Publicidade
buscas
cidades PROGRAME-SE
Edição 1 712 - 8 de agosto de 2001
Artes e Espetáculos Livros
 

estasemana
(conteúdo exclusivo para assinantes VEJA ou UOL)
Sumário
Brasil
Internacional
Economia e Negócios
Geral
Guia
Artes e Espetáculos
  Casamento de Fábio Jr. com a Record também balança
O novo CD do grupo adolescente 'N Sync
O beatle George Harrison grava versão de Anna Júlia
Belo engorda conta bancária afastando-se do pagode
Um General na Biblioteca, de Italo Calvino
Mulheres com Homens, de Richard Ford
Final Fantasy
O Círculo: uma produção iraniana

colunas
(conteúdo exclusivo para assinantes VEJA ou UOL)
Claudio de Moura Castro
Sérgio Abranches
Diogo Mainardi
Roberto Pompeu de Toledo

seções
(conteúdo exclusivo para assinantes VEJA ou UOL)
Carta ao leitor
Entrevista

Cartas
VEJA on-line
Radar
Contexto
Holofote
Veja essa
Arc
Notas internacionais
Hipertexto
Gente
Datas

Para usar
VEJA Recomenda
Os mais vendidos

arquivoVEJA
(conteúdo exclusivo para assinantes VEJA ou UOL)
Busca detalhada
Arquivo 1997-2001
Busca somente texto 96|97|98|99|00|01


Crie seu grupo




 

Trivial fino

Você poderia viver essas
histórias. Difícil
seria narrá-las
tão bem quanto Richard Ford

Ana Maria Machado*

O título do livro que aqui se resenha, Mulheres com Homens (tradução de Beatriz Horta e Neuza Capelo; Record; 255 páginas; 30 reais), é uma piscadela cúmplice que o autor, o americano Richard Ford, lança em direção ao leitor. Ele traz à memória Homens sem Mulheres, uma das mais famosas coletâneas de contos de Ernest Hemingway. Irônica alusão. Nem as histórias de Hemingway tratavam de heróis solitários, nem essas tratam de heroínas acompanhadas. A não ser que se relativize bastante a noção de companhia. O volume é uma reunião de três contos, dois dos quais se passam em Paris, enquanto o terceiro tem como cenário um lugarejo no interior dos Estados Unidos. Mais precisamente, no Estado de Montana, onde Ford vive um cotidiano que o faz ser conhecido quase como um caubói que escreve. Em nenhum deles há uma mulher que possa realmente dizer que conta com um homem a seu lado. E todos são narrados de um ponto de vista masculino. Entretanto, poucas vezes um autor contemporâneo se revelou tão perceptivo em relação às coisas miúdas do cotidiano e conseguiu recriar com tanta acuidade situações de que as mulheres se queixam, porque as fazem se sentir sozinhas.

A idéia do americano em Paris, em viagem de trabalho, serve de ponto de partida para O Mulherengo e Ocidentais. Em ambos os casos, o protagonista se entrega a devaneios sobre a possibilidade de envolver-se em novas experiências – e isso justamente acaba por afastá-lo das vivências genuínas que poderia ter ao lado de uma mulher. Os dois contos são estudos do egocentrismo. Num deles, o personagem, um executivo casado, fica tão voltado para dentro de si mesmo que se desliga do mundo e põe em risco a vida de uma criança. Não demonstra a menor capacidade para perceber o que sua mulher está vivendo no casamento ou para entender o que se passa com a amante em perspectiva. No outro relato, um ex-professor divorciado, que escreveu um livro prestes a ser traduzido para o francês, viaja com a namorada para conhecer seu editor em Paris. Está tão preocupado em viver de acordo com um papel que inventa para si – ironicamente, o de um personagem que "não quer ser o centro das coisas" – que nem ao menos aprecia o que a cidade lhe oferece ou se dá conta de que sua companheira está vivendo uma experiência radical.

O terceiro conto, Ciúme, é narrado na primeira pessoa por um garoto adolescente, que vive no campo com o pai, recém-separado, e está partindo em viagem para passar um feriadão com a mãe em outro Estado. Esse não é um personagem egocêntrico, é só muito jovem, e passa por acontecimentos graves com uma certa perplexidade e estranheza que atordoam sua compreensão, mas não conseguem embotar sua sensibilidade. Nos três contos, é impossível não admirar as qualidades com que o autor maneja a narrativa, a economia com que escreve, sem apelação nem virtuosismo. Não é sempre que se encontra um autor americano contemporâneo que não está preocupado em demonstrar uma idéia ou conquistar o máximo de público possível. Prestando atenção ao que é miúdo e trivial, Richard Ford retrata pessoas comuns, em situações corriqueiras, mas a um passo de acontecimentos altamente significativos que elas não percebem. Pode ocorrer com qualquer um. Difícil é contar tão bem.

 

SEXO SEM USAR AS MÃOS


Nancy Crampton
O americano Richard Ford: estudos do egocentrismo


"Não queria se deitar. Helen não estaria disposta
para bobagens sexuais, mas se ele estivesse na cama quando ela saísse do banheiro, isso poderia indicar que estava querendo e provocar problemas de natureza imprevisível. Helen tinha feito algumas observações desagradáveis sobre o desejo que ele sentia pelo tipo de sexo em que ela se especializou – "sexo-adulto", como ela chamava, ou "sexo sem usar as mãos". Mas ele estava pouco interessado no assunto. Por alguma razão, as mulheres agora pareciam sexualmente insaciáveis. Na faculdade, uma professora de Economia com quem ele saiu uma vez quis fazer sexo sem parar, e ele não gostou muito disso. Ficou confuso."

Trecho do conto Ocidentais

 

* Ana Maria Machado é escritora, autora
de
Para Sempre, entre outros livros.



   
canaldecompras
O que é canal de compras
CDs DVDs Vídeos
Saraiva.com.br
 
Livros
Saraiva.com.br
Espiral
 
Ingressos
Fun by Net
 
   
  voltar
   
   
  NOTÍCIAS DIÁRIAS