
trabalharão no embarque e desembarque de mercadorias,
como reza a lei há sete anos. É uma luta infernal
em Santos e no Rio de Janeiro, com resultados catastróficos
para a economia. No final de outubro, uma ação
para que o Ogmo de Santos pudesse escalar os trabalhadores
teve de superar sete liminares na Justiça. Enquanto
isso, um navio ficou parado no porto por quinze dias. Mas,
tudo bem, pode ser porque o Brasil está batendo recordes
de exportação e, afinal, essa história
de que uma economia precisa ser dinâmica e competitiva
deve ser uma grande besteira.
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