Geral Esporte

Esta semana
Sumário
Brasil
Internacional
Geral
As luxuosas embaixadas do Brasil
Gil de Ferran é campeão na Fórmula Indy
O projeto alemão do substituto do Gol
Montadoras trazem para o Brasil carros blindados de fábrica
Raimundão, o rei da favela
Verba para evitar o plantio de maconha no sertão
Jorge Lemann compra o helicóptero mais sofisticado do mundo
Cresce o número de menores envolvidos em delitos violentos
O aparelho portátil que pode salvar vítimas de parada cardíaca
Relógios pink e azul-turquesa
Os latinos nos Estados Unidos
A operação de Mário Covas
O avanço das mulheres na sociedade

Economia e Negócios
Guia
Artes e Espetáculos

Colunas
Diogo Mainardi
Stephen Kanitz
Gustavo Franco
Roberto Pompeu de Toledo

Seções
Carta ao leitor
Entrevista
Cartas
VEJA on-line
Radar
Contexto
Holofote
Veja essa
Arc
Notas internacionais
Hipertexto
Gente
Datas
Cotações
Para usar
VEJA Recomenda
Literatura brasileira
Os mais vendidos

Arquivos VEJA
Para pesquisar nos arquivos da revista, digite uma ou mais palavras

Busca detalhada
Arquivo 1997-2000
Busca somente texto 96|97|98|99
Os mais vendidos
 

O azarado chegou lá

Gil de Ferran espanta a má sorte
e vence
na Indy, a categoria
dominada por brasileiros

Sérgio Ruiz Luz

Reed Saxon/AP

Gil de Ferran: "Esperei muito por isso"


Até a semana passada, Gil de Ferran, 32 anos, o brasileiro que na segunda-feira ganhou o campeonato de Fórmula Indy, carregava duas famas bastante justas. A primeira era a de ser um dos pilotos nacionais mais azarados de todos os tempos. Ele começou a se tornar conhecido no circuito em 1992, ao vencer o campeonato da Fórmula 3 inglesa, a mais tradicional competição para os iniciantes das pistas. Mesmo depois dessa façanha, Ferran só comeu poeira. Recebeu alguns convites para guiar um Fórmula 1, mas tudo deu errado. No dia em que estava com um teste agendado na poderosa escuderia da Williams, desabou uma chuva sobre o autódromo. Tempos depois, tentou outra vaga numa equipe menor. Dessa vez, antes de sentar-se ao volante, bateu a cabeça na porta de um caminhão e precisou de cinco pontos para fechar o ferimento. Sem outras oportunidades, foi tentar a sorte na Fórmula Indy em 1995. Logo na primeira temporada, ganhou o título de estreante do ano e deixou a impressão de que a maré de vitórias havia finalmente chegado. Só que, ao contrário de todas as expectativas, ficou muito tempo patinando nas posições intermediárias. Na atual temporada, a bordo de um Penske, a Ferrari da categoria, voltou a andar na frente. Estava na liderança do campeonato e poderia ganhar o título antecipado na penúltima prova. Acabou batendo num colombiano e quase pôs tudo a perder novamente.

AFP

Na decisão ocorrida na segunda-feira passada, Gil de Ferran finalmente espantou o azar e confirmou a outra fama que cultiva desde os tempos em que acelerava um kart: a de ser um piloto muito talentoso. Chegou em terceiro lugar nas 500 Milhas de Fontana, na Califórnia, o suficiente para lhe garantir o campeonato. "Esperei a vida inteira por isso", dizia no pódio. O único piloto nacional a levantar um título na Indy foi Emerson Fittipaldi, há onze anos. Ele foi um desbravador da categoria. No vácuo de seu sucesso, uma série de compatriotas tentou o mesmo caminho. A coisa chegou a tal ponto que a atual temporada bateu o recorde de participação de brasileiros. O grid de largada chegou a ter dez deles alinhados – o equivalente a um terço do número de competidores. Surpreendentemente, os donos da casa viram-se em minoria. Eram apenas cinco corredores americanos na disputa. Ou seja, um a cada dois brasileiros. Gil de Ferran foi quem soube aproveitar melhor essa onda. Sua vitória reacendeu o interesse dos torcedores pela categoria. Um dia depois da conquista, a Rede Record anunciou que vai transmitir ao vivo para o Brasil todas as provas da próxima temporada. O SBT, que detinha os direitos do espetáculo, limitava-se a passar durante a madrugada um compacto com os melhores momentos de cada etapa.

Caminhoneiros e aristocratas – A enxurrada de corredores nacionais na Indy segue um circuito lógico. Quando largam no kart e despontam como talentos, os pilotos brasileiros não têm como prosseguir a carreira no país, por falta de competições profissionais. Acabam indo para a Europa, onde amadurecem em categorias como a Fórmula 3. Depois desse ponto, só alguns conseguem passar pelo funil estreito da Fórmula 1. Os que ficam de fora vão bater nas portas da Indy. As duas competições são muito diferentes (veja quadro). A Indy começou como uma farra de mecânicos americanos e até hoje mantém esse tom popular. Boa parte do circuito ocorre no interior dos Estados Unidos. É o programa preferido dos caminhoneiros, que lotam as arquibancadas turbinados por algumas latas de cerveja. A Fórmula 1, que deve sua origem à aristocracia européia, preserva até hoje um ar glamouroso. Orgulha-se também de funcionar como um laboratório de inovações tecnológicas. Muitas delas, depois de testadas nas pistas, vão parar na linha de produção dos carros de passeio. A Fórmula Indy tem apenas a pretensão de divertir. Suas regras obrigam as equipes a utilizar chassis e motores semelhantes. Tudo para equilibrar a disputa e facilitar as ultrapassagens nos circuitos ovais, onde é disputada a maior parte das provas. "Como não tem o custo de desenvolvimento de projetos de engenharia e motores, a Indy acaba tendo um orçamento muito mais acessível para as equipes", afirma o ex-piloto André Ribeiro, que atuou nesse circuito entre 1994 e 1999.

Marco de Bari

O pioneiro Emerson: último título foi conquistado em 1989


Outro fator que atrai os pilotos brasileiros a essa competição americana é o dinheiro. A cada etapa, a Indy distribui ao vencedor um cheque de 100.000 dólares. Até o corredor que chega em 20º lugar leva algum – no caso, cerca de 11.000 dólares. Por incrível que pareça, é o mesmo valor que recebe o vencedor de uma corrida de Fórmula 1. Embora pague salários fabulosos a estrelas como o tricampeão Michael Schumacher, a Fórmula 1 é muito menos generosa quando se trata da remuneração dos pilotos médios. Muitos deles chegam a pagar para conseguir um lugar no cockpit. Na Indy não tem nada disso. Todos embolsam o seu. O atual campeão, Gil de Ferran, já havia ganho cerca de 4 milhões de dólares em cinco anos de carreira nos Estados Unidos. Com o título conquistado em Fontana, somou mais 1 milhão de dólares a seu patrimônio. Filho de um engenheiro francês, o piloto nasceu em Paris, mas passou toda a infância em São Paulo. Antes de investir pesado no automobilismo, cursou uma faculdade de engenharia mecânica. No começo da carreira nas pistas européias, conheceu a inglesa Angela. Estão juntos há sete anos. O casal tem dois filhos e mora numa casa confortável em Fort Lauderdale, na Flórida. Depois das desastradas tentativas de ingressar na Fórmula 1, o piloto campeão parece feliz em seguir nas pistas americanas.

 
Saiba mais
Dos arquivos de VEJA
  Só dá brasileiro na Fórmula Indy

 

 

Copyright 2000
Editora Abril S.A.
  VEJA on-line | Veja São Paulo | Veja Rio | Veja Recife | Guias Regionais
Edições Especiais | Site Olímpico | Especiais on-line
Arquivos | Downloads | Próxima VEJA | Fale conosco