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Choque vital

Desfibrilador, o aparelho portátil que pode
salvar muitas vítimas de parada cardíaca


Fotos Antonio Milena
 


Os espectadores da série Plantão Médico volta e meia são brindados com cenas em que pacientes são reanimados por meio de uma descarga elétrica no peito. O equipamento utilizado nesses casos é o desfibrilador. Dois estudos recém-publicados no New England Journal of Medicine, uma das mais conceituadas revistas científicas americanas, mostram que versões portáteis da engenhoca podem elevar em muito as chances de sobrevivência de quem sofre uma parada cardíaca longe de um hospital. A principal causa da parada cardíaca nessa situação é o infarto. A falta de irrigação sanguínea do músculo cardíaco faz com que o coração pare de funcionar. Em 85% dos casos, ele não cessa de pulsar num primeiro momento, mas mantém um ritmo de batida irregular, denominada fibrilação ventricular. Trata-se de uma pane elétrica no órgão, que o torna incapaz de bombear o sangue. É nesse instante que o desfibrilador deve entrar em cena. Descargas certeiras podem ser capazes de restabelecer a atividade cardíaca. Se os choques forem aplicados nos primeiros dois minutos após o infarto, as chances de sobrevivência da pessoa ultrapassam os 70%. Depois disso, com o passar de cada minuto caem em 7% as possibilidades de sucesso.



O equipamento em ação: descarga elétrica para reanimar o coração

Os desfibriladores portáteis pesam pouco mais de 1 quilo e custam cerca de 3.500 dólares. Nos Estados Unidos, muitos locais públicos já possuem esses equipamentos. Como as estatísticas indicam que metade das paradas cardíacas são presenciadas por adolescentes, campanhas em escolas americanas ensinam os alunos a manejar o aparelho em caso de necessidade. Por aqui, a Sociedade Brasileira de Cardiologia implantou cursos desse tipo em algumas capitais e há um projeto de lei na Câmara dos Deputados que propõe a obrigatoriedade do equipamento em grandes firmas, aeroportos e aviões. A Varig já equipou todas as suas aeronaves com desfibriladores. A tendência é que outras empresas façam o mesmo, sem que haja necessidade do cabresto da lei.

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