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Humor felino

O repórter e gato que já rugiu
como um leãozinho

Marcelo Camacho

 
Selmy Yassuda
Pedro Bial: ele caiu, de quatro, numa esparrela

Alto, aloirado, com olhos claros que penetram o coração das moças do Baixo Gávea, onde costuma protagonizar saraus poéticos, o carioca Pedro Bial é repórter e gato. O que todo mundo esqueceu é que, em um longínquo dia de 1995, Bial foi também leãozinho. Correspondente da Rede Globo em Londres, ele caiu na esparrela montada pelo americano Joey Skaggs, um especialista em enganar a imprensa. Naquele ano, Skaggs chegou à capital da Inglaterra usando o nome falso de Baba Wa Simba e dizendo-se inventor de uma técnica terapêutica que liberava a porção selvagem dos pacientes. O método consistia em deixar as pessoas de quatro no chão e estimulá-las a urrar como um felinão das savanas africanas enquanto disputavam pedaços de carne crua. Assim como muitos jornalistas, Bial se interessou pela história e resolveu gravar uma reportagem. As cenas que foram ao ar são uma piada. "Ele descobriu que, rugindo, recuperamos o nosso orgulho. Em contato com nosso lado animal nos tornamos seres humanos melhores", anunciou Bial com a pompa habitual, para logo em seguida experimentar a "terapia". De quatro, ele ruge, berra e mexe a cabeça para os lados, como uma fera feroz. Ao final, declara: "Foi mais fácil do que eu pensava. É só lembrar das contas a pagar e soltar o berro. Traz uma sensação de alívio ao corpo e à cabeça, mas a garganta sofre". Só recentemente a Globo tomou conhecimento de que uma de suas estrelas havia caído numa armadilha.

 

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