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8 de agosto de 2007
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O técnico das arábias

Quem é Jorvan Vieira, o brasileiro que
levou o Iraque à vitória na Copa da Ásia


Duda Teixeira

Reuters
Vieira, festejado após a vitória: conversas em árabe para unir o time


Desde a queda de Saddam Hussein, os iraquianos não faziam tanta festa. Pela primeira vez, a seleção do país conquistou a Copa da Ásia. O time iraquiano, zebra da competição, venceu a Arábia Saudita por 1 a 0 na final em Jacarta, na Indonésia, no domingo 29. O herói da conquista foi o técnico Jorvan Vieira, um brasileiro até então praticamente desconhecido no Brasil. Em apenas seis semanas, ele transformou uma equipe de jogadores desunidos e fora de forma em um time motivado e campeão, o que fez com que a imprensa européia o chamasse de "milagreiro".

Vieira aceitou o desafio de treinar a seleção depois de vários técnicos iraquianos terem declinado da proposta devido a ameaças de morte. Sua primeira impressão ao ver o time em campo foi péssima. Curdos não passavam a bola para os xiitas, que não tabelavam com sunitas. Vieira, que fala árabe com fluência, começou por conversar demoradamente com os jogadores. "Deixei claro que a missão principal deles era mostrar ao povo iraquiano que é possível conviver com as diferenças", disse o técnico a VEJA. Vieira tem um currículo pouco comum entre os técnicos brasileiros. Estudou educação física no Rio de Janeiro, fez pós-graduação na Alemanha e é capaz de se expressar em sete idiomas. A carreira internacional começou quase trinta anos atrás. Preparador físico da Portuguesa carioca, ele foi convidado a trabalhar no Catar. Pesou na proposta o fato de ele ser, então, um dos poucos profissionais do futebol brasileiro a falar inglês.

O técnico nunca mais voltou a viver no Brasil, onde tem uma filha do primeiro casamento. Em 1993, casou-se com uma aeromoça marroquina, Khadija Fahim. O casal tem um filho de 10 anos e vive em Casablanca, no Marrocos. A integração de Vieira ao mundo árabe incluiu a conversão ao islamismo, em 1990. Hoje, ele reza cinco vezes por dia, como manda a religião, mesmo que precise interromper o treino. O brasileiro só aceitou o comando da seleção do Iraque depois de receber a garantia de que não seria preciso ir a Bagdá. A equipe concentrou-se em Amã, na vizinha Jordânia. A distância não impediu que o time fosse afetado pelo conflito iraquiano. Cada jogador perdeu pelo menos um parente no conflito. Na comemoração pela vitória nas semifinais contra a Coréia do Sul, dois atentados mataram mais de cinqüenta torcedores que festejavam a conquista. Em memória a eles, Vieira e os jogadores passaram a usar uma faixa negra no braço. No momento, ele estuda propostas de trabalho da Coréia do Sul e da Arábia Saudita. Mas seu sonho é ser treinador na Espanha.

 

A FICHA DE JORVAN

Idade: 53 anos

Onde nasceu: Duque de Caxias, RJ

Onde mora: Casablanca, Marrocos

Deixou o Brasil em: 1978, para atuar no Catar

Principal conquista: técnico da seleção iraquiana, campeã da Copa da Ásia

Idiomas em que se expressa: português, árabe, inglês, francês, espanhol, italiano, darija (dialeto marroquino). Entende o alemão e o malaio

Países onde trabalhou: Brasil, Catar, Jordânia, Malásia, Kuwait, Omã, Egito, Marrocos, Portugal e Iraque

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