Planeta Terra:
depois desta série
da BBC, o documentário sobre a
natureza não será mais o mesmo
Planeta Terra(estréia
no sábado, dia 11, às 20h, no Discovery)
A série da rede inglesa BBC representa, sem exagero,
um divisor de águas nos documentários sobre
a natureza. Por cinco anos, seus realizadores captaram imagens
das principais paisagens selvagens do planeta, dos oceanos
aos desertos e cordilheiras. Para além de oferecer
um panorama tão amplo, Planeta Terra impressiona
pelo visual: as filmagens em alta definição
desnudam o mundo animal por ângulos sensacionais. Boa
parte desse tour de force de onze horas já foi
exibida na TV paga (e trechos dela também chegaram
ao Fantástico, na Rede Globo). Mas faltava essa
última fornada de três episódios, em que
os produtores voltam aos ecossistemas que já haviam
visitado para investigar os efeitos nocivos do aquecimento
global.
DVD
Divulgação
Últimos Dias:
a desintegração de Kurt Cobain
Últimos Dias (Last Days, Estados Unidos, 2005.
Warner) Depois de dramatizar de maneira brilhante a
tragédia da escola de Columbine em Elefante,
o diretor Gus Van Sant aplica as mesmas estratégias
ao suicídio do cantor Kurt Cobain, líder do
Nirvana, que se matou com um tiro em 1994. Visto quase sempre
de costas, caminhando para cá e para lá e balbuciando
frases ininteligíveis, "Blake" (o nome fictício
que Cobain, interpretado por Michael Pitt, ganha no filme)
se move dentro de algum pesadelo particular, observado mas
quase nunca abordado por um grupo de amigos que está
com ele numa mansão dilapidada no campo. A narrativa
é tão anticonvencional quanto a de Elefante,
embora seu impacto, aqui, seja consideravelmente menor. Ainda
assim, Van Sant tem sucesso em captar o "lado B" de um pop
star ou seja, sua desintegração psicológica.
LIVROS
A
Interpretação do Assassinato, de Jed
Rubenfeld (tradução de Paulo Schiller; Companhia
das Letras; 480 páginas; 53 reais) Sigmund Freud,
o criador da psicanálise, visitou os Estados Unidos
apenas uma vez, em 1909, e não levou uma impressão
das mais favoráveis do país. Em seu primeiro
romance, Jed Rubenfeld especialista em direito constitucional,
que dá aulas na Universidade Yale compôs
uma envolvente história policial em torno dessa visita.
No dia seguinte à chegada de Freud, uma mulher é
assassinada por estrangulamento. Uma segunda vítima
escapa do assassino, mas, assolada por uma crise histérica,
não consegue se recordar do ataque. É para ajudá-la
a lembrar que um psicanalista americano começa a tratá-la
e acaba envolvendo o próprio Freud na investigação.
Leia
trecho.
Jean-Christian
Boucart/Getty Images
Vonnegut: um "repórter
do além" que não agrada só a hippies
e doidões
Deus O Abençoe,
Dr. Kevorkian (tradução de S. Duarte;
Record; 80 páginas; 28 reais) Morto em abril
deste ano, aos 84 anos, Kurt Vonnegut era amado por hippies
e doidões, principalmente por causa de Matadouro
5, romance que realizou uma curiosa mistura de sátira
social, ficção científica e militância
pacifista. Mas não é preciso pertencer
a nenhuma tribo "alternativa" para admirar a irreverência
do escritor americano, muito bem representada nos 21 textos
coletados em Deus O Abençoe, Dr. Kevorkian.
Vonnegut se apresenta como um "repórter do além",
que, com a ajuda do médico Jack Kevorkian o
polêmico defensor da eutanásia , passa
por uma série de experiências de "quase-morte".
Do lado de lá, ele entrevista um time eclético
de personalidades, de William Shakespeare e Isaac Newton a
Adolf Hitler. Leia
trecho.
Uf Andersen/Getty
Images
Palahniuk: dezoito
escritores aprisionados em um pesadelo
Assombro,de Chuck Palahniuk
(tradução de Paulo Reis; Rocco; 388 páginas;
49,50 reais) Um grupo de dezoito aspirantes a escritor
responde a um anúncio que promete um "retiro criativo"
de três meses, durante os quais será possível
se dedicar integralmente aos contos, romances, poemas e roteiros
que cada um sonha realizar. Mas o tal retiro é uma
armadilha: os desgraçados autores são aprisionados
dentro de um teatro abandonado, onde devem lutar para sobreviver
pelos noventa dias. Assombro entremeia a narrativa
dos padecimentos dos escritores com os textos que eles produzem
nessa situação extrema todos repletos
de aberrações sexuais e situações
bizarras, marcas registradas de Palahniuk, autor de Clube
da Luta. Leia
trecho.
DISCOS
Divulgação
Velvet Revolver:
um pouco de Guns N'Roses, outro tanto de Stone Temple
Pilots agora na calibragem certa
Libertad,Velvet
Revolver (Sony BMG) Formada por uma união entre
o que restou do Guns N'Roses original e a voz de Scott Weiland,
do Stone Temple Pilots, a banda Velvet Revolver se mostra
mais madura e coesa neste seu segundo álbum. Boa parte
dessa evolução que se verifica em Libertad
vem do antigo produtor do Pilots, que calibra a participação
dos integrantes do grupo de forma a obter mais força
e textura em canções como Let It Roll,
que abre o disco com vigor, e She Builds Quick Machines,
que mostra que, para o guitarrista Slash, os anos 80 ainda
não se foram por completo. O título Libertad
nada tem de político: fala do dilema pessoal de Weiland,
a luta contra as drogas ainda.