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Edição 1 712 - 8 de agosto de 2001
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À beira do caos

José Ignácio está com a
corda no pescoço

Atolado na maior crise político-administrativa de sua história, o Espírito Santo vive um estado de caos. A situação já estava complicada quando denúncias de corrupção atingiram diretamente o governador, José Ignácio Ferreira. Cinco secretários foram demitidos, entre eles a primeira-dama, Maria Helena Ruy Ferreira, que teve o sigilo bancário quebrado e os bens bloqueados. Na semana passada, o cenário ficou ainda mais preto. Nove pessoas tiveram a prisão decretada. Entre elas, o cunhado do governador e ex-secretário de Governo, Gentil Ruy, o único encontrado pela polícia. A Assembléia Legislativa começou a discutir a abertura de um processo de impeachment contra José Ignácio devido à série de denúncias iniciada há três meses. A intervenção federal, uma hipótese inexistente, chegou a ser comentada como possibilidade real. O pedido foi entregue ao procurador-geral da República, Geraldo Brindeiro.

Sem saída diante das denúncias feitas até por colaboradores próximos, José Ignácio desligou-se do PSDB duas semanas atrás. O governo federal sinalizou que considera inviável uma intervenção, mesmo porque a lei aceita essa medida quando há atentado contra a ordem pública, e não roubalheira na administração. Essa foi a senha para a proposta de uma intervenção branca. José Ignácio seria mantido no cargo e o governo federal colocaria técnicos nos cargos-chave da administração. Na semana passada, graças a uma manobra do PFL capixaba, o governador conseguiu adiar a formação da comissão que julgará a abertura do processo de afastamento. No entanto, seu destino está selado. Pode ficar no cargo, mas sem a caneta na mão.

 
 
   
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