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A
indicação da juíza Ellen Gracie Northfleet
para o Supremo Tribunal Federal é um símbolo
da ascensão feminina no país, um movimento
que pode ser verificado em diversas áreas de
atuação profissional, nos indicadores de salário
e riqueza e nas estatísticas de escolaridade
Eliana
Giannella Simonetti
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Edison Vara
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| A
juíza Ellen Northfleet: carreira planejada e ambição de ocupar
um posto num fórum internacional |
As
feministas mais radicais poderão dizer que a eleição
de Marta Suplicy em São Paulo e a indicação
da juíza Ellen Gracie Northfleet para o Supremo Tribunal
Federal (STF), na semana passada, não querem dizer muita
coisa. Poderão argumentar que a mulher brasileira continua
sendo discriminada e mantida artificialmente em segundo plano pela
sociedade machista. Mas o que os dados indicam é que está
em andamento um processo de equiparação entre os sexos
em casa, na escola, no trabalho e na política brasileira.
Em alguns campos a mulher já livrou uma pequena vantagem
sobre os homens. É muito mais que um símbolo o fato
de o Brasil escolher, pela primeira vez na História, uma
mulher para o mais alto tribunal do país e ter eleito outra
para dirigir a maior metrópole brasileira. Nesta reportagem,
o leitor verá as fotos de 66 mulheres de muito sucesso, obtido
em alguns casos na competição direta com os homens
em áreas dominadas há séculos por eles. São
apenas alguns exemplos. Seria preciso editar um catálogo
para mostrar as principais personagens desta etapa fundamental do
processo de modernização da sociedade brasileira.
Alguns indicadores recentes que ajudam a entender o fenômeno:
.Segundo a última Pesquisa Nacional
por Amostra de Domicílios divulgada pelo Instituto Brasileiro
de Geografia e Estatística (IBGE), o rendimento das trabalhadoras
brasileiras cresceu quase o dobro da média nacional entre
1993 e o ano passado. Nesse período, o rendimento médio
da população ocupada aumentou 24%. O salto das mulheres
foi de 43%. O dos homens, de 19%. Profissionais do sexo masculino
ainda ganham mais, mas a diferença vem se reduzindo.
.As mulheres já são a maioria
do eleitorado. Nas últimas eleições municipais,
havia candidatas bem cotadas nas pesquisas de intenção
de voto em sete capitais. Seis foram eleitas. O número de
prefeitas aumentou 85% na última década.
.As mulheres estão conseguindo
mais emprego que os homens. A última pesquisa mensal de emprego
do IBGE mostra que o número de mulheres trabalhando cresceu
mais rapidamente que o de homens, neste ano. A taxa de crescimento
feminina ficou em 1,5%, enquanto a masculina ficou em 0,6%. Das
720.000 vagas de trabalho abertas desde
janeiro, 444.000 foram ocupadas por mulheres.
.Também segundo o IBGE, em 1995
as mulheres eram responsáveis por 23% das famílias
brasileiras. No ano passado, cuidavam da casa, da saúde e
das finanças de 26% dos lares.
.Uma pesquisa sobre condições
de vida feita pela fundação Seade, ligada ao governo
de São Paulo, descobriu que o grau de instrução
da população feminina melhorou desde 1994. Naquele
ano, 35% das mulheres tinham pelo menos o ensino médio completo.
Hoje são 43%. O mesmo trabalho indica que as mulheres já
são maioria entre os trabalhadores brasileiros. Sua participação
na força de trabalho do país saltou de 47% em 1994
para 51%, atualmente.
.Segundo dados do Instituto Universitário
de Pesquisas do Rio de Janeiro (Iuperj), 17% dos aprovados em concursos
para juiz em 1985 eram mulheres. Dez anos depois elas eram 29%.
"As mulheres jovens estão mudando o perfil da magistratura
brasileira", diz a socióloga Maria Alice Rezende de Carvalho,
uma das autoras da pesquisa publicada no livro Corpo e Alma da
Magistratura Brasileira.
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| Carla
Roemmler, gaúcha de 37 anos, comandante de aviões
em vôos comerciais, alvo de preconceitos no início
de sua carreira: os passageiros não percebem a diferença
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Os
ministros do STF comemoraram a indicação da juíza
Ellen para sua corte sisuda. Os onze ministros formam um clube do
Bolinha fechadíssimo. Até pouco tempo atrás
moravam todos no mesmo prédio. Têm convivência
social limitada fora do altiplano das grandes questões do
direito. Vão de casa para o trabalho e de lá de volta
para casa, sem escalas. No tribunal, saem de seus gabinetes para
um salão, ao lado do plenário, onde mulheres jamais
puseram os pés. Nesse salão fica uma mesa em que o
lanche é servido por um garçom. Há dois banheiros.
Agora, os ministros planejam pendurar na porta de um deles uma plaquinha
com o desenho de uma moça de saias. Um ícone. Só
em maio deste ano o STF passou a admitir que mulheres circulem de
calça comprida no salão do plenário e nos gabinetes
dos ministros. E a decisão foi tomada depois de uma longa
reunião secreta. "Uma mulher vai oxigenar a tradição
machista do tribunal", diz o ministro Nelson Jobim, que foi colega
da juíza quando estudante, na universidade, e como professor,
na escola de magistratura.
Ellen
Northfleet, de 52 anos, é presidente da Primeira Turma do
Tribunal Regional Federal (TRF) do Sul, que tem jurisdição
sobre Rio Grande do Sul, Paraná e Santa Catarina. Exibe a
circunspecção peculiar dos magistrados, mas fará
diferença no Supremo também nessa matéria.
Para começar, adora plantas. Se o STF tem algum ministro
apaixonado por camélias ou antúrios, esse senhor manteve
sua predileção em segredo. Ellen, não. Ela
tem dezenas de vasos em seu gabinete e plantou uma nova árvore
em cada vara de Justiça que inaugurou no interior do Rio
Grande do Sul. Mas não é só um prazer de diletante.
A juíza vai fundo nas coisas. Conhece o nome científico
das plantas, sua origem e as melhores técnicas de plantio
para cada espécie. Gosta de viver bem e sente-se à
vontade tomando decisões que mudam a vida das pessoas. Tem
a fama de dominar tudo a sua volta. Mora num belíssimo apartamento
no bairro Moinhos de Vento, o mais requintado de Porto Alegre, com
vista para o porto. Gosta de cozinhar e faz um tempero para salada
que os familiares reputam o melhor que já comeram. Bebe vinhos
e fala deles com desenvoltura. "É uma moça muito bonita
e competente", diz o general Leônidas Pires Gonçalves.
Foi ele, quando era ministro do Exército do governo Sarney,
que indicou Ellen para a presidência do TRF.
Thyago Nogueira
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| Ana
Rita Streifinger, de 33 anos, capitã do Corpo de Bombeiros
de São Paulo: treinamento idêntico ao dos homens
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O bisavô paterno de Ellen veio do Estado da Virgínia,
nos Estados Unidos, depois da guerra civil americana, em meados
do século XIX. Seu pai tornou-se oficial da Aeronáutica.
A família viveu em São Paulo, em Minas Gerais e no
Rio de Janeiro antes de mudar-se para Porto Alegre. Ellen teve do
melhor, em matéria de educação. Fala fluentemente
inglês e espanhol. Entende italiano e francês. Desde
garota atuou como tradutora. Ela trabalha ouvindo CDs de música
popular brasileira, jazz, Mozart, Bach, Brahms e cantos gregorianos.
Formou-se em direito na Universidade Federal do Rio Grande do Sul,
casou-se com um médico psiquiatra, de quem se separou há
cerca de dez anos, e tem uma filha, Clara, de 22 anos, estudante
de direito. Hoje namora um jurista gaúcho.
Embora
tenha sido reprovada num concurso para juíza federal em 1978,
o currículo da desembargadora Ellen mostra que ela é
uma fera. E que não deixa dúvida sobre para que lado
pende sua ciência jurídica quando está em jogo
a desestatização do país. Sua mais famosa decisão
foi a cassação de uma liminar que impedia a privatização
da Companhia Vale do Rio Doce. Também derrubou o pleito de
reajuste salarial de 29% dos funcionários públicos
federais em 1997, o auge da crise asiática. E suspendeu uma
liminar que havia interrompido o processo de criação
de pólos rodoviários no Rio Grande do Sul. Assim,
as licitações puderam prosseguir. "Ellen é
uma das pessoas que mais entendem de administração
da Justiça e de direito internacional no país", diz
Carlos Eduardo Caputo Bastos, advogado de Brasília que é
ministro substituto do Tribunal Superior Eleitoral.
Claudio Rossi
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| As
procuradoras da República Isabel Cristina Groba, Maria
Luisa Duarte e Janice Ascari: em São Paulo elas são
maioria |
Desde 1997, Ellen, que é carioca e trabalha em Porto Alegre,
dá palestras para empresários no Brasil inteiro. Participa
de reuniões da bancada gaúcha no Congresso. Freqüenta
festas e é figura constante nas colunas sociais dos jornais
gaúchos. Promoveu um festão inesquecível num
hotel cinco-estrelas de Porto Alegre para comemorar os dez anos
do TRF. Também dá um jeitinho, sempre que pode, de
representar o Brasil em eventos internacionais. Ou seja: Ellen aparece,
e muito. Quem a conhece garante que ela planejou sua carreira passo
a passo e que almeja um posto num fórum internacional. "Sempre
tive certeza de que ela chegaria aonde quisesse", diz Aida Santin,
psiquiatra que é a melhor amiga da juíza.
Embora
mulheres como Eva Blay, feminista histórica, que leciona
sociologia na Universidade de São Paulo, e Nélida
Piñon, primeira escritora a presidir a Academia Brasileira
de Letras, não estejam muito convencidas, o movimento de
ocupação do batalhão feminino está acelerado.
"Há inúmeras mulheres notáveis que testemunham
a ascensão feminina nos últimos tempos. Não
constituem, no entanto, símbolos de uma equalização",
diz Nélida Piñon. A juíza Ellen é uma
pioneira, é verdade. Mas a observação de informações
relativas a mulheres no Brasil indica que ela não é
exceção. "A auto-estima feminina tem melhorado, e
isso é estimulante", afirma Denise Gimenez Ramos, professora
de psicologia da Pontifícia Universidade Católica
de São Paulo. Alguns exemplos de que a roda está girando
num ritmo veloz:
Desde o ano passado, duas mulheres ocupam postos de ministro no
Superior Tribunal de Justiça, uma corte de recursos que fica
meio degrau abaixo do STF: Eliana Calmon e Fátima Nancy Andrighi.
Uma frase de Eliana Calmon dá idéia da diferença
que uma mulher faz num tribunal: "Eu não posso julgar o processo
de um pobre com a rigidez técnica que emprego no de um rico.
Vejo as pessoas atrás dos processos".
Em julho, o presidente Fernando Henrique Cardoso escolheu uma mulher
para assumir a Secretaria Executiva da Comunidade dos Países
de Língua Portuguesa. É Dulce Maria Pereira, presidente
da Fundação Cultural Palmares, que defende o direito
dos negros no Brasil.
Aos 107 anos de vida, a Escola Politécnica da Universidade
de São Paulo passou a ter em seus quadros pela primeira vez,
neste ano, uma professora titular. Maria Cândida Faciotti
prestou concurso em maio, e foi nomeada. Ela trabalha com pesquisa
de produção de enzimas e fermentação
alcoólica e produção de antibióticos
antitumorais. A Faculdade de Direito do Largo São Francisco,
em São Paulo, também tem na direção,
pela primeira vez em 173 anos, uma mulher, Ivette Senise Ferreira.
Nas empresas, as mulheres vêm sobressaindo. A filial brasileira
do banco Merrill Lynch tem 42% de mulheres entre seus 244 funcionários.
Um terço delas em altos postos. Nos últimos cinco
anos a Phillip Morris duplicou, em termos porcentuais, sua população
executiva feminina. A Citroën inaugurou no final de outubro,
em São Paulo, uma concessionária onde só trabalham
mulheres da diretoria à oficina mecânica, da
recepção à segurança. Uma pesquisa feita
pela empresa revelou que a opinião feminina é decisiva
na venda de sete entre dez carros.
Desde o início do ano uma agrônoma carioca de 34 anos,
Cláudia Malheiros, é treinadora de um time de futebol
profissional, o Andirá, que disputa a primeira divisão
do campeonato do Acre. Antes de Cláudia, o Andirá
não tinha uniforme nem campo para treinar. Ela conseguiu
patrocínio para o time e tratamento médico e odontológico
para os jogadores.
Dilmar Cavalher/Strana
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| Monique
Vidal, de 29 anos, delegada: depois de atuar contra gangues
do Rio e pedir a prisão de Ryan Gracie, lutador de jiu-jítsu,
foi transferida para a Delegacia de Repressão ao Crime
Organizado |
Um estudo da economista Christina Larroudé de Paula Leite,
professora da Fundação Getúlio Vargas de São
Paulo, flagrou a ascensão feminina num campo onde a presença
delas era rarefeita: o mundo executivo. Ela investigou a vida de
51 mulheres de sucesso e concluiu que para ascender profissionalmente
elas nem sequer precisam imitar os homens. Ao contrário.
São justamente suas características femininas que
as favorecem. Segundo ela, o homem é muito imediatista. Não
se incomoda de tomar uma decisão e mudá-la logo depois.
A mulher, antes de decidir, faz questão de cercar-se de muita
informação, para estar mais segura e poder manter
seu ponto de vista. O homem também é mais individualista,
gosta de sobressair, enquanto a mulher valoriza mais o trabalho
em equipe. As mulheres que se materializaram no estudo da professora
são mais perseverantes, mais perfeccionistas e mais constantes.
"Homens e mulheres são diferentes. E é muito bom que
seja assim. Desta forma, podem trabalhar de maneira complementar",
diz a economista. "A fase das pioneiras já está ultrapassada.
As heroínas já terminaram sua tarefa de abrir caminhos,
enfrentar mitos e impor a presença feminina como algo natural."
Fernando Lemos/Strana
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| A
atriz Fernanda Montenegro, de 71 anos, dona de uma carreira
de sucesso no teatro, na televisão e no cinema: indicada
para o Oscar pelo filme Central do Brasil |
Isso está acontecendo sem que as pessoas se dêem conta.
E não é só no Brasil que os sexos estão
empatando ou virando o jogo. Nos Estados Unidos, embora persista,
a diferença salarial entre homens e mulheres foi reduzida.
Hoje elas recebem, em média, o correspondente a 82% do salário
pago a seus colegas do sexo masculino. De acordo com um levantamento
publicado no site americano da Microsoft Network, existem nos Estados
Unidos pelo menos 8 milhões de empresas dirigidas por mulheres.
Elas respondem pela geração de um quarto de todos
os empregos do país. Entre os americanos, os preconceitos
desabaram. A Hewlett-Packard, fabricante de equipamentos de informática,
é dirigida por uma mulher formada em história medieval
e filosofia, Carly Fiorina. Os 736 cursos ministrados nas universidades
americanas, a respeito de problemas femininos, estão sendo
questionados por uma nova categoria de mulheres, as que não
querem saber de ser tratadas como vítimas da sociedade.
André Valentin
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| Mayana
Zatz, pesquisadora numa família de acadêmicos:
pioneira do Projeto Genoma no Brasil |
Um estudo feito pelo Inter-Parliamentary Union, uma organização
internacional com sede na Suíça, conclui que a ampliação
da participação feminina em todos os níveis
alarga e enriquece, torna mais honesto e transparente o processo
político. O avanço, assim, não é só
de um grupo, mas de toda a sociedade. Num livro que discute a mulher
pós-feminista, A Terceira Mulher, publicado no Brasil,
o filósofo francês Gilles Lipovetsky conclui: "O homem
não foi derrotado. A mulher é que está encontrando
seu espaço. E sozinha. Sem proteção nem briga".
O
debate literário em torno da questão feminina é
uma face divertida do período que o mundo atravessa. A transformação
que está ocorrendo vem dando margem às teorias mais
disparatadas. Num livro recém-lançado na Inglaterra,
Women at Work: Strategies for Survival and Success (A Mulher
no Trabalho: Estratégias para a Sobrevivência e o Sucesso),
Anne Dickson, uma consultora de recursos humanos, diz que as mulheres
não progridem mais rapidamente na vida profissional porque
têm comportamentos, inerentes ao sexo, que atrapalham. Os
problemas femininos, segundo ela, são bem peculiares. "Elas
têm necessidade de ser amadas, o que tira a sua objetividade",
explica Dickson. A sensibilidade para os sentimentos e as necessidades
alheias leva a mulher a ter o impulso de acomodar situações.
A intolerância com o jeito dos homens de sempre agir como
se soubessem de tudo, especialmente quando não sabem, cria
atritos desnecessários. "A mulher tende a se sentir solitária,
isolada e deprimida quando enfrenta problemas que não consegue
resolver", diz Dickson.
Ocorre
que, pela dinâmica da economia moderna, que exige mais sensibilidade
para problemas internos e externos das empresas, as características
das mulheres que antes pareciam fraquezas hoje acabam sendo até
mais valorizadas. É o que constata a antropóloga americana
Helen Fisher, autora de The First Sex: The Natural Talents of
Women and How They Are Changing the World (O Primeiro Sexo:
Os Talentos Naturais das Mulheres e Como Elas Estão Mudando
o Mundo). Fisher sustenta que as mulheres têm maior capacidade
de ouvir, sobrevivem melhor em tempos de aperto e são naturalmente
mais capazes para fazer planejamentos de longo prazo. Soa como as
primeiras bravatas feministas, mas é um ponto de vista que
merece atenção.
As
mulheres estão numa fase profissional sem igual na História
brasileira. O impacto disso sobre seu papel de mãe e de rainha
do lar ainda vai merecer muito estudo. Mas, por enquanto, elas não
se preocupam muito com essa questão. Aplicam-se mais nos
estudos, são mais comprometidas com a carreira, valorizam
sua capacidade de trabalho e são flexíveis. Aceitam
até ganhar menos para conseguir uma oportunidade. Pilotam
aviões, barcaças, caminhões de corrida. Fazem
cirurgias delicadas, administram fortunas e chefiam siderúrgicas.
Diz Janice Ascari, chefe da Procuradoria da República no
Estado de São Paulo: "Chegamos a um patamar em que estamos
em pé de igualdade ou até em vantagem em comparação
com os homens".
Com
reportagem de
Denise Ramiro e Cristiana Baptista
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