Edição 1823 . 8 de outubro de 2003

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Medicina
Agulhas do poder

Conheça o acupunturista Gu Hanghu, o único
homem que pode dar espetadas no presidente
Lula e nos integrantes do governo

 
Ana Araujo
Gu Hanghu: na agenda de senadores e ministros

O presidente Lula sofre de bursite no ombro direito há quase vinte anos. Na campanha o problema se agravou. Em março as dores ficaram ainda piores por causa de uma pancada durante uma partida de futebol. A solução para esse incômodo parecia passar por uma cirurgia. Aconselhado por amigos, Lula mandou chamar o acupunturista chinês Gu Hanghu, que aliviou a dor presidencial e conquistou prestígio junto ao poder. Atualmente, Hanghu trata das dores nas costas da primeira-dama, atende o ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues, e o da Fazenda, Antonio Palocci, e os senadores Aloizio Mercadante e Patrícia Gomes. "Deixo o consultório dele livre, leve e solta", conta Patrícia, que se submete a duas sessões de acupuntura por semana para combater o stress.


Com Lula: viagem oficial e futebol na Granja do Torto

Hanghu diz que está à disposição de Lula 24 horas por dia. "Quando o meu amigo presidente chama, vou imediatamente", afirma com um sotaque muito carregado. São três sessões por semana de vinte minutos cada uma. Antes das agulhadas, o presidente recebe uma massagem terapêutica relaxante. Seguidor da tradicional medicina chinesa, formado em Xangai e naturalizado brasileiro, Hanghu é da quinta geração de acupunturistas de sua família. No Brasil, seu diploma não o habilita a praticar a medicina, porém ele está liberado para a acupuntura. O médico particular de Lula, Roberto Kalil, aprova o tratamento alternativo, mas diz que o procedimento não é garantia de solução para a origem do mal que provoca as dores. Segundo o médico, a prescrição de cirurgia para resolver de vez o problema foi adiada pela melhora do quadro clínico. O acupunturista informa que não cobra um centavo do presidente. "Se ele ficar bem de saúde, poderá fazer muito pelo povo brasileiro. É uma maneira que tenho de ajudar o país que me acolheu", diz Hanghu.

 
 
 
 
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