À
beira do caos
José Ignácio está com
a
corda no pescoço
Atolado na maior crise político-administrativa de sua história,
o Espírito Santo vive um estado de caos. A situação
já estava complicada quando denúncias de corrupção
atingiram diretamente o governador, José Ignácio Ferreira.
Cinco secretários foram demitidos, entre eles a primeira-dama,
Maria Helena Ruy Ferreira, que teve o sigilo bancário quebrado
e os bens bloqueados. Na semana passada, o cenário ficou ainda
mais preto. Nove pessoas tiveram a prisão decretada. Entre elas,
o cunhado do governador e ex-secretário de Governo, Gentil Ruy,
o único encontrado pela polícia. A Assembléia Legislativa
começou a discutir a abertura de um processo de impeachment contra
José Ignácio devido à série de denúncias
iniciada há três meses. A intervenção federal,
uma hipótese inexistente, chegou a ser comentada como possibilidade
real. O pedido foi entregue ao procurador-geral da República, Geraldo
Brindeiro.
Sem saída diante das denúncias feitas até por colaboradores
próximos, José Ignácio desligou-se do PSDB duas semanas
atrás. O governo federal sinalizou que considera inviável
uma intervenção, mesmo porque a lei aceita essa medida quando
há atentado contra a ordem pública, e não roubalheira
na administração. Essa foi a senha para a proposta de uma
intervenção branca. José Ignácio seria mantido
no cargo e o governo federal colocaria técnicos nos cargos-chave
da administração. Na semana passada, graças a uma
manobra do PFL capixaba, o governador conseguiu adiar a formação
da comissão que julgará a abertura do processo de afastamento.
No entanto, seu destino está selado. Pode ficar no cargo, mas sem
a caneta na mão.
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