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Medicamentos falsificados: um escândalo absurdo |
| Foto: R. Andrade |
O Brasil transformou-se no paraíso dos remédios falsificados. Máfias organizadas fabricam e vendem às farmácias produtos cujas fórmulas são inócuas. Elas não contêm as substâncias que aparecem nos rótulos. É um escândalo absurdo, que põe em risco a vida de milhares de pacientes. Entre os produtos fraudados à venda nas drogarias há até mesmo remédios de combate ao câncer e às doenças do coração. Quem faz isso está, deliberadamente, matando pessoas. Esse é o assunto da reportagem que começa na página 40.
Nas últimas semanas, outra ocorrência ajudou a chamar a atenção para o problema dos remédios. É o caso do Laboratório Schering, fabricante do Microvlar, uma das marcas de pílulas anticoncepcionais mais vendidas no Brasil. Milhares de cartelas do medicamento entregues às farmácias continham comprimidos de farinha no lugar das pílulas autênticas. Em razão disso, várias mulheres descobriram que ficaram grávidas enquanto tomavam o Microvlar.
Até agora, a história está muito mal explicada. A levar-se em conta a tradição do laboratório e as justificativas que ele apresentou, parece tratar-se de uma ocorrência involuntária, em nada semelhante à falsificação de remédios. No entanto, erros monumentais de conduta por parte da empresa seguiram-se à distribuição da farinha embalada em cartela de anticoncepcional. Depois de receber a primeira denúncia, de uma paciente, sobre o problema com as pílulas, o laboratório demorou um mês para informar sobre o que estava ocorrendo. Só na semana passada, depois que o caso chegou à imprensa e o Ministério da Saúde começou a apurá-lo, a empresa deu satisfações ao público numa nota em que se comprometia a reparar os prejuízos e retirar o medicamento do mercado.
Na vida das empresas, erros são quase inevitáveis. Acontece com todo mundo. O que faz toda a diferença é a forma como se reage quando o escorregão é descoberto. A regra de ouro da boa conduta é agir rápido e com transparência. No caso do Laboratório Schering, isso não vem acontecendo.
Copyright © 1998, Abril
S.A. |