Edição 1823 . 8 de outubro de 2003

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DVDs


Fotos divulgação
O Núcleo: em Hollywood, o fim do mundo é sempre mais divertido


O Núcleo – Missão ao Centro da Terra
(The Core, Estados Unidos, 2003. Paramount) – É reconfortante saber que, no apocalipse à moda de Hollywood, sempre haverá homens e mulheres dispostos a salvar o mundo – e que, no caso de todas as calamidades plausíveis já terem sido exploradas, os roteiristas sempre vão ter uma nova idéia, ainda que desprovida de lógica. São coisas assim que fazem o charme de ficções como O Núcleo. Portadores de marca-passo morrem subitamente, pássaros se desorientam, tempestades de raios tomam os céus: é que o núcleo da Terra parou de girar. Para evitar o fim do mundo, uma equipe de "terranautas" irá mergulhar na crosta do planeta e remediar a situação. Não se preocupe: apesar do elenco de gabarito, o filme se assume como uma bobagem – das mais deliciosas.



Os Brutos...: o menino é o único problema

Os Brutos Também Amam (Shane, Estados Unidos, 1953. Paramount) – O único defeito deste faroeste clássico é o menino Brandon de Wilde, que passa o filme todo grudado nos calcanhares do caubói Shane (Alan Ladd), gritando seu nome. De resto, faz jus à veneração que provoca entre cinéfilos. Shane é hospedado por uma família de pequenos fazendeiros, e vai ficando por ali. Vai também se envolvendo na disputa que eles travam com o valentão da região, que quer se apoderar das propriedades alheias. O diretor George Stevens, transformado pela experiência seminal vivida como documentarista durante a II Guerra, deu a Ladd o papel dos sonhos: o de um pistoleiro que considera sua arma uma mácula em seu caráter e uma fonte de corrupção para todos à sua volta.


A Comunidade: vizinhos muito estranhos

A Comunidade (La Comunidad, Espanha, 2000. Warner) – Carmen Maura é uma corretora de imóveis madrilenha sem um tostão, mas com algum espírito de aventura. Primeiro, ela se instala no apartamento que deveria vender. Depois, descobre que o octogenário do andar de cima está morto há semanas. Em seguida, acha a montanha de dinheiro que ele escondeu. O passo seguinte será o mais difícil de todos: driblar a marcação cerrada de seus estranhíssimos vizinhos. A exemplo do que fez em O Dia da Besta e Ação Mutante, o diretor espanhol Álex de la Iglesia segue aqui com seu coquetel de humor negro e grand-guignol – mas agora com receita aprimorada e um sabor que combina O Bebê de Rosemary com Mulheres à Beira de um Ataque de Nervos.

 

LIVRO

 
AP
Kertész: memórias de Auschwitz  

Sem Destino, de Imre Kertész (tradução de Paulo Schiller; Planeta; 176 páginas; 38 reais) – A obra do escritor húngaro Imre Kertész, premiado com o Nobel de Literatura no ano passado, é marcada por uma lembrança monstruosa: a dos dias que ele passou como prisioneiro no campo de concentração de Auschwitz, durante a II Guerra Mundial. Assim como ocorreu na vida real do autor, o protagonista de Sem Destino – seu primeiro romance, publicado originalmente em 1975 – é um jovem judeu cuja inocência dá lugar ao desespero ao ser deportado para o campo de extermínio. Aos poucos, porém, o personagem encontra alegria e esperança no simples fato de continuar vivo em meio a tantos horrores e privações. Leia trecho do livro.

 

DISCOS

 
Divulgação
Charlie Brown Jr.: sem barulho  

Acústico MTV, Charlie Brown Jr. (EMI) – O Acústico foi um dos projetos mais interessantes surgidos na MTV. Ele punha roqueiros para tocar no esquema "banquinho e violão" e mostrar que, sob o barulho, havia melodias assobiáveis. Nos últimos anos, no entanto, o programa se tornou uma espécie de INSS para artistas em declínio, que assim vendem uns CDs a mais com a "releitura" de sua obra. Eis que o quarteto santista Charlie Brown Jr. retoma a idéia original do projeto neste belo disco ao vivo. Sem a barulheira característica de suas canções, sobra espaço para apreciar as levadas criativas do baixista Champignon. O grupo toca sucessos próprios, faz covers de Camisa de Vênus e Chico Science e brilha numa versão chacoalhante de Oba Lá Vem Ela, de Jorge Ben Jor.

Tour de France Soundtracks, Kraftwerk (EMI) – Em 1983, às vésperas do lançamento do disco Techno-Pop, Ralf Hütter, integrante do grupo alemão de música eletrônica Kraftwerk, sofreu um grave acidente de bicicleta. Chocados, seus companheiros cancelaram o álbum, apesar de terem um single na praça – Tour de France, composto em homenagem à mais famosa prova ciclística do mundo. Passados vinte anos, o Kraftwerk ressurge revigorado, com um disco inteiramente dedicado à competição. Traz uma nova versão para Tour de France e outro punhado das batidas e vocais gélidos que são sua marca registrada. Destaque para Vitamin, que lembra os melhores momentos do grupo nos anos 70.

 
Tom Le Goff
Lila: miscigenação sonora  

Border, Lila Downs (EMI Music) – Conhecida do público brasileiro pelo dueto com Caetano Veloso em Burn It Blue, um dos temas do filme Frida, a cantora Lila Downs tem um trabalho-solo de respeito, dedicado a estudar a miscigenação sonora entre México e Estados Unidos. Filha de pai americano e mãe descendente de índios e mexicanos, Lila sonhava em ser cantora de rock. Anos mais tarde, influenciada pelo curso de antropologia na Universidade de Minnesota, acabou se voltando para os ritmos tradicionais do México. Border é um álbum temático, repleto de letras que falam dos imigrantes latinos que tentam a vida nos Estados Unidos. O medley Pastures of Plenty/ This Land is Your Land/ Land é de arrepiar.

 

 

 

Fontes: São Paulo: Cultura, Laselva, Saraiva, Livraria da Vila, Fnac, Nobel, Siciliano; Rio: Saraiva, Nobel, Laselva, Sodiler, Siciliano, Argumento, Travessa; Porto Alegre: Saraiva, Nobel, Livraria Ed. Porto Alegre, Siciliano; Brasília: Sodiler, Nobel, Siciliano, Saraiva, Leitura; Recife: Sodiler, Nobel, Saraiva, Siciliano; Natal: Nobel, Sodiler; Florianópolis: Siciliano; Goiânia: Siciliano, Nobel; Fortaleza: Siciliano, Laselva, Nobel; Salvador: Siciliano; Curitiba: Siciliano, Saraiva; Belo Horizonte: Siciliano, Nobel, Leitura; Maceió: Sodiler, Nobel.
 
 
 
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