Blindados de
fábrica
Montadoras
de carros de luxo começam
a trazer para o Brasil veículos à prova de bala
Bia
Barbosa
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| BMW
750iL: o único que existe no Brasil é do embaixador
dos Estados Unidos |
Os
fabricantes de carros de luxo descobriram que têm para vender
algo que os brasileiros estão doidos para comprar: segurança.
Não se trata de airbags de última geração
ou freios ABS, itens que enlouquecem os consumidores europeus, mas
de blindagem da melhor qualidade. Carrões transformados em
fortalezas sobre rodas pelos próprios fabricantes estão
se tornando o produto mais quente das concessionárias. Até
então, o dono de uma máquina dessas precisava se dar
ao trabalho de mandar reforçá-la numa empresa especializada.
Comprando um carro que já sai da linha de montagem com capacidade
de resistir aos tiros de assaltantes e seqüestradores, ganha
tempo, acabamento que disfarça melhor os vidros supergrossos
e suspensão adaptada. Só a Mercedes-Benz já
vendeu mais de 120 veículos blindados neste ano. A empresa
alemã oferece três modelos e deve trazer outro no ano
que vem. A Volvo, montadora sueca conhecida por seus automóveis
extremamente seguros, também tem à disposição
três modelos que já vêm blindados da fábrica.
Com cerca de 50.000 reais a mais, compram-se
na concessionária desde os mais simples, como os S40 e o
V40, até o luxuoso S80, que sai com garantia original. Em
dezembro, chega a perua V70, o quarto modelo à prova de bala.
Devidamente preparados para enfrentar a selva das ruas brasileiras,
são carros de preço salgado, entre 158 000 reais,
o mais barato, e 260 000 reais.
A
blindagem está sendo oferecida na forma de um opcional, como
se fosse ar-condicionado ou CD-player. A BMW, que tem em linha os
modelos 740 e 540 blindados, exibiu há dois meses, pela primeira
vez no país, o 750iL High-security, um carrão de 1,2
milhão de reais, preparado para resistir a ataques terroristas.
Isso significa capacidade de preservar a vida de seus ocupantes
e fugir mesmo depois de ataque com granadas de mão e tiros
de fuzis. Por enquanto, o único modelo desse tipo no Brasil
está a serviço da Embaixada dos Estados Unidos em
Brasília. A fábrica, sediada em Munique, na Alemanha,
planeja ainda oferecer aos brasileiros a blindagem como opcional
na série 3, seus modelos mais simples. São carros
que custam, sem blindagem, cerca de 110.000
reais, preço semelhante ao do Volvo V40. A Audi-Senna vende
por 240.000 reais o modelo A6, que já
vem blindado da fábrica da Audi na Alemanha. Os fabricantes
de veículos de luxo trabalham há décadas com
blindagem. Os consumidores tradicionais são os magnatas do
Oriente Médio, os empresários franceses e, evidentemente,
os endinheirados da Colômbia e do México, os dois únicos
países latino-americanos à frente do Brasil em número
de seqüestros e quantidade de carros blindados.
As
vendas desses automóveis no Brasil devem ultrapassar 3.000
unidades neste ano, um crescimento de 20% em relação
a 1999. A frota no país é estimada em 12.000
veículos e todo mês são despejados mais 300
nas ruas. A esmagadora maioria, evidentemente, compõe-se
de carros cuja blindagem é encomendada fora das concessionárias.
As multinacionais especializadas estão igualmente encantadas
com o mercado brasileiro. Na segunda-feira passada, a O'Gara-Hess
& Eisenhardt, uma das gigantes internacionais do ramo, inaugurou
sua fábrica no Brasil, nos arredores de São Paulo.
É a maior unidade fora dos Estados Unidos e terá capacidade
inicial para blindar setenta carros por mês. A empresa entregou
1.400 veículos blindados aqui
no ano passado. "O Brasil cresceu tanto nessa área que já
ocupa o terceiro lugar em nossa produção, atrás
apenas das fábricas dos Estados Unidos e da França",
diz o presidente da empresa, Bill O'Gara. O que torna o Brasil tão
atraente é que aqui se está blindando até modelos
de menor valor, típicos da classe média. "Em apenas
um mês, blindamos 32 carros entre Gol, Ford Ka, Astra e Peugeot
206", diz Eduardo Truffi, diretor da Oregon Blindados, empresa que
começou a vender, no mês passado, uma versão
popular de blindagem, que custa 23.800
reais, metade do cobrado pelas oficinas tradicionais. "Usamos um
novo tipo de vidro que reduziu drasticamente o custo sem alterar
a qualidade da proteção", garante Truffi.
O
tipo de blindagem mais comum no Brasil é o que protege contra
assaltos, com resistência a tiros de Magnum 44. Esse tipo
de proteção agüenta até cinco tiros sobre
um mesmo ponto, do tamanho aproximado de um triângulo com
12 centímetros de lado. Para chegar a esse resultado, a maioria
das empresas reveste a carroceria de fibra de aramida, material
usado nos coletes à prova de bala. É fácil
de instalar e mais leve, com capacidade de resistência semelhante
à do aço balístico. Os vidros formam uma espécie
de sanduíche recheado de plástico de alta resistência.
O preço varia de acordo com o tamanho do carro e o grau de
proteção escolhido (veja quadro).
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