Outra batalha
O
câncer não é o único problema do
governador
Mário Covas. Seu coração
também volta a dar sinais de fraqueza
Cristina
Poles
Sergio Castro/AE
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| Covas,
na saída do hospital: riscos atenuados |
Depois
de ser informado de que estava outra vez com câncer, o governador
de São Paulo, Mário Covas, recebeu uma segunda notícia
ruim: seu coração safenado voltara a dar sinais de
que não andava nada bem. Uma grande placa de gordura obstruía
a principal artéria cardíaca, a descendente anterior.
Se nada fosse feito, disseram-lhe os médicos, ele dificilmente
sobreviveria à operação de retirada do novo
tumor, a ser realizada na segunda metade deste mês. Sem alternativa,
Covas internou-se na semana passada no Instituto do Coração,
na capital paulista, para fazer uma cirurgia de desobstrução
coronariana, conhecida pelo nome de angioplastia. O procedimento,
que vem sendo realizado no Brasil há cinco anos, durou apenas
25 minutos. Após aplicar anestesia local no governador, o
cardiologista Wady Hueb fez um pequeno corte em sua virilha. A incisão
abriu caminho para que fosse introduzido um cateter do diâmetro
de uma carga de caneta Bic na artéria femural direita. Guiado
por um monitor de raio X, o médico deslizou o cateter até
o vaso comprometido. O instrumento, que trazia um balão na
ponta, esmagou a placa de gordura contra a parede da artéria,
desobstruindo-a. Em seguida, um segundo cateter instalou uma prótese
tubular de titânio, chamada "stent", para impedir que a placa
de gordura voltasse a entupir o vaso (veja quadro).
Dentro
de vinte dias, Covas será internado novamente no mesmo hospital,
para remover o tumor maligno que desta vez apareceu entre a bexiga
e o intestino. Os dois médicos que comandarão a cirurgia,
o urologista Sami Arap e o gastroenterologista Raul Cutait, não
sabem exatamente o que encontrarão pela frente ao abrir o
abdome do governador. É possível que existam outros
focos de câncer, indetectáveis por meio de exames.
A mais completa tomografia só consegue identificar uma lesão
que já atingiu o tamanho de um grão de arroz. A agressividade
de um tumor é medida por uma escala que vai de 1 a 4. O de
tipo 1 é o menos maligno. A intensidade da lesão de
Covas chega a 3.
Quando
ele teve o primeiro tumor, retirado em 1998, sua família
foi avisada de que havia 70% de probabilidade de que a doença
reaparecesse. A volta do problema, estimam os médicos, deve
ter agravado a condição cardíaca do governador.
Isso porque o sangue dos pacientes que sofrem de câncer coagula
mais, o que propicia a formação de placas de gordura
nas artérias. Em julho, um exame já havia constatado
que a artéria descendente anterior de Covas se apresentava
90% entupida. Em três meses, esse índice chegou a 98%,
o que tornou vital a angioplastia. "Os riscos não sumiram,
mas estão atenuados", afirma Wady Hueb. Além de ter
uma prótese de titânio no coração, o
governador está tomando uma série de remédios
anticoagulantes.
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