BUSCA

Busca avançada      
FALE CONOSCO
Escreva para VEJA
Para anunciar
Abril SAC
Publicidade
REVISTAS
VEJA
Edição 2081

8 de outubro de 2008
ver capa
NESTA EDIÇÃO
Índice
SEÇÕES
Carta ao Leitor
Entrevista
Stephen Kanitz
Leitor
Millôr
Blogosfera
PANORAMA
Imagens da Semana
Holofote
SobeDesce
Conversa
Números
Datas
Radar
Veja Essa
 

Livros
Viagem ao Absurdistão

Russo radicado nos Estados Unidos, Gary Shteyngart combina
a tradição satírica russa e o humor pop americano para compor
um retrato de seu país natal depois do fim do comunismo


Cristovão Tezza

RICA BARBÁRIE
Shteyngart: país cheio de petróleo dividido por ridículas lutas religiosas
VEJA TAMBÉM
Exclusivo on-line
Trecho do livro

Nascido em 1972, na cidade que os soviéticos chamavam de Leningrado, mas que retomou o nome de São Petersburgo depois do fim do comunismo, Gary Shteyngart emigrou para os Estados Unidos aos 7 anos. Ao transformar-se em escritor, optou por entrelaçar às raízes russas aquilo que absorvera da cultura americana, e com isso vem compondo uma obra curiosa – e muito engraçada. A literatura russa sempre manteve uma veia satírica, que começou com Nikolai Gogol (1809-1852). O período soviético enterrou o potencial devastador do humor russo, cuja marca central é um agudo olhar realista transformado pelo sentimento do absurdo das forças do estado e da burocracia. Shteyngart se apoderou dessa herança. Combinou-a, contudo, com a estética do cartum, com um humor mais ligeiro e de tiradas certeiras – ainda que às vezes adolescentes. O resultado está no romance Absurdistão (tradução de Daniel Frazão e Maira Parula; Rocco; 336 páginas; 45 reais), agora lançado no Brasil.

Absurdistão conta a história do judeu russo Misha Borisovitch Vainberg, que tem 30 anos, 145 quilos e 35 milhões de dólares em sua conta bancária – esses últimos resultantes de um acordo que fez com os sócios, que, incidentalmente, também são os assassinos de seu pai. Este era um típico novo-rico dos que proliferaram no rastro da derrocada soviética. Dono de uma revenda de carros que vendia tudo, exceto carros, mandou o filho para Nova York, para que fosse circuncidado e cursasse uma universidade. Ao visitar o pai e presenciar seu assassinato, Misha não consegue mais o visto para retornar aos Estados Unidos. O romance inteiro é a sua tentativa tragicômica de sair daquele universo repulsivo de russos bêbados e deslumbrados pela civilização tecnológica. A idéia que surge é viajar ao Absurdistão, um enclave com petróleo perdido às margens do Mar Cáspio, onde ele compra um passaporte belga. Mas a eclosão de uma guerra entre os sevos e os svanïs, duas facções cristãs que se tornam inimigas em nome de coisa nenhuma, deixa-o preso num inferno de bombas e ruínas. Nesse retrato desvairado do mundo pós-soviético, Shteyngart realiza plenamente o que sempre foi a alma da sátira: por meio das situações e imagens mais absurdas, dar ao leitor uma visão nítida da realidade.

 

Rússia, ame-a ou deixe-a

"Tive o pressentimento de que levaria muito tempo para voltar a Nova York. Isso costuma acontecer com os russos. A União Soviética acabou e as fronteiras estão abertas. Mesmo assim, quando um russo se desloca entre os dois universos, continua a sensação de imutabilidade, a impossibilidade lógica de um lugar como a Rússia existir às margens do mundo civilizado. (...) Não é de espantar que os jovens falem em ‘atravessar o cordão’ quando se referem a emigrar, como se a Rússia fosse cercada por um vasto cordão sanitário. Ou você fica na colônia de leprosos ou sai para o grande mundo e talvez espalhe suas doenças para os outros."

Trecho de Absurdistão

 



Publicidade
 
Publicidade

 
  VEJA | Veja São Paulo | Veja Rio | Expediente | Fale conosco | Anuncie | Newsletter |