
estasemana
colunas
seções
arquivoVEJA
Crie
seu grupo

|
|
Se
correr...
...o bicho pega; se ficar,
o bicho come
Malu
Gaspar
Monalisa Lins/AE
 |
| O
ex-prefeito Paulo Maluf: há um mês no exílio francês |
Na semana passada, a Polícia Civil de São Paulo abriu um
inquérito para investigar uma denúncia segundo a qual o
ex-prefeito Paulo Maluf seria dono de 200 milhões de dólares
na Ilha de Jersey, paraíso fiscal localizado no Canal da Mancha
e só conhecido pelos brasileiros por suas famosas vacas
as vacas jersey, naturalmente. Desde que a suspeita veio a público,
há dois meses, o ex-prefeito tomou duas providências: escalou
seus advogados para negar que tenha uma conta milionária no exterior
e embarcou para Paris. Já faz um mês que está na capital
francesa. Agora, descobriu-se que Maluf tomou outra providência,
só que mais discreta que as anteriores: contratou uma firma de
advogados de primeira, o escritório suíço Shellenberg
Wittmer, cuja especialidade é repatriar dinheiro do exterior.
Além da investigação da Polícia Civil, existem
outras três em curso, todas no âmbito do Ministério
Público. As apurações pretendem descobrir se a fortuna
lá fora pertence à família Maluf. De acordo com informações
enviadas ao Brasil por autoridades da ilha, os papéis de abertura
da conta identificam os beneficiários. São eles: o ex-prefeito,
sua mulher, Sylvia, os quatro filhos, Lygia, Lina, Octávio e Flávio,
e a nora, Jacqueline. Maluf nega que tenha dinheiro no exterior. Já
se sabe que a fortuna migrou para a Ilha de Jersey vinda da Suíça
na mesma época em que se bloqueou a conta do juiz Nicolau dos Santos
Neto naquele paraíso fiscal. No ano passado, quando concorreu à
prefeitura de São Paulo, Maluf entregou uma declaração
de bens ao Tribunal Regional Eleitoral, conforme manda a lei. Na declaração
de bens, o ex-prefeito informa que seu patrimônio pessoal é
de 74,9 milhões de reais, mas não faz nenhuma referência
ao montante depositado no exterior.
Até agora, Maluf negou ser dono do dinheiro em entrevistas, mas
nunca fez essa mesma negativa do ponto de vista oficial, como num depoimento,
por exemplo. Trata-se de uma situação espinhosa. Se disser
que a fortuna lhe pertence, terá enormes problemas para justificar
a origem dos 200 milhões de dólares e, também, para
explicar a ausência dessa quantia em suas declarações
de bens. Se disser o contrário, que o dinheiro não é
seu, as autoridades de Jersey poderão simplesmente seqüestrar
os 200 milhões de dólares pois, neste caso, a importância
depositada na ilha não pertencerá a ninguém. A Polícia
Civil de São Paulo tem até 15 de agosto para ouvir o ex-prefeito
sobre o caso. Esgotado esse prazo, será necessário obter
uma nova autorização judicial para tomar seu depoimento.
Mas o advogado de Maluf, Ricardo Tosto, disse que a volta do ex-prefeito
ao Brasil, antes prevista para a semana passada, foi adiada para 20 de
agosto. Paris é mesmo uma delícia.
|
|
 |