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Edição 2081

8 de outubro de 2008
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Assuntos mais comentados
Joyce Pascowitch (Entrevista) — 38
Lya Luft — 25
Gustavo Ioschpe — 21
América Latina — 18
Crise global (capa) — 16

Crise global

O tenso noticiário econômico, com más notícias para todos os gostos, traz em seu DNA, inegavelmente, as digitais de uma administração que em oito anos de mandato se limitou a gastar fortunas incalculáveis e a fundo perdido em conflitos bélicos, que até hoje ninguém sabe quando acabarão. Era de esperar, pois, que o capitão do navio, o presidente George W. Bush, com a popularidade na lona, sofresse tanto para convencer o Congresso a aprovar o seu pacote de auxílio ao sistema financeiro de 700 bilhões de dólares. A impressão que se tem de toda essa confusão é que faltaram realmente visão, liderança e ousadia a Bush, elementos essenciais ao verdadeiro estadista (perfeito o exemplo de Franklin Roosevelt e o seu New Deal). Que os céus clareiem em breve.
Gustavo Henrique de Brito Alves Freire
Recife, PE

A expressão "a bolsa ou a vida" não pode ser transposta para o âmbito do mercado financeiro, pois, pelo que se infere das catastróficas análises da crise que começou em Wall Street – e que se alastra pelo mundo como uma metástase, causando reflexos nos índices de empregabilidade, poupança e desenvolvimento social de praticamente todos os países do mundo –, "a bolsa é a nossa vida". Por que não transformar esse gigantesco imbróglio num momento de revisão de conceitos? Não seria esta a ocasião de criar mecanismos que façam com que a humanidade deixe de ser sistematicamente crucificada pelos pregões financeiros?
Túllio Marco Soares Carvalho
Belo Horizonte, MG

A crise americana é realmente muito grave, não há dúvidas sobre isso. Nós conhecemos bem a negligência e a irresponsabilidade de banqueiros e executivos bem pagos que levam indústrias e bancos à bancarrota. Podemos dizer que ainda não estamos imunes a isso. VEJA noticiou que a Justiça bloqueou 46 milhões de dólares de contas do banqueiro Daniel Dantas na Inglaterra. Vejam só, e nós, brasileiros, não passamos da fase de apuração do grampo telefônico. Certamente, os desmandos e as irresponsabilidades praticadas pelos executivos de bancos de investimento americanos serão apurados e punidos com rigor. Dessa atitude pode nos sobrar uma lição de como agir em casos semelhantes.
Cláudia Filadoro Feiteiro
São Paulo, SP

A tormenta financeira ainda está longe de terminar. O mercado especulativo ainda vai perder muito dinheiro e, infelizmente, a despeito do exagerado otimismo do presidente Lula, o Brasil vai sentir os efeitos da tempestade.
Jorge Jossi Wagner
Ribeirão Preto, SP

 

Mary Altaffer/AP
SEM SAÍDA Manifestantes diante da Bolsa, em Nova York, criticam proposta de acordo para salvamento do sistema financeiro à custa do contribuinte

"Os executivos milionários de Wall Street não colocaram um dólar sequer na jogatina. Apenas clonaram e alavancaram um dinheiro virtual que foi transformado numa montanha de papéis que não valem mais nada. Fim de festa."
Wilson Gordon Parker
Nova Friburgo, RJ

 

 

Veja essa

O presidente Lula dá graças a Deus por achar que a crise não atravessou o Atlântico (Veja essa, 1º de outubro). Mas o presidente não precisa colocar as Forças Armadas para proteger a nossa imensa costa. As barreiras são outras, que parecem fugir à percepção do nosso guru.
João Pedro Rodrigues
Rio de Janeiro, RJ

 

Joyce Pascowitch

A entrevista das páginas amarelas (1º de outubro) mostra, na singularidade da história de Joyce Pascowitch, um drama que é vivido por milhares de brasileiras anualmente: a descoberta do câncer de mama. Cerca de 10 000 mulheres morrem por ano dessa neoplasia no Brasil. Trata-se de um número alarmante, especialmente se pensarmos que a doença tem chance de cura de 95%, se descoberta cedo. O relato sensível de Joyce, do modo como conduziu a doença e o tratamento, é um alento para as brasileiras. E é, também, um alerta: quem chega cedo, como Joyce, tem grande probabilidade de cura. Não há prevenção para o câncer de mama, mas podemos e devemos evitar que se morra por causa dele.
Maira Caleffi
Mastologista e presidente do Instituto da Mama do Rio Grande do Sul e da Federação Brasileira de Instituições Filantrópicas de Apoio à Saúde da Mama
www.femama.org.br

Além de oportuna, a entrevista é um exemplo de como enfrentar um diagnóstico precoce do câncer que, infelizmente, muitas mulheres temem. O medo, a angústia e o massacre psicológico, muitas vezes, são mais devastadores do que a própria doença.
Olesia Borges
Uberaba, MG

Fiquei emocionada com a entrevista de Joyce Pascowitch sobre a batalha contra a doença. O apoio do marido e da família foi fundamental para ela seguir em frente e vencer. Eu passei pelo mesmo problema em fevereiro. Foi muito doloroso descobrir que estava com câncer de mama, em estágio avançado, aos 34 anos, mesmo praticando esportes, sem beber nem fumar. Apesar de ter passado por uma mastectomia radical, ter me olhado no espelho por esse período e me visto tão debilitada, percebi que a maior vitória nessa batalha, assim como para Joyce, é não ter deixado de ser mulher e sentir que a beleza não está nos cabelos, mas em nós mesmas e na vontade de viver cada momento e cada dia com as pessoas que amamos.
Patricia Brabec
São Paulo, SP

 

Lya Luft

Parabéns a Lya pela clareza e objetividade do texto "Somos um país de analfabetos" (1º de outubro). A quantidade de alunos que freqüentam escola hoje é grande, mas o que nela aprendem é questionável. O desafio da qualidade da educação básica permanece mais atual do que nunca. Já passou da hora de o nosso país deixar de ser o gigante inculto.
José Luiz Magalhães de Freitas
Campo Grande, MS

A autora expõe em poucas linhas uma verdade que deve – ou deveria – incomodar a todo político ético e honesto deste país: só seremos realmente desenvolvidos, na essência da palavra, no dia em que alfabetização for sinônimo de capacidade de expor pensamentos e idéias, e não de escrever meia dúzia de palavras.
João Batista Ferreira Junior
Brasília, DF

Não nos iludamos. O Brasil provavelmente vai se tornar uma potência econômica antes de se desenvolver, mas o verdadeiro e definitivo desenvolvimento, que beneficiará a todos, só virá com a educação geral e de qualidade.
Pedro Ronaldo Pereira
Florianópolis, SC

 

Gustavo Ioschpe

Excelente o artigo "Dinheiro não compra educação de qualidade" (1º de outubro). Sou professora de matemática e o que vejo é a falta de comprometimento dos profissionais da educação, até porque muitos não são educadores, apenas estão na educação. Gostaria de encontrar uma resposta para uma questão que presencio há um bom tempo: por que o educador da escola pública não valoriza seus alunos?
Rita de Cássia Antunes Brito
Natal, RN

A luta dos professores por melhores salários é, sim, uma luta em prol de uma educação de qualidade. Sabemos que a rede pública não consegue equipar e administrar de forma eficiente todas as escolas, que dirá trazer capacitação de qualidade para todos os professores da rede atendendo a suas necessidades individuais. Com melhores salários, os professores podem buscar por si sós alternativas de capacitação e treinamento.
Adriano Rodrigues de Melo
Professor da rede estadual
Belo Horizonte, MG

 

Liberdade de imprensa

Tarso Genro está tentando amordaçar a imprensa para abafar as falcatruas que esse governo já cometeu, procurando misturar capitalismo com socialismo. Mas ele tem de entender que nossa liberdade foi conseguida com muita luta e jamais desistiremos dela. Ele quer criar o socialismo para estatizar e copiar o modelo de Hugo Chávez e Evo Morales e deixar o povo no cabresto ("O ministro da mordaça", 1º de outubro).
Luiz Buzetti Filho
Paranaíba, MS

 

América Latina

Mais uma vez assistimos, estarrecidos, a uma patética atuação do nosso ministério das Relações Exteriores, na pessoa do chanceler Celso Amorim, e do assessor especial da Presidência da República, Marco Aurélio Garcia. Na invasão das duas refinarias da Petrobras em território boliviano e agora, com a expulsão da Odebrecht do Equador, o governo brasileiro simplesmente empalideceu e nada fez, numa demonstração inequívoca de pusilanimidade e covardia ("Pode bater, que o gigante é manso", 1º de outubro).
Hélio Azevedo de Castro
Curitiba, PR

É com estarrecimento crescente que assisto às patacoadas bolivarianas, cada vez mais freqüentes e virulentas, ocorrendo sob o beneplácito da diplomacia brasileira. Sinto-me enxovalhada. Recuso-me a admitir que estejamos pagando o mico internacional de atirar pedrinhas com estilingue nos EUA – por motivos completamente infantis – e, ao mesmo tempo, arriando as calças para tão estúpidos e irrelevantes tiranetes.
Rita Rafaeli
Joinville, SC

O governo está aí para cuidar em primeiro lugar dos brasileiros, sem que isso seja interpretado como "interferência nos assuntos internos" de outros países. Se isso não for feito, para que governo?
Ricardo Junghans
Curitiba, PR

 

J.R. Guzzo

Parabéns a J.R. Guzzo pelos artigos lúcidos em um país tão carente de lucidez ("Pró-Culpa", 1º de outubro). É difícil entender por que a nossa população aceita e passa a defender idéias tão disparatadas como as que lhe vêm sendo impostas. É incrível: somos culpados por trabalhar honestamente, ganhar por isso e viver bem à custa de nosso esforço.
Carmen Lúcia Junqueira Arantes
Poços de Caldas, MG

Num país onde há tanta desigualdade e tantos miseráveis e onde ganham as manchetes inúmeros casos de riqueza obtida através de meios ilícitos (ou, no mínimo, suspeitos), acabamos nos sentindo constrangidos ao expor qualquer sucesso, mesmo quando obtido por méritos próprios.
Roberto Blatt
São Paulo, SP

 

John le Carré

O ensaio "Os espiões que entraram numa fria" (1º de outubro) traça um pertinente paralelo com fatos atuais, ao mostrar que o trabalho no serviço de inteligência fomenta uma mentalidade paranóica. O bacilo das teorias conspiratórias contamina a todos, que passam a ver espiões em toda parte.
Aldo Roberto Brandão
Campo Grande, MS

 

Aids entre os jovens

Por que a maioria tem de pagar pelas loucuras de uma minoria? Os jovens contaminados pelo vírus da aids porque desprezam o sexo seguro que paguem pelos coquetéis de remédios. Paguem com o próprio dinheiro, ou com trabalhos comunitários. Chega de bondades à custa do suor alheio ("As alucinantes noites dos camicases", 1º de outubro).
Fausto Ferraz Filho
São Paulo, SP

 

Holofote

As conversas de membros do PSDB com representantes do PSB, no início do ano, destinaram-se à busca do apoio da legenda à candidatura do ex-governador Geraldo Alckmin nas eleições municipais de São Paulo. Nada além disso ("Com um pé fora do tucanato", Holofote, 1º de outubro).
Edson Aparecido
Deputado federal e coordenador da campanha da coligação "São Paulo na Melhor Direção"
São Paulo, SP

 

Correções: o quadro de Vincent van Gogh chamado Nuit Étoilée sur le Rhône deve ser traduzido como Noite Estrelada sobre o Ródano, e não Noite Estrelada sobre o Reno, como foi publicado na reportagem "O espetáculo noturno" (1º de outubro). • Na reportagem "O dicionário da crise" (1º de outubro), no que se refere ao Federal Deposit Insurance Corporation, são garantidos os depósitos bancários até 100 00 dólares, e não até 250 000, como foi publicado.

 



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