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Nadavam
dois a dois. O empresário e a namorada formavam um par, os tripulantes
o outro. Em pouco tempo, os dois pares estavam bem distantes um do outro,
a ponto de não se comunicarem mais. "Estávamos só
nós dois, eu e Fernanda, a uns 20 metros dos outros, imagino",
afirma João Paulo. Diferentemente do namorado, Fernanda não
era esportista. Nas últimas semanas, João Paulo a convenceu
a iniciar-se no squash e tentava fazê-la largar o cigarro. Ao notar
as dificuldades que a namorada enfrentava no mar, ele passou a tentar
estimular Fernanda, começando aquela série de idas e vindas.
"Na hora em que voltei para buscá-la na última vez e não
a encontrei, achei que havia nadado demais. Talvez tenha passado por ela
e não a tenha visto. E então aconteceu aquilo. Ela me chamava
de outro ponto do mar. Passei a nadar em todas as direções,
desesperado, e não a achava. Foi horrível", relembra João
Paulo. O empresário decidiu então nadar em direção
à praia e pedir socorro. Entre o acidente e o momento em que os
dois se perderam, passou-se aproximadamente uma hora, conta João
Paulo. O empresário nadou outros quarenta minutos sozinho. Essa
segunda etapa foi igualmente assustadora. "Quando eu estava a 500 ou 600
metros da praia, achei que fosse morrer. Não conseguia dar uma
braçada. Sentia uma leveza no corpo, como se nada tivesse acontecido.
Estava mole, num estado de letargia. Quase me afoguei. Não sei
de onde tirei forças."
Luis Carlos Murauskas/Folha Imagem
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O co-piloto Cintra: mesmo
sem saber nadar direito, ele conseguiu chegar à praia depois
de
mais de duas horas |
Em
terra firme, o pai de João Paulo, Abilio Diniz, percebeu que alguma
coisa estava errada por volta das 7 da noite. Ele embarcaria no mesmo
helicóptero rumo ao interior do Estado. "Quando a aeronave que
o levou à praia não voltou para me buscar, meu mundo caiu",
contou Abilio Diniz a VEJA. Nos dias que se seguiram ao acidente, surgiram
diversas especulações sobre o que teria acontecido. Uma
delas sugeria que João Paulo havia abandonado a namorada em alto-mar.
Perguntado sobre as razões que o levaram a nadar sozinho, o empresário
explica que não a abandonou. Rumou de forma determinada em direção
à praia como única maneira de buscar reforço. Outra
especulação estava relacionada com o mau tempo. Por que
o piloto decidiu decolar em condições tão ruins?
Será que não teria sido pressionado pelo patrão?
Não são raros casos desse tipo, mas João Paulo Diniz
garante que em nenhum momento os dois discutiram a qualidade do tempo.
Em diversas ocasiões, lembra, o piloto Ribeiro deixou de decolar
com ele, e nunca houve discussão. Durante o trajeto, Ribeiro não
fez menção de voltar a São Paulo nem deu alerta algum
aos passageiros. "Nunca, em nenhuma hora, houve questionamento sobre o
clima", afirma João Paulo.
Samir Baptista/AE
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| A
casa da família Diniz, em Maresias: forte esquema de segurança, com
câmaras de vídeo em todos os aposentos |
Na
semana passada, os técnicos da Agusta estavam intrigados com o
ocorrido. Depois de seu lançamento, em 1996, foram vendidas cerca
de 130 unidades do Agusta Power (dez delas circulam no Brasil). Nenhuma
delas havia caído até hoje. Nos primeiros momentos após
o acidente, cogitou-se a possibilidade de o desastre ter ocorrido em razão
de alguma falha mecânica do helicóptero. No fim da semana
passada, essa hipótese se enfraqueceu diante de uma série
de circunstâncias. Se a aeronave tivesse despencado no ar por causa
de uma pane, a força do impacto com a água dificilmente
teria deixado alguém para contar a história. As autoridades
trabalham com outra possibilidade. De que ocorreu uma conjunção
de fatores que envolvem imperícia, mau tempo e irregularidades
no vôo. Nesse cenário, o aparelho teria sido "abatido" por
uma onda. "Estávamos voando baixo devido ao tempo ruim, mas chegaríamos
em poucos minutos a Maresias", contou o co-piloto Cintra, logo depois
do acidente, a um oficial do Corpo de Bombeiros de São Sebastião.
"Até que a água bateu na aeronave e tudo virou." No dia
do desastre, de fato, as condições de vôo na região
da praia de Maresias eram especialmente ruins. Em virtude da ocorrência
de um fenômeno conhecido como ciclone extratropical, os ventos atingiram
no dia velocidades superiores a 50 quilômetros por hora. Chovia
muito e o mar revolto produzia ondas com mais de 2 metros de altura.
Na opinião quase unânime de dez especialistas em aviação
ouvidos por VEJA, a causa mais provável da queda do Agusta tem
relação direta com essas condições meteorológicas.
"Para fugir das nuvens, o piloto provavelmente foi baixando a aeronave
e não respeitou a altitude mínima de 90 metros, limite de
segurança em vôos desse tipo", afirma um experiente piloto.
Nessas condições, é possível que uma rajada
de vento possa ter desestabilizado o helicóptero, até o
aparelho chegar próximo demais do mar. Ele também pode ter
sido pego no meio do caminho por uma onda. Ou ainda, numa terceira hipótese,
os dois fatores vento forte e ondas altas agiram em conjunto
para produzir a catástrofe. "Vamos analisar dezenas de diferentes
hipóteses antes de tirar alguma conclusão sobre o acidente",
afirma o coronel Marco Aurélio Sendin, chefe do Serac 4, divisão
do DAC, responsável pelas investigações sobre o desastre.
A polícia fará sindicâncias paralelas para dar andamento
ao inquérito instaurado alguns dias após o acidente. "O
co-piloto Cintra será um dos primeiros a ser chamados para depor",
afirma o delegado Odair Bruzos, de São Sebastião, área
do acidente. "Se ficar comprovado que alguém foi culpado pelo desastre,
essa pessoa será indiciada por duplo homicídio."
Lailson Santos
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Paula Mott, ex-mulher de
João Paulo, com Abilio, um dos filhos do empresário:
"Eles poderiam estar juntos" |
Durante
as investigações, as autoridades devem confirmar a existência
de alguns indícios de irregularidades na burocracia necessária
à permissão do trajeto do helicóptero de São
Paulo a Maresias. Até agora, os órgãos fiscalizadores
do tráfego aéreo encontraram nos registros aeronáuticos
apenas uma notificação de vôo do helicóptero
de Diniz, entre o aeroporto do Campo de Marte, na Zona Norte de São
Paulo, e a sede do Pão de Açúcar, na Zona Sul da
cidade. Essa comunicação é um aviso obrigatório
que todos os pilotos precisam fazer sempre que vão voar em determinado
trecho. Na sede do Pão de Açúcar, João Paulo
e Fernanda embarcaram no Agusta rumo ao litoral. Tudo indica que os pilotos
não notificaram as autoridades a respeito desse segundo trecho
da viagem. Não fazer isso é irregular, mas, como a fiscalização
é deficiente, poucos seguem à risca a norma porque acham
a regra muito burocrática.
Na aproximação do destino, existem indícios fortes
de que os pilotos de Diniz agiram com imprudência. Eles estavam
conduzindo um helicóptero capaz de voar por instrumentos diante
de baixas condições de visibilidade. Mas todo o aparato
tecnológico embarcado na aeronave só consegue fazer isso
quando se aproxima de um heliponto equipado com radares e outros equipamentos
eletrônicos. Dessa forma, o helicóptero e o heliponto "conversam"
no ar, trocando informações e referências que permitem
a aproximação e o pouso. No momento do acidente, porém,
os pilotos não tinham como utilizar todos os recursos da aeronave.
O heliponto de Maresias não dispõe dos aparelhos necessários
para orientar um pouso por instrumento. Por isso, está autorizado
a receber pousos, diurnos ou noturnos, apenas quando são boas as
condições de visibilidade. Segundo as normas da aviação,
o piloto que se aproxima do local e não consegue enxergar a pista
a 5 quilômetros de distância deve abortar a operação
e voltar para casa. Não foi o que aconteceu. O piloto desceu. E,
fato indiscutível, a aeronave ficou próxima demais da água.
Tudo faz crer que o choque foi macio, o suficiente para não matar
os ocupantes do aparelho.
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A
INTERRUPÇÃO DE UMA CARREIRA BRILHANTE
Dona
de uma beleza exótica, pois mistura
a pele morena a traços levemente orientais, a carioca Fernanda
era uma
das modelos mais requisitadas para ensaios fotográficos e
campanhas publicitárias. O corpo perfeito lhe rendia muitos
convites para posar de biquíni
|
Com
reportagem de
Ricardo Mendonça e Rosana Zakabi
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