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Varejo Briga na gôndolaRedes de
supermercados travam guerra de
Os brasileiros estão assistindo a uma disputa sem precedentes entre as duas maiores redes de supermercados do país. De um lado está o Carrefour, um grupo francês que tem 58 lojas, faturou 5,5 bilhões de reais no ano passado e há nove anos ocupa o primeiro lugar no ranking dos hipermercados que mais vendem e faturam no país. Na outra ponta está o empresário Abilio Diniz, o dono dos supermercados Pão de Açúcar, desbancado pelos franceses do topo da lista dos maiores. Não é segredo para ninguém que o Carrefour e o Pão de Açúcar sempre se cutucaram na disputa pelos clientes desde então. O que está espantando todo mundo agora é que os dois concorrentes partiram para o confronto direto. Nas últimas semanas, trocaram acusações de vender produtos de má qualidade, lançaram promoções idênticas e anunciaram, na mesma data, seus planos de crescimento no Brasil. A primeira farpa partiu do Pão de Açúcar. O hipermercado Extra, que pertence ao grupo de Abilio Diniz, publicou anúncios em jornais de São Paulo sugerindo que computadores como os vendidos pelo Carrefour são produtos de terceira linha. O lance seguinte da briga foi o lançamento de promoções iguaizinhas. O cliente que provar que o preço cobrado por um produto no caixa é diferente do anunciado na gôndola leva a mercadoria de graça. O objetivo do Carrefour e do Pão de Açúcar é mostrar que ambos estão se empenhando em eliminar esse tipo de erro. Tanta concorrência cria mal-estar entre os líderes das redes. "Há hipermercados no Brasil que estão fazendo coisas muito boas, mas há outros que demonstram falta de ética", diz o superintendente do Carrefour, Jean Duboc. "Eles copiaram muito da gente", diz Abilio Diniz, do Pão de Açúcar. "Não deviam sentir vergonha disso, porque nós também cansamos de copiá-los." Desde o início da década, Diniz vem comandando a reestruturação do grupo. Preços mais camaradas A agressividade do Pão de Açúcar tem uma base. Abilio quer retomar a posição de maior grupo de supermercados do país. A empresa começou em 1959 pelo patriarca da família, Valentim Diniz, pai de Abilio, a partir de uma doceira em São Paulo. Na década de 80, chegou a ter 600 lojas. O problema é que muitas delas eram deficitárias e não havia controle algum desse prejuízo. As brigas entre os filhos de Valentim também enfraqueceram a atuação da rede e quase a levaram à falência. Em 1989, o Carrefour tomou a dianteira com apenas dezenove lojas. Atuando no Brasil desde 1975, o grupo francês trouxe um estilo novo ao setor. Criou lojas imensas, com autonomia administrativa, localização escolhida a dedo pelos diretores e preços mais camaradas do que os da concorrência. Cresceu rapidamente e hoje tem 58 estabelecimentos. Para recuperar a saúde do grupo, Abilio Diniz fez de tudo. Demitiu funcionários, vendeu lojas e hoje está com 270. Há dois anos, o Pão de Açúcar completou a reestruturação e já começa a se expandir novamente. Comprou a rede paulista de supermercados Barateiro e tem mais 350 milhões de reais para gastar neste ano, o mesmo valor anunciado pelo Carrefour. O Brasil é um país que ainda oferece oportunidade para que grandes redes se instalem ou ampliem muito o número de lojas, como ocorre com o Pão de Açúcar e o Carrefour. Um estudo do consultor Marcos Gouvea, especializado em varejo, mostrou que as cinco maiores redes do país detêm 28% das vendas. Em países como Inglaterra, Alemanha e França, esse porcentual é de 55%. É por isso que os gigantes estrangeiros estão chegando. O grupo americano Wal-Mart já tem nove lojas no país e planeja abrir mais cinco neste ano. O grupo Sonae, um dos maiores de Portugal, comprou no ano passado a rede gaúcha Real e há três semanas se associou ao hipermercado Cândia, de São Paulo. E os holandeses do Royal Ahold se associaram aos pernambucanos do Bompreço. Como se vê, há muito movimento no setor. Para o consumidor é uma boa notícia. Para ganhar freguesia, essa turma também vai ter de entrar na guerra de preços. O que pode resultar em boas ofertas. Franco Iacomini
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