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Edição 1 712 - 8 de agosto de 2001
Brasil São Paulo

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Se correr...

...o bicho pega; se ficar, o bicho come

Malu Gaspar

Monalisa Lins/AE
O ex-prefeito Paulo Maluf: há um mês no exílio francês


Na semana passada, a Polícia Civil de São Paulo abriu um inquérito para investigar uma denúncia segundo a qual o ex-prefeito Paulo Maluf seria dono de 200 milhões de dólares na Ilha de Jersey, paraíso fiscal localizado no Canal da Mancha e só conhecido pelos brasileiros por suas famosas vacas – as vacas jersey, naturalmente. Desde que a suspeita veio a público, há dois meses, o ex-prefeito tomou duas providências: escalou seus advogados para negar que tenha uma conta milionária no exterior e embarcou para Paris. Já faz um mês que está na capital francesa. Agora, descobriu-se que Maluf tomou outra providência, só que mais discreta que as anteriores: contratou uma firma de advogados de primeira, o escritório suíço Shellenberg Wittmer, cuja especialidade é repatriar dinheiro do exterior.

Além da investigação da Polícia Civil, existem outras três em curso, todas no âmbito do Ministério Público. As apurações pretendem descobrir se a fortuna lá fora pertence à família Maluf. De acordo com informações enviadas ao Brasil por autoridades da ilha, os papéis de abertura da conta identificam os beneficiários. São eles: o ex-prefeito, sua mulher, Sylvia, os quatro filhos, Lygia, Lina, Octávio e Flávio, e a nora, Jacqueline. Maluf nega que tenha dinheiro no exterior. Já se sabe que a fortuna migrou para a Ilha de Jersey vinda da Suíça na mesma época em que se bloqueou a conta do juiz Nicolau dos Santos Neto naquele paraíso fiscal. No ano passado, quando concorreu à prefeitura de São Paulo, Maluf entregou uma declaração de bens ao Tribunal Regional Eleitoral, conforme manda a lei. Na declaração de bens, o ex-prefeito informa que seu patrimônio pessoal é de 74,9 milhões de reais, mas não faz nenhuma referência ao montante depositado no exterior.

Até agora, Maluf negou ser dono do dinheiro em entrevistas, mas nunca fez essa mesma negativa do ponto de vista oficial, como num depoimento, por exemplo. Trata-se de uma situação espinhosa. Se disser que a fortuna lhe pertence, terá enormes problemas para justificar a origem dos 200 milhões de dólares e, também, para explicar a ausência dessa quantia em suas declarações de bens. Se disser o contrário, que o dinheiro não é seu, as autoridades de Jersey poderão simplesmente seqüestrar os 200 milhões de dólares – pois, neste caso, a importância depositada na ilha não pertencerá a ninguém. A Polícia Civil de São Paulo tem até 15 de agosto para ouvir o ex-prefeito sobre o caso. Esgotado esse prazo, será necessário obter uma nova autorização judicial para tomar seu depoimento. Mas o advogado de Maluf, Ricardo Tosto, disse que a volta do ex-prefeito ao Brasil, antes prevista para a semana passada, foi adiada para 20 de agosto. Paris é mesmo uma delícia.

 
 
   
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