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Ginástica
O
fast food da malhação
Os
mesmos programas de ginástica,
feitos por empresários milionários,
dominam as academias no mundo todo

Rosana
Zakabi
Renata Ursaia
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O
MUNDO DAS BODY
Aula de bodypump na academia Fórmula, em São Paulo:
levantamento de peso com coreografias e música animada
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Todo
mundo sabe que malhar faz bem à saúde, mas mesmo assim
muita gente não pratica exercícios físicos
por uma boa razão: fazer ginástica é muito
chato. O maior esforço das academias não é
conseguir alunos, mas evitar que eles as abandonem logo que passe
o entusiasmo inicial. O neozelandês Phillip Mills, 48 anos,
encontrou uma resposta de grande sucesso para esse problema: a cada
três meses, ele troca inteiramente as músicas e a coreografia
de seus programas de ginástica. Mills é dono da empresa
responsável pela série cujo nome começa com
body (corpo, em inglês) bodypump, bodystep, bodycombat
e assim por diante. Seu método é utilizado em 8.000
academias em cinqüenta países. O Brasil é um
de seus melhores fregueses. Estima-se que 400.000
brasileiros pratiquem algum tipo de body em 1.700
academias credenciadas. Com um movimento de 60 milhões de
dólares por ano, o neozelandês ocupa o terceiro lugar.
Em termos de expansão global e influência, seu negócio
também está entre os primeiros do fast food da malhação.
O
número 1 em faturamento é o sul-africano Johnny G,
de 47 anos, o criador do spinning, com estimados 100 milhões
de dólares anuais (o valor exato não é divulgado).
Quem freqüenta ou freqüentou academia certamente já
suou em alguma aula cujo nome começa com a palavra body.
Ou então já praticou spinning. Essas expressões
são tão comuns nas academias que muita gente acha
que se trata dos nomes de modalidades de ginástica, como
natação ou balé. Algo assim como Modess, nome
da marca do produto, que virou sinônimo de absorvente higiênico,
e Chiclete, de goma de mascar. No Brasil, praticamente todas as
academias que dispõem dos programas do grupo Body também
oferecem o spinning. Johnny G adaptou a bicicleta e desenvolveu
seu método de exercícios nos anos 80, logo depois
de se mudar para a Califórnia, nos Estados Unidos, onde vive.
Em 1992 ele o transformou em marca registrada e começou a
expansão mundial. Johnny G. vende uma única modalidade
de ginástica, que é o ciclismo indoor. O exercício
consiste em pedalar a bicicleta especial simulando subidas, descidas
e curvas. Sua empresa, a Mad Dogg Athletics, não cobra pelo
método, mas sim pelo treinamento dos professores. Um curso
de seis meses, dividido em dois estágios, custa em torno
de 700 reais. Há 70.000 professores
certificados em mais de setenta países, dos quais 1.500
estão nas academias brasileiras. A Mad Dogg fatura também
com a venda de equipamentos, sobretudo os modelos de bicicletas
essenciais para o exercício, e de acessórios com o
logotipo.
André Valentim/Strana
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COMO
SE FOSSE AO AR LIVRE
Treinamento de spinning na academia Ibeas Top Club, no Rio de
Janeiro: curvas, subidas e descidas parecidas com as que são
feitas em trilhas |
No
mercado de programas de malhação, não há
quem ofereça maior diversidade que Phillip Mills. São
sete programas de ginástica. Dono de uma academia com 11.000
alunos na Nova Zelândia, na década de 80, ele concluiu
que as pessoas desistiam de fazer ginástica porque os programas
tinham coreografias muito difíceis. Sua estratégia
foi criar exercícios mais simples e fáceis de executar,
misturando em uma única aula vários tipos de ginástica
de sucesso. Tem body para todos os gostos. A bodypump consiste em
exercícios com pesos similares aos da musculação.
A bodybalance, com alongamento e movimentos lentos, inspira-se na
ioga, no pilates e no tai chi chuan. A bodyjam mistura ritmos como
funk, hip hop, salsa e merengue. O bodyattack emula técnicas
de ginástica aeróbica. O bodystep é igualzinho
a uma aula de step. O bodycombat mistura boxe e artes marciais.
Por fim, o RPM o único sem body no nome é
um programa de ciclismo igual ao spinning. O mais impressionante
é a logística operacional da empresa de Mills, a Les
Mills International. A cada três meses, todas as academias,
do Japão à Islândia, recebem as fitas de vídeo
com novas músicas e novas coreografias para cada um dos sete
programas implantados por ela. As mudanças ficam a cargo
de uma equipe de produtores musicais e coreógrafos instalados
em Auckland, na Nova Zelândia. Em teoria, os programas são
submetidos ao crivo de fisioterapeutas e professores de educação
física antes de ser despachados para os consumidores finais.
Renata Ursaia
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MADE
IN BRASIL
Sessão de Fitflex na academia Bio Ritmo, em São
Paulo: exercícios de alongamento e força, que
melhoram a postura, criados por um brasileiro |
Para poder utilizar as body, as academias pagam mensalidade de 770
reais à Les Mills. O valor dá direito a um programa
de sete aulas, que inclui fitas de vídeo com treinamento
de professores, CDs de música e as atualizações
trimestrais. Para as academias, a vantagem é dispor de um
pacote de exercícios cuja existência é bem conhecida
da freguesia. "A divulgação é crucial para
qualquer negócio", disse a VEJA Phillip Mills. "Metade do
sucesso de uma empresa de fitness se deve à propaganda, seja
boca a boca, seja com a ajuda de uma agência de publicidade."
Para quem freqüenta academias, a escolha entre o spinning,
as várias body e outros programas existentes deve ser feita
segundo o gosto pessoal. Não há vantagem conhecida
de uma metodologia sobre a outra. "Em termos de resultados para
o corpo de quem pratica, não há diferença entre
a maioria dos exercícios oferecidos nas academias", diz o
fisiologista paulista Turibio Leite de Barros. "A diferença
está na motivação. Os alunos se sentem mais
motivados com os exercícios coreografados."
O
segundo em faturamento mundial na venda de programas de malhação
é o tae-bo, criado pelo americano Billy Blanks, sete vezes
campeão mundial de caratê na década de 80. Os
exercícios misturam os movimentos de perna do tae-kwon-do
com os de braço do boxe. O método ganhou enorme popularidade
nos Estados Unidos nos últimos cinco anos, a partir de sua
base, uma badaladíssima academia de ginástica na Califórnia.
A empresa Billy Blanks Enterprises, dona da marca, vende camisetas,
bonés e acessórios com a marca e fitas de vídeo
ensinando os exercícios. Muito pouco de seu faturamento de
70 milhões de dólares por ano sai do Brasil. A maioria
das academias brasileiras adaptou o tae-bo à sua maneira,
misturando outras técnicas de luta e batizando com um nome
diferente (exemplos: tae fight e aeroboxe), sem pagar um vintém
ao carateca americano. O próprio bodycombat, da Les Mills,
se parece bastante com o tae-bo. Outro método muito imitado
é o pilates, que trabalha e alonga os músculos com
a ajuda de aparelhos especiais. Foi criado na década de 20
pelo alemão Joseph Humbertus Pilates. Décadas mais
tarde, foi registrado por uma empresa americana, a Pilates Inc.,
mas a maioria das academias não vê razão para
pagar pelo método. O faturamento da Pilates Inc. não
ultrapassa 1 milhão de dólares anuais.
Os
brasileiros estão pouco representados no ramo dos programas
licenciados. Há dois anos, o paulista Fernando Fonseca desenvolveu
com outro sócio uma série de alongamentos que precisa
ser feita sobre uma maca. Chamado Fitflex, já pode ser encontrado
em 35 academias de São Paulo, Curitiba, Manaus, Fortaleza,
Rio de Janeiro e Belo Horizonte. Da Les Mills, o Fitflex copiou
a atualização trimestral. O produto brasileiro custa
4.500 reais. É pago de uma só
vez e inclui dez macas, fitas de vídeo e guia de exercícios.
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