Edição 1870 . 8 de setembro de 2004

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Lya Luft
Sérgio Abranches
Diogo Mainardi
Tales Alvarenga
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Roberto Pompeu de Toledo
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CINEMA

Divulgação
Tom Hanks no novo filme de Spielberg: no limbo de um aeroporto

O Terminal (The Terminal, Estados Unidos, 2004. Estréia nesta sexta-feira) – Uma má notícia aguarda Viktor Navorski, cidadão do Leste Europeu, quando seu avião chega a Nova York: seu país está em guerra civil, seu visto foi cancelado e ele não pode entrar nos Estados Unidos. Viktor, além disso, não pode alegar status de exilado, refugiado ou semelhantes. Só lhe resta vagar pelo terminal do aeroporto, meses a fio. Como quem interpreta Viktor é Tom Hanks, é claro que logo ele terá feito montes de amigos. O filme derrapa no sentimentalismo no terço final, e perde tempo com um romance desnecessário entre os personagens de Hanks e Catherine Zeta-Jones. É, portanto, uma criação menor de Steven Spielberg. Mas, sobretudo na primeira hora, tem passagens excelentes, que justificam uma conferida. Assista ao trailer.

 

DVD

Wyatt Earp (Estados Unidos, 1994. Warner) – Todo mundo torceu o nariz para este western estrelado por Kevin Costner à época de seu lançamento: longo e solene demais, era o que se dizia. Numa revisão, porém, suas qualidades se tornam mais evidentes do que os seus defeitos. Entre elas está a visão nada romântica de um dos xerifes mais linha-dura (e mais detestados) do Velho Oeste. No comando da poeirenta Tombstone, Earp transgride a lei ao desafiar dois clãs de malfeitores (devidamente mancomunados com boa parte da Justiça local) para um formidável duelo – episódio que passou à história, e à lenda, como o tiroteio do OK Corrall. O elenco inclui Gene Hackman, Isabella Rosselini e Bill Pullman. Mas o destaque fica com Dennis Quaid, um arraso no papel do pistoleiro tuberculoso Doc Holliday.

 

LIVROS

O Marquês de Pombal e Sua Época, de João Lúcio de Azevedo (Alameda; 400 páginas; 54 reais) – Ministro do rei José I, Sebastião José de Carvalho e Melo, o marquês de Pombal (1699-1782), foi o maior político português do século XVIII – e talvez a figura mais polêmica da história de seu país. O homem que expulsou os jesuítas de Portugal costumava ser retratado ora como um tirano sanguinário, ora como um estadista inovador. Português que viveu muitos anos no Brasil, João Lúcio de Azevedo (1855-1933) conseguiu traçar um retrato equilibrado do marquês. Embora o autor afirmasse modestamente que não havia composto o retrato definitivo de Pombal e de sua época, sua obra, publicada em 1913, tornou-se rapidamente um clássico da historiografia portuguesa.


Rebeldes,
de Sándor Márai (tradução de Paulo Schiller; Companhia das Letras; 220 páginas; 36 reais) – Sándor Márai foi um escritor bastante popular na Hungria, até que a censura do regime comunista baniu seus livros. O autor partiu para o exílio, em 1948, e acabaria cometendo suicídio, nos Estados Unidos, em 1989. Redescoberta nos últimos anos, sua obra tem uma certa tonalidade melancólica na observação da natureza humana. Rebeldes, seu quinto romance traduzido no Brasil, narra a convivência de quatro amigos adolescentes em uma cidade da Europa Central, logo após a I Guerra. Em face de uma sociedade arruinada que não consegue mais legitimar seus valores, os garotos acabam optando pelo vandalismo e pela marginalidade. Leia trecho.


Laranja Mecânica,
de Anthony Burgess (tradução de Fábio Fernandes; Aleph; 224 páginas; 36 reais) – Apesar de ser um seguidor confesso daquele que é considerado um dos escritores mais difíceis do século XX – o irlandês James Joyce, autor de Ulisses –, o inglês Anthony Burgess (1917-1993) conseguiu se tornar um escritor pop. Narrativa em primeira pessoa dos crimes e desventuras de Alex, líder de uma gangue juvenil, Laranja Mecânica popularizou conceitos como "ultraviolência". Lançado originalmente em 1962 (e brilhantemente adaptado para o cinema por Stanley Kubrick), o romance retorna às livrarias brasileiras em nova tradução. E não perdeu nada de sua vitalidade, o que é raro entre peças de ficção científica que, como esta, se situam em um "futuro próximo".

 

DISCOS

Live at the Rainbow Room, Jane Monheit (Indie Records) – A cantora americana de 26 anos está sendo apontada como uma das principais revelações do jazz, ao lado da também americana Norah Jones e da canadense Diana Krall. O que mais chama atenção no trabalho de Jane Monheit é a tranqüilidade com que trata os principais clássicos do cancioneiro internacional. Dona de uma voz belíssima, ela evita versões muito reverentes às originais, mas não gasta a garganta em arroubos virtuosísticos. Basta conferir Waters of March, de Tom Jobim, que traz solos do baixista Ron Carter, e a releitura dançante de Cheek to Cheek, eternizada por Fred Astaire. Gravado há dois anos, Live at the Rainbow Room saiu anteriormente em DVD. O CD traz o mesmo repertório. Ouça o disco


Medulla,
Björk (Universal) – De Björk espera-se tudo, menos obviedade. Este novo CD da artista islandesa traz diversos exercícios vocais e muito pouca instrumentação. Nas entrevistas que deu para divulgar o álbum, ela disse que, após a turnê anterior, quando cantou acompanhada por uma orquestra, optou por voltar ao básico. Björk canta em todos os registros (da voz de menininha aos grunhidos agressivos de roqueira) e recita dois poemas em islandês. À primeira audição, Medulla causa estranheza. Mas também seduz com sua musicalidade exótica. Oceania, que Björk cantou na abertura das Olimpíadas de Atenas, e Vökuro (um dos dois poemas em islandês) são pontos altos do disco.

 

Os mais vendidos

Jerônimo Teixeira

Eis um caso enigmático de sucesso de vendas. Quando Nietzsche Chorou (tradução de Ivo Korytowski; Ediouro; 410 páginas; 44 reais) já figura na lista de mais vendidos há três semanas. Publicado no Brasil em 1995 e relançado em 2002, o livro não tem aparecido na imprensa, não foi adaptado para o cinema, não está no centro de nenhuma grande campanha publicitária. O autor, Irvin D. Yalom, psicoterapeuta e professor da Universidade de Stanford, Estados Unidos, tampouco é um nome célebre nas listas de best-sellers. Aliás, esse é seu primeiro romance. O sucesso, portanto, se deve apenas ao boca-a-boca – promovido, segundo a Ediouro, pelos psicanalistas, que adoram o livro.

Quando Nietzsche Chorou é uma história bem armada sobre o encontro – que nunca aconteceu – entre o filósofo Friedrich Nietzsche e o médico Josef Breuer, relutante pioneiro da psicanálise. Sigmund Freud aparece no romance como um jovem médico sem fama nem grana. É o lado "gente-como-a-gente" dos gênios. Tudo muito bonito, muito humano, entende? Pena que o pensador chorão de Yalom apresente uma versão um tanto aguada da às vezes indevassável filosofia do Nietzsche original. Ainda assim, aí está um best-seller que, ao contrário de Paulo Coelho ou Danielle Steel, ajudará seu leitor a fazer amigos até numa festa de intelectuais.

 


Fontes: São Paulo: Cultura, Laselva, Saraiva, Livraria da Vila, Fnac, Siciliano, Nobel; Rio: Saraiva, Laselva, Sodiler, Siciliano, Argumento; Porto Alegre: Saraiva, Siciliano, Livraria Porto Alegre, Cultura, Livrarias Porto; Brasília: Sodiler, Siciliano, Saraiva, Livraria Leitura; Recife: Sodiler, Saraiva, Siciliano; Natal: Sodiler; Florianópolis: Siciliano, Livrarias Catarinenses; Goiânia: Siciliano,Saraiva, Livraria Leitura; Fortaleza: Siciliano, Laselva; Salvador: Siciliano; Curitiba: Siciliano, Saraiva, Livrarias Curitiba; Belo Horizonte: Siciliano, Livraria Leitura; Maceió: Sodiler; Belém: Clio; Vitória: Livraria Leitura.
 
 
 
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