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Rebeldia
de butique
Com protestos contra a crítica
e as fãs fúteis, novo
CD do
'N Sync bate recordes de venda
Sérgio
Martins
Ainda não foi dessa vez que o mundo se livrou das famigeradas "boys
bands" aqueles grupos pré-fabricados de garotos dançantes,
que gostam de cantar em falsete. Lançado há duas semanas
nos Estados Unidos, Celebrity, novo álbum do quinteto
americano 'N Sync, quebrou um recorde na indústria de discos. O
CD vendeu 1,88 milhão de cópias na semana de estréia.
Outro grande feito de Celebrity foi a boa acolhida que o álbum
recebeu por parte da crítica. O 'N Sync ganhou resenhas elogiosas
das revistas americanas Rolling Stone e Time. Até
o tablóide musical inglês New Musical Express, famoso
por massacrar os ícones juvenis dos Estados Unidos, poupou os moçoilos.
No Brasil, Pop já está entre as vinte canções
mais executadas nas rádios das capitais mais importantes.
No disco, o principal truque do 'N Sync foi adotar, à sua maneira,
uma estratégia que sempre deu certo com a rapaziada do rock: protestar
contra tudo e todos. Para começar, o 'N Sync protesta contra quem
não gosta deles. Eis um trecho de Pop, pérola de
reclamação do quinteto: "Não interessa / Saber sobre
o carro que eu dirijo / Ou o que uso ao redor do meu pescoço /
O que interessa / É que vocês reconheçam nosso talento
/ E nos respeitem". Sobraram reclamações até para
as fãs: a faixa-título e Just Don't Tell Me That
trazem queixumes dos rapazes em relação a garotas que os
apreciam apenas por causa da fama e riqueza. Eles as acusam de futilidade.
"Estamos tentando crescer musicalmente e ir aonde nenhuma banda jamais
esteve", afirma Justin Timberlake, um dos vocalistas do 'N Sync, que nas
horas vagas namora a rainha do playback, Britney Spears. Embora tenha
sua dose de baladas insossas e dance music para animar academias de ginástica,
Celebrity é de fato o melhor disco do grupo. Traz algumas
surpresas no estilo "two step", a última novidade na música
eletrônica inglesa.
A boa receptividade da crítica e as boas vendas do 'N Sync no lançamento
de Celebrity, porém, não são garantia de que
tudo deu certo. O brutal mercado fonográfico americano espera que
os rapazes no mínimo se aproximem dos 11 milhões de cópias
vendidas com seu disco anterior, No Strings Attached. A experiência
recente dos principais rivais do 'N Sync, os Backstreet Boys, não
é nada animadora. Eles venderam 1,59 milhão de cópias
de Black & Blue na semana em que o disco chegou às lojas.
Depois, caíram vertiginosamente na parada. A turnê da banda
pelo mundo também não deu certo. Black & Blue foi
considerado um dos maiores fiascos comerciais do ano passado.

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