O
Rolls-Royce dos ares
Jorge Paulo Lemann,
megainvestidor brasileiro, compra o helicóptero mais sofisticado
do mundo
João Luiz Guimarães
Fotos divulgação
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F
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A
aeronave franco-alemã da Eurocopter e uma vista de seu
interior: potência do motor equivale à de oito
automóveis esportivos juntos |
O
mercado de helicópteros de luxo assemelha-se ao de automóveis
de primeira linha. A todo instante as fábricas lançam
uma versão mais rápida, mais bem equipada, mais sofisticada.
A sensação do momento é um helicóptero
franco-alemão, o EC-155, aparelho de 7,5 milhões de
dólares fabricado pela Eurocopter, um consórcio entre
as empresas Aerospatiale, da França, e DaimlerChrysler Aerospace,
da Alemanha. A aeronave tem chamado a atenção dos
especialistas e dos ricaços porque é a máquina
mais veloz e sofisticada já construída até
hoje um Rolls-Royce dos ares. Mesmo com seu corpanzil de
5 toneladas, consegue atingir 324 quilômetros por hora. Com
isso, deixa para trás o concorrente italiano Agusta A109
Power, que era considerado a "Ferrari dos ares" por chegar a 311
quilômetros por hora. Desde o seu lançamento, há
menos de dois anos, já foram comercializadas quarenta unidades.
Os principais clientes são as Forças Armadas de todo
o mundo e empresas petrolíferas. Somente três unidades
foram parar nas mãos de particulares. Uma delas pertence
ao xeque de Dubai, Mohammed Bin Rashid Al Maktoum, chefe de governo
dos Emirados Árabes Unidos, uma pequena e rica nação
incrustada na entrada do Golfo Pérsico. A outra foi arrematada
pelo magnata da imprensa americana Fred Drasner, do jornal New
York Daily News e da revista US News & World Report.
E o último deles está sendo comprado pelo megainvestidor
brasileiro Jorge Paulo Lemann, ex-dono do banco Garantia.
Marcos Guião
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Divulgação
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| Jorge
Paulo Lemann
e o xeque de Dubai: dois dos felizes proprietários da
supermáquina |
No
mercado da aviação brasileira, a chegada do EC-155
e o nome do comprador são motivo de comentários. "Ele
foi comprado por um grande empresário do setor financeiro
de São Paulo, que já possui outro helicóptero,
um Dauphin N2, de 6,5 milhões de dólares, mas que
não gostaria de ter o seu nome revelado porque já
teve problemas com segurança", admite Fabrice Cagnat, diretor
comercial da Helibras, que se recusa a dar maiores detalhes sobre
a operação. Não há mais de duas dezenas
de Dauphin N2 voando no Brasil. Desses, somente um pertence a um
empresário do setor financeiro paulista que já teve
problemas com segurança.
Procurado por VEJA, o investidor não deu entrevista nem fez
qualquer declaração simplesmente não
respondeu, seja por meio de algum assessor, seja por escrito. Por
iniciativa própria, um auxiliar direto de Lemann falou sobre
a compra, mas não quis que sua identidade fosse revelada:
"Se eu aparecer dando declarações sobre isso, perco
meu emprego", avisa. Um executivo do mercado da aviação,
que também pede sigilo, confirma a transação.
"O Lemann encomendou mesmo o helicóptero, em nome do GP Investimentos,
e vai dividir o uso da máquina com seu sócio, Carlos
Alberto Sicupira", conta ele. Mais uma fonte, também muito
próxima aos negócios da aviação brasileira,
informa: "É do Lemann mesmo". A representante da Eurocopter
no país, a Helibras, já recebeu 30% do valor do helicóptero.
O restante será pago na entrega. O super-helicóptero
deve desembarcar por aqui desmontado em contêineres em julho
de 2001.
O Brasil possui 900 aeronaves, número que cresce a uma taxa
de 10% ao ano. Metade desse total se concentra em São Paulo,
cidade cuja frota só perde em tamanho para a de Nova York
e a de Tóquio. Segundo os especialistas, não apenas
a quantidade dos helicópteros está aumentando, mas
também a qualidade. O investidor encomendou uma versão
executiva do EC-155. O aparelho sai de fábrica com doze poltronas.
Lemann quer manter apenas seis. Suas duas turbinas produzem um empuxo
semelhante ao de oito motores do carro Audi A3 Turbo. Tamanha potência
se justifica: voando a uma altura de 1.000 metros e com total controle
por instrumentos, o EC-155 é capaz de percorrer a distância
entre São Paulo e Rio de Janeiro em cerca de uma hora. De
jato, considerando o tempo de deslocamento de carro até o
aeroporto e o dos procedimentos que antecedem o embarque e o desembarque,
leva-se três horas. Manter uma máquina dessas custa
1 milhão de reais por ano com despesas de manutenção
e de pessoal.
Com
reportagem de Rosana Zakabi
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