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Leitor
Crise global O tenso noticiário
econômico, com más notícias para todos
os gostos, traz em seu DNA, inegavelmente, as digitais de
uma administração que em oito anos de mandato
se limitou a gastar fortunas incalculáveis e a fundo
perdido em conflitos bélicos, que até hoje ninguém
sabe quando acabarão. Era de esperar, pois, que o capitão
do navio, o presidente George W. Bush, com a popularidade
na lona, sofresse tanto para convencer o Congresso a aprovar
o seu pacote de auxílio ao sistema financeiro de 700
bilhões de dólares. A impressão
que se tem de toda essa confusão é que
faltaram realmente visão, liderança e ousadia
a Bush, elementos essenciais ao verdadeiro estadista (perfeito o
exemplo de Franklin Roosevelt e o seu New Deal). Que os
céus clareiem em breve. A expressão
"a bolsa ou a vida" não pode ser transposta
para o âmbito do mercado financeiro, pois, pelo que
se infere das catastróficas análises da crise
que começou em Wall Street e que se alastra
pelo mundo como uma metástase, causando reflexos nos
índices de empregabilidade, poupança e desenvolvimento
social de praticamente todos os países do mundo ,
"a bolsa é a nossa vida". Por que não
transformar esse gigantesco imbróglio num momento de
revisão de conceitos? Não seria esta a ocasião
de criar mecanismos que façam com que a humanidade
deixe de ser sistematicamente crucificada pelos pregões
financeiros? A crise americana
é realmente muito grave, não há dúvidas
sobre isso. Nós conhecemos bem a negligência
e a irresponsabilidade de banqueiros e executivos bem pagos
que levam indústrias e bancos à bancarrota.
Podemos dizer que ainda não estamos imunes a isso.
VEJA noticiou que a Justiça bloqueou 46 milhões
de dólares de contas do banqueiro Daniel Dantas na
Inglaterra. Vejam só, e nós, brasileiros, não
passamos da fase de apuração do grampo telefônico.
Certamente, os desmandos e as irresponsabilidades praticadas
pelos executivos de bancos de investimento americanos serão
apurados e punidos com rigor. Dessa atitude pode nos sobrar
uma lição de como agir em casos semelhantes. A tormenta financeira
ainda está longe de terminar. O mercado especulativo
ainda vai perder muito dinheiro e, infelizmente, a despeito
do exagerado otimismo do presidente Lula, o Brasil vai sentir
os efeitos da tempestade.
Veja essa O presidente Lula
dá graças a Deus por achar que a crise não
atravessou o Atlântico (Veja essa, 1º de outubro).
Mas o presidente não precisa colocar as Forças
Armadas para proteger a nossa imensa costa. As barreiras são
outras, que parecem fugir à percepção
do nosso guru.
Joyce Pascowitch A entrevista das
páginas amarelas (1º de outubro) mostra, na singularidade
da história de Joyce Pascowitch, um drama que é
vivido por milhares de brasileiras anualmente: a descoberta
do câncer de mama. Cerca de 10 000 mulheres morrem por
ano dessa neoplasia no Brasil. Trata-se de um número
alarmante, especialmente se pensarmos que a doença
tem chance de cura de 95%, se descoberta cedo. O relato sensível
de Joyce, do modo como conduziu a doença e o tratamento,
é um alento para as brasileiras. E é, também,
um alerta: quem chega cedo, como Joyce, tem grande probabilidade
de cura. Não há prevenção para
o câncer de mama, mas podemos e devemos evitar que se
morra por causa dele. Além de
oportuna, a entrevista é um exemplo de como enfrentar
um diagnóstico precoce do câncer que, infelizmente,
muitas mulheres temem. O medo, a angústia
e o massacre psicológico, muitas vezes, são
mais devastadores do que a própria doença. Fiquei emocionada
com a entrevista de Joyce Pascowitch sobre a batalha contra
a doença. O apoio do marido e da família foi
fundamental para ela seguir em frente e vencer. Eu passei
pelo mesmo problema em fevereiro. Foi muito doloroso descobrir
que estava com câncer de mama, em estágio avançado,
aos 34 anos, mesmo praticando esportes, sem beber nem fumar.
Apesar de ter passado por uma mastectomia radical, ter me
olhado no espelho por esse período e me visto tão
debilitada, percebi que a maior vitória nessa batalha,
assim como para Joyce, é não ter deixado de
ser mulher e sentir que a beleza não está nos
cabelos, mas em nós mesmas e na vontade de viver cada
momento e cada dia com as pessoas que amamos.
Lya Luft Parabéns
a Lya pela clareza e objetividade do texto "Somos
um país de analfabetos" (1º de outubro).
A quantidade de alunos que freqüentam escola hoje
é grande, mas o que nela aprendem é questionável.
O desafio da qualidade da educação básica
permanece mais atual do que nunca. Já passou da hora
de o nosso país deixar de ser o gigante inculto.
A autora expõe
em poucas linhas uma verdade que deve ou deveria
incomodar a todo político ético e honesto deste
país: só seremos realmente desenvolvidos, na
essência da palavra, no dia em que alfabetização
for sinônimo de capacidade de expor pensamentos e idéias,
e não de escrever meia dúzia de palavras. Não nos iludamos.
O Brasil provavelmente vai se tornar uma potência econômica
antes de se desenvolver, mas o verdadeiro e definitivo desenvolvimento,
que beneficiará a todos, só virá com
a educação geral e de qualidade.
Gustavo Ioschpe Excelente o artigo
"Dinheiro não compra educação de
qualidade" (1º de outubro). Sou professora de matemática
e o que vejo é a falta de comprometimento dos profissionais
da educação, até porque muitos não
são educadores, apenas estão na educação.
Gostaria de encontrar uma resposta para uma questão
que presencio há um bom tempo: por que o educador da
escola pública não valoriza seus alunos? A luta dos professores
por melhores salários é, sim, uma luta em prol
de uma educação de qualidade. Sabemos que a
rede pública não consegue equipar e administrar
de forma eficiente todas as escolas, que dirá trazer
capacitação de qualidade para todos os professores
da rede atendendo a suas necessidades individuais. Com melhores
salários, os professores podem buscar por si sós
alternativas de capacitação e treinamento.
Liberdade de imprensa Tarso Genro está
tentando amordaçar a imprensa para abafar as falcatruas
que esse governo já cometeu, procurando misturar capitalismo
com socialismo. Mas ele tem de entender que nossa liberdade
foi conseguida com muita luta e jamais desistiremos dela.
Ele quer criar o socialismo para estatizar e copiar o modelo
de Hugo Chávez e Evo Morales e deixar o povo no cabresto
("O ministro da mordaça", 1º de outubro).
América Latina Mais uma vez assistimos,
estarrecidos, a uma patética atuação
do nosso ministério das Relações Exteriores,
na pessoa do chanceler Celso Amorim, e do assessor especial
da Presidência da República, Marco Aurélio
Garcia. Na invasão das duas refinarias da Petrobras
em território boliviano e agora, com a expulsão
da Odebrecht do Equador, o governo brasileiro simplesmente
empalideceu e nada fez, numa demonstração inequívoca
de pusilanimidade e covardia ("Pode bater, que o gigante
é manso", 1º de outubro). É com estarrecimento
crescente que assisto às patacoadas bolivarianas, cada
vez mais freqüentes e virulentas, ocorrendo sob o beneplácito
da diplomacia brasileira. Sinto-me enxovalhada. Recuso-me
a admitir que estejamos pagando o mico internacional de atirar
pedrinhas com estilingue nos EUA por motivos completamente
infantis e, ao mesmo tempo, arriando as calças
para tão estúpidos e irrelevantes tiranetes.
O governo está
aí para cuidar em primeiro lugar dos brasileiros, sem
que isso seja interpretado como "interferência
nos assuntos internos" de outros países. Se isso
não for feito, para que governo?
J.R. Guzzo Parabéns
a J.R. Guzzo pelos artigos lúcidos em um país
tão carente de lucidez ("Pró-Culpa",
1º de outubro). É difícil entender por
que a nossa população aceita e passa a defender
idéias tão disparatadas como as que lhe vêm
sendo impostas. É incrível: somos culpados por
trabalhar honestamente, ganhar por isso e viver bem à
custa de nosso esforço. Num país
onde há tanta desigualdade e tantos miseráveis
e onde ganham as manchetes inúmeros casos de riqueza
obtida através de meios ilícitos (ou, no mínimo,
suspeitos), acabamos nos sentindo constrangidos ao expor qualquer
sucesso, mesmo quando obtido por méritos próprios.
John le Carré O ensaio "Os
espiões que entraram numa fria" (1º de outubro)
traça um pertinente paralelo com fatos atuais, ao mostrar
que o trabalho no serviço de inteligência fomenta
uma mentalidade paranóica. O bacilo das teorias conspiratórias
contamina a todos, que passam a ver espiões em toda
parte.
Aids entre os jovens Por que a maioria
tem de pagar pelas loucuras de uma minoria? Os jovens contaminados
pelo vírus da aids porque desprezam o sexo seguro que
paguem pelos coquetéis de remédios. Paguem com
o próprio dinheiro, ou com trabalhos comunitários.
Chega de bondades à custa do suor alheio ("As
alucinantes noites dos camicases", 1º de outubro).
Holofote As conversas de
membros do PSDB com representantes do PSB, no início
do ano, destinaram-se à busca do apoio da legenda à
candidatura do ex-governador Geraldo Alckmin nas eleições
municipais de São Paulo. Nada além disso ("Com
um pé fora do tucanato", Holofote, 1º de
outubro).
Correções: o quadro de Vincent van Gogh chamado Nuit Étoilée sur le Rhône deve ser traduzido como Noite Estrelada sobre o Ródano, e não Noite Estrelada sobre o Reno, como foi publicado na reportagem "O espetáculo noturno" (1º de outubro). Na reportagem "O dicionário da crise" (1º de outubro), no que se refere ao Federal Deposit Insurance Corporation, são garantidos os depósitos bancários até 100 00 dólares, e não até 250 000, como foi publicado.
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