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Tales
Alvarenga
Meu nome é Dirceu!
"Dirceu é
o general de Lula para as legiões
petistas. Ele tem o comando do partido na
palma da mão. Quando fala, fala para suas
legiões. É para elas que bufa em véspera
de eleição municipal"
O ministro
José Dirceu, chefe da Casa Civil da Presidência, tem
lampejos do personagem Enéas, aquele que está sempre
ameaçando os interlocutores sem que se saiba direito por
que transforma a provocação num estilo de convivência.
José Dirceu, como um técnico de futebol que vai mal
das pernas, vive sendo prestigiado pelo presidente do clube. Na
semana passada, ele foi nomeado para mais um posto na administração
federal. É agora presidente da Comissão de Incentivo
aos Investimentos Produtivos Privados no Brasil. Dirceu já
é presidente da Câmara de Política Social, da
Câmara de Desenvolvimento Econômico e de outros dezenove
grupos coletivos dedicados a reuniões na Esplanada dos Ministérios.
Apesar de tantos cargos, não se sabe muito bem o que José
Dirceu coordena. Nomeado para a nova comissão, ele explicou
o que vai fazer: "Vamos atrás de investimentos aqui e fora
e vamos arrombar as portas onde elas estão fechadas". Ou
seja: "Meu nome é Dirceu!"
Na nova
função, o ministro vai tentar pôr em prática
as chamadas Parcerias Público-Privadas (PPP), uma das ferramentas
idealizadas para estimular os investidores a aplicar em ferrovias,
hidrelétricas, portos e outras áreas da infra-estrutura.
Esse é o setor que o ministro José Dirceu quer fazer
crescer através de arrombamentos. Antes, porém, é
preciso aprovar o projeto no Senado. Alguns nomes da oposição,
principalmente o senador Tasso Jereissati, tucano do Ceará,
estão com receio de que o dinheiro público a ser envolvido
nessas parcerias acabe escorrendo para o bolso privado por meio
de roubalheiras e desperdícios. Por isso, querem incluir
certos controles na lei das PPPs.
Ao falar
sobre suas novas atribuições na semana passada, Dirceu
não se conteve e, sem que ninguém o tivesse provocado,
mandou um recado aos oposicionistas. "O PSDB tem autoridade moral
para falar em recursos do BNDES e fundos de pensão depois
de tudo o que aconteceu durante os oito anos em que governaram?"
Não acrescentou, mas poderia: "Meu nome é Dirceu!"
Naquele
momento o PT estava justamente tentando aparar diferenças
com a oposição no Senado para aprovar matérias
de seu interesse, inclusive as PPPs. Os ataques do ministro Dirceu
anularam o trabalho de aproximação que vinha sendo
feito nos dias anteriores. O PT nunca foi eleitoralmente tão
forte, nunca arrecadou tanto dinheiro de doadores de campanha para
eleições municipais, nunca infiltrou tantos militantes
de alto a baixo na máquina de governo. Pela primeira vez,
desde que Lula assumiu, há notícias excelentes na
frente econômica. O Brasil deverá crescer algo como
5% em 2004, suas exportações estão em níveis
inéditos e o agronegócio explode por todo o país.
E, no entanto, o PT continua criando crises gratuitamente, como
essa inventada na semana passada pelo ministro José Dirceu.
O que está
acontecendo? Por que o diálogo com o Congresso em casos delicados
como o das PPPs não fica com alguém como o ministro
Antonio Palocci, ou o ministro Luiz Fernando Furlan, ou qualquer
outro integrante do governo com menos adrenalina do que Dirceu?
Por que se dão a Dirceu tantas atribuições?
Por que ele aparece tanto em brigas internas e externas? A interpretação,
no governo, é a de que Dirceu é o general de Lula
para as legiões petistas. Ele tem o comando do partido na
palma da mão. Quando fala, fala para suas legiões.
É para elas que bufa em véspera de eleição
municipal.
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