Crime

Os bandidos das chacinas

Um mergulho no mundo da barbárie
da Grande São Paulo, onde as
quadrilhas fizeram dos morticínios
em série uma ocorrência quase banal

Bruno Paes Manso

Frederic Jean

Matadores que se identificaram como "Paulista",
"Paraíba", "Wolverine", "Flamarion", "Zé Bonitinho"
e "Fumaça": massacres sem fim

Esta é a história de uma sucessão de crimes brutais que deveriam provocar a indignação de todos os brasileiros. Eles são cometidos rotineiramente na Grande São Paulo, a maior e a mais rica região metropolitana do país. Ficaram conhecidos como chacinas. Seus números chocam. Desde que começaram a ser contabilizados, em 1995, foram registrados 281 casos, que levaram quase 1 000 pessoas à morte. A grande maioria não registrava passagem pela polícia. De cada 100 vítimas, três tinham entre 1 e 2 anos de idade. De cada dez, cinco não chegaram a completar 20 anos. Assassinatos múltiplos não acontecem com freqüência semelhante em nenhum outro lugar do Brasil. Entra ano, sai ano, ocorre uma chacina na capital paulista de seis em seis dias. Em 1999, até agosto, houve 49 extermínios e morreram 147 pessoas. Qual a explicação para tamanha barbárie? Sempre se acreditou que esses morticínios são o resultado de guerras entre traficantes ou do acerto de contas com consumidores de drogas caloteiros. Trata-se de um erro. O problema é bem mais complicado. Para apresentá-lo, VEJA entrevistou doze matadores. São ladrões sobretudo de carga, banco e carro-forte , vivem na periferia de São Paulo, dizem que acreditam em Deus e orgulham-se de ter carro do ano. Eles contaram por que matam, como vivem sua rotina de roubos e homicídios, quais são seus métodos e o que os leva a nunca se arrepender do que fazem.

 

 
 

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