Publicidade
buscas
cidades PROGRAME-SE
Edição 1 712 - 8 de agosto de 2001
Artes e Espetáculos Livros
 

estasemana
(conteúdo exclusivo para assinantes VEJA ou UOL)
Sumário
Brasil
Internacional
Economia e Negócios
Geral
Guia
Artes e Espetáculos
  Casamento de Fábio Jr. com a Record também balança
O novo CD do grupo adolescente 'N Sync
O beatle George Harrison grava versão de Anna Júlia
Belo engorda conta bancária afastando-se do pagode
Um General na Biblioteca, de Italo Calvino
Mulheres com Homens, de Richard Ford
Final Fantasy
O Círculo: uma produção iraniana

colunas
(conteúdo exclusivo para assinantes VEJA ou UOL)
Claudio de Moura Castro
Sérgio Abranches
Diogo Mainardi
Roberto Pompeu de Toledo

seções
(conteúdo exclusivo para assinantes VEJA ou UOL)
Carta ao leitor
Entrevista

Cartas
VEJA on-line
Radar
Contexto
Holofote
Veja essa
Arc
Notas internacionais
Hipertexto
Gente
Datas

Para usar
VEJA Recomenda
Os mais vendidos

arquivoVEJA
(conteúdo exclusivo para assinantes VEJA ou UOL)
Busca detalhada
Arquivo 1997-2001
Busca somente texto 96|97|98|99|00|01


Crie seu grupo




 

Pequenos clássicos

Mal terminada a leitura dos "continhos"
de Italo Calvino, já se quer recomeçar

Antonio Gonçalves Filho


Os clássicos, como escreveu o escritor Italo Calvino (1923-1985), são aqueles livros dos quais, em geral, se ouve dizer "estou relendo" e nunca "estou lendo". Pode-se concluir, então, que Um General na Biblioteca (tradução de Rosa Freire D'Aguiar; Companhia das Letras; 250 páginas; 24 reais), coletânea de 32 narrativas produzidas entre 1943 e 1984 pelo escritor italiano, já nasceu clássico. Mal terminada a leitura de um conto, sente-se o irresistível desejo de recomeçar do marco zero. E esses contos e apólogos, que começaram a ser escritos quando o autor não tinha 20 anos, constituem, de fato, um marco inaugural. Com o fim da guerra, em 1945, Calvino anunciou que passaria do teatro à narrativa, fazendo dessa uma extensão de sua militância contra os fascistas. Contemporâneo da geração dos neo-realistas, como Vittorini e Pavese, Calvino era um apaixonado pelo palco. Teria sido, se insistisse na carreira, um nome tão poderoso como Pirandello ou Dario Fo, mas sua rígida autocrítica o fez recuar e desistir da dramaturgia.

Muitas das situações descritas nos "raccontini" (continhos) da primeira parte do livro, que cobre o período de 1943 a 1958, funcionariam perfeitamente no teatro. Um deles, O Homem que Chamava Teresa, é um claro exemplo da síntese que se espera dos dramaturgos. Escrito no ocaso do fascismo, em 1943, o conto elege como personagem um homem que grita o nome de uma mulher, supostamente residente no último andar de um prédio. Ajudado inicialmente por um passante, que faz coro ao grito, o homem que chama Teresa acaba por reunir a seu lado um grupo de vinte outros desesperados gritadores. Em duas páginas, Calvino resume o que o teatro de Pirandello e o cinema de Antonioni levaram anos para construir: uma parábola da incomunicabilidade.

A economia de recursos dos "raccontini" e sua construção elíptica respondem pelo melhor da produção do escritor. Não é difícil perceber que o Calvino dessa primeira fase é menos ambicioso do que o da segunda parte do livro, que concentra os contos escritos entre 1968 e 1984. Mas há uma graça nos "raccontini" que seria irremediavelmente eclipsada na maturidade. Nessa, a fantasia cede lugar a discussões sobre produção capitalista (uma entrevista inventada com Henry Ford) e genocídio cultural (outra entrevista imaginária, dessa vez com Montezuma). A desilusão com o Partido Comunista Italiano, com o qual rompeu em 1956, conduziu Calvino para a rota da parábola.

Antes dos exercícios estilísticos com figuras como Ford e Montezuma, houve uma assumida tentativa de apropriação da herança deixada por autores como Conrad e Melville. Exemplo disso é A Grande Bonança das Antilhas, alegoria política sobre luta e imobilidade, em que os homens do almirante inglês Drake enfrentam a frota espanhola. O conto foi escrito um ano depois da ruptura com o PC. Calvino o releu em 1979. Não o tomou como uma metáfora adequada à situação da Itália da época, mas concluiu que o conto resistia independentemente da alegoria política. Essa é uma observação que também poderia ser aplicada ao conto que dá título ao livro, Um General na Biblioteca (1953). Nele, um general invade uma biblioteca para censurar livros contrários ao regime e acaba seduzido por eles. Num outro conto, O Chamado da Água (1976), um homem reflete sobre uma das conquistas da civilização (a água encanada) e conclui que a abundância desfrutada até a última chuveirada foi precária e ilusória. Calvino, obviamente, não estava pensando no Brasil, mas tanto a história dos generais como a do apagão os brasileiros conhecem bem demais para não admitir que o homem era mesmo um profeta.

   
canaldecompras
O que é canal de compras
CDs DVDs Vídeos
Saraiva.com.br
 
Livros
Saraiva.com.br
Espiral
 
Ingressos
Fun by Net
 
   
  voltar
   
   
  NOTÍCIAS DIÁRIAS