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André
Petry
As opiniões dos Lulas
" 'As empresas
aéreas estão falindo, milhares de trabalhadores
perdem seus empregos e o nosso país perde cada
vez mais capacidade competitiva. Até quando, senhor
presidente?'
A pergunta foi feita por Lula. Há seis
anos"
Neste texto, o
leitor terá contato com o relato do que se passou em
duas datas diferentes, com intervalo de quase seis anos entre
uma e outra. Adiante:
7 de janeiro de
2002 Nessa data, quando nem era candidato oficial à
Presidência, Lula publicou um artigo no jornal Gazeta
Mercantil cujo título era "Morte anunciada do transporte
aéreo".
No texto, referindo-se
à então recente paralisação da
TransBrasil, Lula diagnosticava que "a crise da aviação
brasileira" estava atingindo "um estágio terminal".
Depois de dizer que "o transporte aéreo é reconhecidamente
um setor estratégico, principalmente para um país
como o Brasil", Lula contava que Estados Unidos, França,
Itália, Espanha e Portugal vinham trabalhando para
que seus sistemas aéreos ganhassem em "eficiência
para movimentar pessoas, produtos e serviços".
Em seguida, voltando
à situação do Brasil, Lula dizia no mesmo
artigo que a reestruturação que as companhias
aéreas promoviam na época não estava
resolvendo o problema e previa que a "tendência
é de o setor continuar afundando". Lula se indagava:
"O que é preciso para que o nosso país tenha
um transporte aéreo eficiente?". O articulista dizia
que as empresas brasileiras precisavam ter condições
semelhantes às das americanas, que compravam combustível
mais barato, tinham mais acesso a capital de giro, pagavam
menos impostos.
Lula encerrava
o artigo fazendo uma crítica ao governo de Fernando
Henrique. Dizia que no ano anterior, em 2001, o tucano mandara
um projeto para o Congresso prevendo a criação
de uma tal Agência Nacional de Aviação
Civil, que atenderia pela sigla Anac. Contava que, ao analisarem
o tema, os parlamentares decidiram introduzir mudanças
no projeto original. "E o que fez o governo FHC?", indagava
Lula, para responder: "No dia da votação, de
forma autoritária, simplesmente retirou o projeto,
encerrando a discussão". Lula lamentava que a criação
da Anac fora abortada.
Seu artigo terminava
assim: "As empresas aéreas nacionais estão falindo,
milhares de trabalhadores continuam perdendo seus empregos,
divisas estrangeiras deixam de entrar no Brasil e o nosso
país perde cada vez mais capacidade competitiva. Até
quando, senhor presidente?".
Conclusão:
o artigo era uma avaliação mais voltada
para a crise das empresas aéreas do que do setor como
um todo. Mas quem leu o texto na época, mesmo supondo
que fora escrito por um assessor, certamente pensou que Lula
tinha alguma intimidade com o assunto.
2 de agosto de
2007 Nessa data, já entrando na segunda metade
do seu quinto ano no governo, Lula reuniu seu conselho político
e disse que desconhecia a extensão da crise aérea.
Disse que nunca lhe mostraram claramente a gravidade da situação.
Para provar sua completa ignorância sobre o tema, disse
que nunca o assunto fora mencionado nas cinco eleições
presidenciais que disputou.
Conclusão:
quem foi informado dessas declarações de
Lula certamente pensou, caso tenha acreditado nelas, que o
presidente jamais teve a mínima intimidade com o assunto.
O que terá
acontecido entre 7 de janeiro de 2002 e 2 de agosto de 2007?
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