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Edição 2081

8 de outubro de 2008
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Demorou, mas madame entregou

O poder, as pérolas e a procrastinação forçada de
Nancy Pelosi, a presidente da Câmara que quase
naufragou o mundo com o atraso no pacote de resgate


Vilma Gryzinski

Shawn Thew/EFE


Ela é a mulher mais poderosa, hierarquicamente, da história dos Estados Unidos, mas até a semana passada muitos não tinham reparado em Nancy Pelosi, a presidente da Câmara dos Deputados. Um bocado de gente acha que teria sido melhor se ela continuasse pouco conhecida, considerando-se o vexame que quase empurrou o mundo para o buraco: Pelosi anunciou no domingo 28 que havia um acordo para a aprovação do pacote de resgate da economia e foi cruelmente desmentida pelos fatos no tenebroso dia seguinte. Os inimigos disseram que o pacote capotou na primeira votação por causa das críticas que ela fez ao governo Bush, culpando-o com razão pela derrocada financeira. Bobagem, os deputados que votaram contra, na maioria republicanos, estavam é pensando localmente, como todos os políticos. Pelosi não saiu engrandecida da crise, para dizer o mínimo. De família à antiga moda italiana e idéias ao modo contemporâneo de São Francisco, Pelosi não é boa oradora, mas impôs disciplina ao Partido Democrata. Filha de político e mulher de marido rico, só começou a carreira própria aos 46 anos. Usa sempre colares de pérolas e já negou que tenha feito plástica, desmentido que funciona apenas para quem acredita que as pálpebras e outros componentes faciais de senhoras de 68 anos se erguem pela força do pensamento. O cargo, chamado nos Estados Unidos de speaker, lhe dá o segundo lugar na linha de sucessão, depois do vice-presidente.
Como em inglês não existe a variação de gênero, ela é tratada por madam speaker. Na sexta-feira, madame entregou a votação prometida. Então, o mundo já era outro.



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