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Edição 1 712 - 8 de agosto de 2001
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O preção das
lambretinhas

Você gastaria 32 500 reais para
andar numa
motinha? Muita
gente está fazendo isso

Joana Calmon


Divulgação
A Atlantic, da Aprilia: CD-player e freios ABS

Quando surgiram no Brasil, na década de 80, as scooters, aquelas motos inspiradas nas antigas lambretas, eram modestas no acabamento e na velocidade. Tinham visual despojado e atingiam a velocidade máxima de 60 quilômetros por hora. Acabaram fazendo tanto sucesso que o negócio se sofisticou. Boa parte dos modelos que estão chegando ao mercado em nada lembra suas limitadas antecessoras. Uma das novidades é a Atlantic 500, da fábrica italiana Aprilia. Empurrada por um motor de 460 cilindradas, ela pode atingir 150 quilômetros por hora. Vem com bancos ergonômicos e opcionais como CD-player e sistema de freios ABS. O modelo deve ser vendido a partir das próximas semanas nos países europeus, por um valor próximo a 18.000 reais. Não há previsão de chegada ao Brasil. Por aqui, o grande sonho de consumo é a Burgman 400, da Suzuki. Equipada com um potente motor de quatro tempos, ela custa 20.000 reais. Para quem acha um absurdo, é bom saber que existem modelos ainda mais caros. A BMW fabrica a C1, com teto (sim, isso mesmo), cinto de segurança e pára-brisa. Preço da brincadeira: 32.500 reais.

Uma das coisas que não mudaram no universo das lambretas é o fascínio exercido por esses veículos nos jovens. Eles preservaram certo ar de rebeldia que os acompanha desde a década de 50, quando astros como James Dean guiavam modelos desse tipo. Por fim, há o conforto, um quesito em que as lambretas sempre foram imbatíveis. Os fabricantes dos novos modelos realçaram essa característica com bancos maiores e encostos especiais para a garupa. Por causa da comodidade, as mulheres totalizam hoje 30% do público desse veículo – uma marca impressionante, pois o universo das motos sempre foi, eminentemente, masculino. As scooters já representam cerca de 50% dos veículos sobre duas rodas que circulam na Europa e na Ásia. Nos Estados Unidos, começam a chegar com mais força ao mercado agora. No Brasil, foram vendidas no ano passado mais de 100.000 unidades. Os fabricantes reclamam que o negócio só não é melhor em virtude da legislação, que proíbe os menores de dirigir essas motocicletas. Diga-se de passagem, a decisão é bastante sensata.

   
 
   
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