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Rebelião in Rio

Bandas brasileiras reclamam de discriminação
e abandonam o megafestival de rock

Sérgio Martins

 
Ricardo Fasanello/Strana
O Rappa: por que eles abririam o show de americanos sem expressão?

Apresentada como um megaespetáculo, a terceira versão do Rock in Rio acaba de sofrer sua primeira grande baixa. Na semana passada, seis das principais bandas brasileiras – Raimundos, Charlie Brown Jr., Cidade Negra, O Rappa, Skank e Jota Quest – abandonaram oficialmente o festival. O pivô da rebelião foi a exclusão de O Rappa. Até então, os grupos brasileiros haviam aceitado todas as normas impostas pela produção. Iriam tocar por um cachê simbólico e cederiam músicas e imagens para o disco e o DVD do festival. Foi quando O Rappa soube que se apresentaria ainda de dia, abrindo o show de um punhado de americanos. O grupo reclamou e foi limado do evento. As outras cinco bandas saíram em solidariedade.

Foi uma decisão corajosa – e acertada. No primeiro Rock in Rio, em 1985, era justificável que os brasileiros antecedessem as atrações internacionais, já que vendiam muito menos discos do que elas. Hoje, esse quadro se inverteu: a música brasileira é responsável por 75% do mercado fonográfico nacional. Só os novos lançamentos dos amotinados do Rock in Rio vendem quase o dobro dos principais convidados do festival. Não é o único fator em questão. O evento de 2001 tem músicos de qualidade, como o cantor canadense Neil Young e o grupo americano R.E.M. Boa parte de seu elenco internacional, contudo, é composta de grupos insignificantes ou em final de carreira, como Guns N'Roses. Exigir que um artista nacional de renome abra o show de estrangeiros sem expressão é malandragem dos organizadores. A revanche pode estar a caminho: já há empresários pensando em reunir os renegados do Rock in Rio num festival paralelo.

 

 

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