Eles estão
mais perigosos
Aumenta
o número de menores envolvidos em
crimes graves. O que se deve fazer a respeito?
Robson
Luquêsi
Ormuzd Alves
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| Em
menos de um ano, quatro vezes mais assaltos a mão armada
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Um
levantamento do Departamento da Criança e do Adolescente
do Ministério da Justiça mostra o crescimento do número
de menores de idade retidos pela prática de crimes graves.
As estatísticas se baseiam na quantidade de prisões
efetuadas em 1999 e entre janeiro e junho de 2000 (veja
quadro). No ano passado inteiro, 2.400
jovens de 12 a 18 anos viram-se detidos, acusados de homicídio.
Cifra que bateu em 3.000 apenas no primeiro
semestre deste ano. No capítulo dos assaltos a mão
armada, o aumento é ainda maior: 300 adolescentes foram presos
em 1999 e 1.500 nos primeiros seis meses
de 2000. Seqüestro? Um menor detido no ano passado, contra
22 de janeiro a junho últimos. O salto no número de
prisões, infelizmente, não indica que a polícia
brasileira ganhou em eficiência. Que teria passado a capturar
os criminosos que antes escapavam de suas mãos. Significa,
isso sim, que os bandidos adolescentes formam uma horda em expansão
acelerada.
A
razão mais forte para o fenômeno é a relativa
impunidade de que gozam os menores no Brasil, graças a uma
legislação que contempla mais a sociologia do que
a criminologia o Estatuto da Criança e do Adolescente.
Quando um jovem desses é preso por ter cometido um delito
pesado, já sabe que dificilmente permanecerá mais
do que três anos detido. Aliás, o termo "preso" a rigor
nem poderia ser utilizado. Menores infratores são julgados
em cortes especiais e internados em instituições como
a Febem, das quais é facílimo fugir. Essa perspectiva
de uma pena branda representa um estímulo e tanto para que
eles ousem cada vez mais. A maioria desses adolescentes não
age de forma autônoma, mas a mando de bandidos adultos, que
os usam para fazer o trabalho mais sujo. Afinal de contas, ao contrário
dos marmanjos, a molecada está praticamente acima da lei.
É o estatuto da malandragem.
A
verdade é que a legislação atual é uma
peça para inglês ver, sueco colocar em prática
e brasileiro ignorar. Ela prevê que menores infratores tenham
atendimento personalizado, sejam separados por faixa etária,
compleição física e grau de delito cometido.
As internações devem ser feitas em estabelecimentos
com capacidade para quarenta pessoas, no máximo. Além
disso, o trabalho de reabilitação precisa contar com
a participação das respectivas famílias. As
salvaguardas garantidas pelo estatuto só têm sentido
se acompanhadas por tais providências. Não é
o que acontece. Como não dá para virar uma Suécia
em curto prazo, a saída mais rápida para atenuar o
problema seria a redução da maioridade penal para
16 anos. Ou seja, a partir dessa idade, os menores infratores deixariam
de contar com regalias. Passariam a ser julgados como adultos e
a estar sujeitos às mesmas penas. Os defensores da medida
acreditam que a sua simples aprovação levaria a uma
queda brusca dos casos de criminalidade juvenil, já que a
legislação não funcionaria mais como escudo
para o bandido adolescente e o adulto que o arregimenta. No que
se refere especificamente ao novo limite de idade que querem ver
estabelecido, eles brandem um número em seu favor: cerca
de 65% dos menores que cometem delitos graves têm entre 16
e 17 anos.
Tramitam
hoje na Câmara Federal catorze projetos de emenda constitucional
para reduzir a maioridade penal. Eles foram agrupados em um só
texto que deverá ser votado em plenário no ano que
vem. Quem é contra a idéia costuma utilizar o argumento
da "questão social". Responsabilizar criminalmente menores
de idade seria uma medida retrógrada que não atacaria
a causa principal do problema a falta de amparo, o abandono
a que está submetida boa parte das crianças e dos
jovens brasileiros. É um ponto de vista desfocado e que mistura
alhos e bugalhos. Que os desajustes socioeconômicos são
grandes e devem ser combatidos, ninguém discute. Mas eles
não podem servir de justificativa para a impunidade. Os mesmos
que acham ser a pobreza uma atenuante indignam-se quando a riqueza
é invocada para privilegiar um criminoso. Não percebem
que se trata também de uma "questão social".
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