Imagem da Semana
Demorou, mas madame entregou
O poder, as
pérolas e a procrastinação forçada
de
Nancy Pelosi, a presidente da Câmara que quase
naufragou o mundo com o atraso no pacote de resgate

Vilma Gryzinski
Shawn
Thew/EFE
 |
Ela é a mulher mais poderosa, hierarquicamente, da
história dos Estados Unidos, mas até a semana
passada muitos não tinham reparado em Nancy Pelosi,
a presidente da Câmara dos Deputados. Um bocado de gente
acha que teria sido melhor se ela continuasse pouco conhecida,
considerando-se o vexame que quase empurrou o mundo para o
buraco: Pelosi anunciou no domingo 28 que havia um acordo
para a aprovação do pacote de resgate da economia
e foi cruelmente desmentida pelos fatos no tenebroso dia seguinte.
Os inimigos disseram que o pacote capotou na primeira votação
por causa das críticas que ela fez ao governo Bush,
culpando-o com razão pela derrocada financeira. Bobagem,
os deputados que votaram contra, na maioria republicanos,
estavam é pensando localmente, como todos os políticos.
Pelosi não saiu engrandecida da crise, para dizer o
mínimo. De família à antiga moda italiana
e idéias ao modo contemporâneo de São
Francisco, Pelosi não é boa oradora, mas impôs
disciplina ao Partido Democrata. Filha de político
e mulher de marido rico, só começou a carreira
própria aos 46 anos. Usa sempre colares de pérolas
e já negou que tenha feito plástica, desmentido
que funciona apenas para quem acredita que as pálpebras
e outros componentes faciais de senhoras de 68 anos se erguem
pela força do pensamento. O cargo, chamado nos Estados
Unidos de speaker, lhe dá o segundo lugar na
linha de sucessão, depois do vice-presidente.
Como em inglês não
existe a variação de gênero, ela é
tratada por madam speaker. Na sexta-feira, madame entregou
a votação prometida. Então, o mundo já
era outro.