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Carta ao leitor
Sete de Setembro vermelho
Liane Neves
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| Escola do MST: Marx,
Mao e Che são os heróis |
Uma reportagem
da presente edição de VEJA mostra que funcionam no
Brasil 1 800 escolas de ensino fundamental cujas salas de aula são
ornamentadas com a bandeira vermelha do Movimento dos Trabalhadores
Rurais Sem Terra (MST), e não apenas com o pavilhão
verde-amarelo nacional com a inscrição "Ordem e Progresso".
Pelo menos 1.000 dessas escolas são instituições
públicas. Apesar de pertencerem ao Estado brasileiro, essas
escolas e as outras mantidas pelo MST em áreas rurais do
país adotam uma cartilha peculiar para os 160.000 alunos.
Crianças a partir de 7 anos de idade aprendem que o Sete
de Setembro não é o Dia da Independência do
Brasil, mas o "Dia dos Excluídos". No calendário dos
centros de doutrinação infantil do MST são
celebrados os dias 5 de maio, nascimento de Karl Marx; 1° de
outubro, Revolução Maoísta na China; e 8 de
outubro, morte de Che Guevara.
A repórter
de VEJA Monica Weinberg visitou duas dessas escolas, ambas no Rio
Grande do Sul, um dos primeiros Estados a absorver na rede pública
os estudantes do MST. Em Hulha Negra, município a 80 quilômetros
de Bagé onde 4.000 dos 7.000 habitantes são do MST,
Monica assistiu a uma peça de teatro encenada por crianças
na qual elas repudiavam os transgênicos. Em vez de cantigas
de roda, as crianças se davam as mãos para entoar
o grito de guerra: "Sem-terrinha em ação, pra fazer
a revolução!"
Essas escolas
são nocivas. Não apenas por estarem substituindo uma
função precípua do Estado, que é fornecer
ensino básico às crianças brasileiras, mas
por estarem inculcando em uma parcela dos jovens uma ideologia revolucionária
que, antes de ser derrotada pelos fatos no século passado,
produziu toda sorte de miséria, guerra e infortúnio
social. Os campos de doutrinação do MST precisam urgentemente
ser vistoriados pelo governo brasileiro, e seus currículos,
submetidos a algum tipo de avaliação pelo Ministério
da Educação (MEC). Como se tem feito, de maneira freqüente,
em relação às ações ilegais e
violentas do Movimento dos Sem-Terra, é arriscado ignorar
que em vez de civismo essas escolas ensinam a dezenas de milhares
de pequenos brasileiros os rudimentos da revolução
marxista.
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