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VEJA Recomenda
CINEMA
Divulgação
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| Tom Hanks no novo filme
de Spielberg: no limbo de um aeroporto |
O
Terminal (The Terminal,
Estados Unidos, 2004. Estréia nesta sexta-feira) Uma
má notícia aguarda Viktor Navorski, cidadão
do Leste Europeu, quando seu avião chega a Nova York: seu
país está em guerra civil, seu visto foi cancelado
e ele não pode entrar nos Estados Unidos. Viktor, além
disso, não pode alegar status de exilado, refugiado ou semelhantes.
Só lhe resta vagar pelo terminal do aeroporto, meses a fio.
Como quem interpreta Viktor é Tom Hanks, é claro que
logo ele terá feito montes de amigos. O filme derrapa no
sentimentalismo no terço final, e perde tempo com um romance
desnecessário entre os personagens de Hanks e Catherine Zeta-Jones.
É, portanto, uma criação menor de Steven Spielberg.
Mas, sobretudo na primeira hora, tem passagens excelentes, que justificam
uma conferida. Assista
ao trailer.
DVD
Wyatt
Earp (Estados Unidos, 1994. Warner)
Todo mundo torceu o nariz para este western estrelado por
Kevin Costner à época de seu lançamento: longo
e solene demais, era o que se dizia. Numa revisão, porém,
suas qualidades se tornam mais evidentes do que os seus defeitos.
Entre elas está a visão nada romântica de um
dos xerifes mais linha-dura (e mais detestados) do Velho Oeste.
No comando da poeirenta Tombstone, Earp transgride a lei ao desafiar
dois clãs de malfeitores (devidamente mancomunados com boa
parte da Justiça local) para um formidável duelo
episódio que passou à história, e à
lenda, como o tiroteio do OK Corrall. O elenco inclui Gene Hackman,
Isabella Rosselini e Bill Pullman. Mas o destaque fica com Dennis
Quaid, um arraso no papel do pistoleiro tuberculoso Doc Holliday.
LIVROS
O
Marquês de Pombal e Sua Época,
de João Lúcio de Azevedo (Alameda; 400 páginas;
54 reais) Ministro do rei José I, Sebastião
José de Carvalho e Melo, o marquês de Pombal (1699-1782),
foi o maior político português do século XVIII
e talvez a figura mais polêmica da história
de seu país. O homem que expulsou os jesuítas de Portugal
costumava ser retratado ora como um tirano sanguinário, ora
como um estadista inovador. Português que viveu muitos anos
no Brasil, João Lúcio de Azevedo (1855-1933) conseguiu
traçar um retrato equilibrado do marquês. Embora o
autor afirmasse modestamente que não havia composto o retrato
definitivo de Pombal e de sua época, sua obra, publicada
em 1913, tornou-se rapidamente um clássico da historiografia
portuguesa.
Rebeldes,
de Sándor Márai (tradução de Paulo Schiller;
Companhia das Letras; 220 páginas; 36 reais) Sándor
Márai foi um escritor bastante popular na Hungria, até
que a censura do regime comunista baniu seus livros. O autor partiu
para o exílio, em 1948, e acabaria cometendo suicídio,
nos Estados Unidos, em 1989. Redescoberta nos últimos anos,
sua obra tem uma certa tonalidade melancólica na observação
da natureza humana. Rebeldes, seu quinto romance traduzido
no Brasil, narra a convivência de quatro amigos adolescentes
em uma cidade da Europa Central, logo após a I Guerra. Em
face de uma sociedade arruinada que não consegue mais legitimar
seus valores, os garotos acabam optando pelo vandalismo e pela marginalidade.
Leia
trecho.
Laranja
Mecânica, de Anthony Burgess
(tradução de Fábio Fernandes; Aleph; 224 páginas;
36 reais) Apesar de ser um seguidor confesso daquele que
é considerado um dos escritores mais difíceis do século
XX o irlandês James Joyce, autor de Ulisses
, o inglês Anthony Burgess (1917-1993) conseguiu se
tornar um escritor pop. Narrativa em primeira pessoa dos crimes
e desventuras de Alex, líder de uma gangue juvenil, Laranja
Mecânica popularizou conceitos como "ultraviolência".
Lançado originalmente em 1962 (e brilhantemente adaptado
para o cinema por Stanley Kubrick), o romance retorna às
livrarias brasileiras em nova tradução. E não
perdeu nada de sua vitalidade, o que é raro entre peças
de ficção científica que, como esta, se situam
em um "futuro próximo".
DISCOS
Live
at the Rainbow Room, Jane Monheit
(Indie Records) A cantora americana de 26 anos está
sendo apontada como uma das principais revelações
do jazz, ao lado da também americana Norah Jones e da canadense
Diana Krall. O que mais chama atenção no trabalho
de Jane Monheit é a tranqüilidade com que trata os principais
clássicos do cancioneiro internacional. Dona de uma voz belíssima,
ela evita versões muito reverentes às originais, mas
não gasta a garganta em arroubos virtuosísticos. Basta
conferir Waters of March, de Tom Jobim, que traz solos do
baixista Ron Carter, e a releitura dançante de Cheek to
Cheek, eternizada por Fred Astaire. Gravado há dois anos,
Live at the Rainbow Room saiu anteriormente em DVD. O CD
traz o mesmo repertório. Ouça
o disco
Medulla,
Björk (Universal) De Björk espera-se tudo, menos
obviedade. Este novo CD da artista islandesa traz diversos exercícios
vocais e muito pouca instrumentação. Nas entrevistas
que deu para divulgar o álbum, ela disse que, após
a turnê anterior, quando cantou acompanhada por uma orquestra,
optou por voltar ao básico. Björk canta em todos os
registros (da voz de menininha aos grunhidos agressivos de roqueira)
e recita dois poemas em islandês. À primeira audição,
Medulla causa estranheza. Mas também seduz com sua
musicalidade exótica. Oceania, que Björk cantou
na abertura das Olimpíadas de Atenas, e Vökuro
(um dos dois poemas em islandês) são pontos altos do
disco.
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Os
mais vendidos
Jerônimo
Teixeira
Eis
um caso enigmático de sucesso de vendas. Quando
Nietzsche Chorou (tradução de
Ivo Korytowski; Ediouro; 410 páginas; 44 reais)
já figura na lista de mais vendidos há
três semanas. Publicado no Brasil em 1995 e relançado
em 2002, o livro não tem aparecido na imprensa,
não foi adaptado para o cinema, não está
no centro de nenhuma grande campanha publicitária.
O autor, Irvin D. Yalom, psicoterapeuta e professor
da Universidade de Stanford, Estados Unidos, tampouco
é um nome célebre nas listas de best-sellers.
Aliás, esse é seu primeiro romance. O
sucesso, portanto, se deve apenas ao boca-a-boca
promovido, segundo a Ediouro, pelos psicanalistas, que
adoram o livro.
Quando
Nietzsche Chorou é uma história bem
armada sobre o encontro que nunca aconteceu
entre o filósofo Friedrich Nietzsche e o médico
Josef Breuer, relutante pioneiro da psicanálise.
Sigmund Freud aparece no romance como um jovem médico
sem fama nem grana. É o lado "gente-como-a-gente"
dos gênios. Tudo muito bonito, muito humano, entende?
Pena que o pensador chorão de Yalom apresente
uma versão um tanto aguada da às vezes
indevassável filosofia do Nietzsche original.
Ainda assim, aí está um best-seller que,
ao contrário de Paulo Coelho ou Danielle Steel,
ajudará seu leitor a fazer amigos até
numa festa de intelectuais.
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