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Voto de pobreza

Autores ingleses acham que texto
bom é texto "básico"

Flávio Moura

Há cinco anos, um grupo de cineastas dinamarqueses fez barulho ao firmar um manifesto, o Dogma 95, que abolia recursos como trilha sonora e luz artificial na produção de seus filmes. De carona nessa onda despojada, alguns jovens escritores britânicos acabam de criar uma tábua de mandamentos que propõe o retorno ao que consideram a essência do texto de ficção: a narrativa clara, concisa e linear. O grupo é composto de quinze autores, que acabam de lançar na Inglaterra a antologia de contos All Hail the New Puritans (Salve os Novos Puritanos, em referência à maneira como eles se auto-intitulam). Alguns desses xiitas literários são conhecidos – como Alex Garland, autor de A Praia, que recentemente virou um filme ruinzinho com Leonardo DiCaprio. A idéia dessa turma é levar a simplicidade às últimas conseqüências. Para tanto, não rejeitam apenas as pirotecnias à moda de James Joyce, o irlandês que criava palavras e implodia a pontuação. Para eles, qualquer elemento que cheire a virtuosismo autoral deve ser extirpado. Flashbacks, efeitos poéticos e histórias paralelas estão vetados. Os novos puritanos também acham que os enredos têm de se passar nos dias de hoje e apresentar os lugares com seus nomes reais. A não-observância desse item é considerada a pior das alienações. Como se vê, até para exercer a falta de imaginação é preciso regras.

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